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Criadora do Diário de Classe, Isadora Faber fala sobre futura profissão e assédio político

Depois de estudar em escola pública, jovem está há três anos em colégio particular e agora se prepara para o primeiro vestibular

Karin Barros
Florianópolis
14/10/2016 às 10H20

A menina que chamou a atenção do país ao criar a página Diário de Classe no Facebook, em julho de 2012, na qual divulgava os problemas da Escola Municipal Maria Tomázia Coelho, no Santinho, Norte da Ilha, fará o seu primeiro vestibular no fim do ano. A diferença é que os últimos três anos de estudos de Isadora Faber, 17 anos, no ensino médio, foram em escolas particulares do Centro de Florianópolis. Para ela, é clara a diferença entre os dois universos.

Isadora Faber, na sala de aula do Energia, quer fazer relações internacionais na UFSC - Bruno Ropelato/ND
Isadora Faber, na sala de aula do Energia, quer fazer relações internacionais na UFSC - Bruno Ropelato/ND



Se fosse fazer o Diário de Classe do momento atual, Isadora não saberia do que reclamar. “Meu ensino fundamental foi muito fraco, principalmente em exatas. Aqui [Colégio Energia], é completamente diferente. Os professores estão sempre preocupados com a gente, dão muita atenção e ficam atentos às reclamações”, diz.

A estudante também elogia o acolhimento positivo que teve na escola particular. “Eu tive muito medo, porque na outra escola quase ninguém gostava de mim. Meus colegas eram influenciados por coordenadores e professores que passavam nas salas para falar que tinham que ser contra mim. Aqui, as pessoas me reconheceram, mas sempre me apoiaram”, conta.

Terminando o terceirão, o foco de Isadora atualmente é conseguir passar de ano. Devido ao ensino fraco que teve, suas notas baixaram e a família compreende. “Meus pais veem minha dedicação, por isso não estão cobrando que eu passe no vestibular esse ano. O mesmo aconteceu com a minha irmã, então eu já esperava isso também. Meus pais disseram que eu posso tentar novamente no ano que vem”, diz a jovem, que pretende cursar relações internacionais na UFSC.

Política, economia e viagem

A escolha pela futura profissão não foi fácil, e ainda pode mudar, o que é natural nessa idade. Isadora Faber confessa que a decisão foi tomada no mês passado, durante uma semana do colégio dedicada a profissões. “Gosto de aprender e entender de politica, e relações [internacionais] tem um pouco disso, mais quero mesmo ir para a área da economia, sobre direito no mundo, e viajar. Sempre quis conhecer outras culturas, como Ásia e África, e nesse curso falaram que a gente conhece o mundo inteiro, e acho que isso que me encantou”, diz.

A família também não pressiona Isadora na escolha, apesar de ela contar sobre o desejo do pai em ter uma filha médica. “Minhas irmãs fizeram engenharia, e sobrou para mim a medicina. Até pensei em fazer, porque gosto da área biológica, mas no momento estou pensando em viajar”, afirma.

Objetivo ainda é melhorar a educação

Após quatro anos das primeiras denúncias sobre a Escola Maria Tomázia Coelho, o sonho de Isadora Faber de melhorar a educação no país não ficou para trás. Postagens sobre o colégio particular até aconteceram, mas foram mais para comentar as matérias novas. Mesmo pouco atualizado, o Diário de Classe hoje tem quase 600 mil curtidas.

Ela está à frente ainda da ONG Isadora Faber, focada em projetos educacionais, porém, o que tentou colocar em prática – o projeto Aluno Nota 10, criado no interior da Bahia -, não saiu do papel em Florianópolis por falta de apoio da Secretaria de Educação do município. “Isso foi ano passado, e agora estou muito atarefada e não tenho como correr atrás de apoiadores. Não vou desistir, só estou esperando essa fase passar”, diz.

Isadora conta que nas ruas as pessoas ainda a reconhecem. E o assédio de políticos também tem sido grande. Propostas para se filiar a partidos também já foram feitas, e não foram poucas, segundo ela. Isadora conta que até participou de uma reunião, mas diz que esse não é o seu foco agora e não tem interesse em se candidatar.

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