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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Interditada desde abril, sede central do Clube Doze de Agosto pode ser demolida

Clube tem dívidas trabalhistas de R$ 7 milhões com o INSS e poderá permutar o terreno com uma construtora

Felipe Alves
Florianópolis
Eduardo Valente/ND
Hoje vazio, salão já recebeu bailes de Carnaval, festas de casamento e comemorações

 

Reflexo do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro deste ano, que matou 242 pessoas e feriu outras 116, a interdição da sede central do Clube Doze de Agosto, em Florianópolis, deve perdurar pelo menos até o fim de dezembro. Ou nem reabrir mais.

Há mais de um ano, a diretoria discute o destino do prédio localizado na avenida Hercílio Luz, que hoje é avaliado em R$ 8 milhões. A ideia mais provável é de que ele seja demolido e ali surja um prédio comercial. O projeto de permuta do terreno de 1.576 m² será com a iniciativa privada e, em troca, o Doze prevê receber 33% da área.

“Queremos fazer com que o patrimônio seja fonte de novas rendas e que isso beneficie nossos 1.200 associados”, explica o presidente Wilson José Marcinko. Segundo ele, com este novo projeto os associados poderiam ter uma redução das mensalidades e das taxas desportivas. O dinheiro seria usado também para pagar dívidas trabalhistas de cerca de R$ 7 milhões com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Analisada por engenheiros, arquitetos, advogados e pelo presidente do clube, a proposta foi aprovada por unanimidade no conselho de 40 pessoas do clube e, agora, será votada pelos associados. Segundo Marcinko, seis empresas manifestaram interesse na parceria. A proposta é que seja construído um prédio com quatro andares de garagem, nove pavimentos com salas comerciais e dois pavimentos com lojas e sobrelojas.

Para reabrir a sede, o Doze precisa cumprir um termo de ajustamento de conduta feito pelo Ministério Público de Santa Catarina. Esse termo prevê que até 3 de janeiro de 2014 as alterações pedidas pelo Corpo de Bombeiros no prédio sejam cumpridas para garantir as normas de segurança contra incêndio. O prédio está interditado pela Polícia Civil desde 4 de abril, quando o Corpo de Bombeiros vistoriou o clube e identificou o vencimento do alvará de funcionamento. Desde então, foram instaladas 101 lâmpadas de emergência, os extintores de incêndio foram recarregados e as placas de sinalização de saídas de emergência foram ajustadas. Entre as alterações que devem ser feitas estão a instalação de caneletas, ajuste de fiações e manutenção da central de gás.

Moradores de rua

Palco de eventos há 141 anos, o Clube Doze de Agosto enfrenta outro problema: os moradores de rua que se instalaram em frente à sede e ameaçam os funcionários com tesouras e facas, puxam brigas e usam drogas livremente. Segundo Wilson José Marcinko, eles já roubaram televisores e bebidas, quebraram vidros e a sensação é de insegurança no local.

De acordo com Marcinko, a Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Assistência Social já foram acionadas para dar uma destinação correta aos moradores de rua, mas o problema não foi resolvido. A diretoria do clube também entrou em contato com o Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) e a situação não foi solucionada.

De acordo com Alessandro Abreu, secretário de Assistência Social, a abordagem aos moradores de rua é feita diariamente pela prefeitura, mas eles acabam retornando. “A única solução é a readequação do espaço físico do clube. Não podemos colocar um guarda municipal diariamente ali para cuidar de um espaço privado. O grande problema é que o local é propício para os moradores de rua. Há um espaço grande, coberto e acolhido de vento e chuva”, diz.

HISTÓRICO

- Bailes de Carnaval, bailes de debutantes, casamentos, aniversários e uma série de comemorações marcaram os 141 anos do Clube Doze, um dos mais tradicionais de Florianópolis.

- Fundado por 14 jovens em 12 de agosto de 1872, o clube ficou instalado por 92 anos na rua João Pinto e, em 1940, a sede foi transferida para a avenida Hercílio Luz. A nova sede começou a ser construída em 1957 e foi finalizada em 1964. Depois, foi ampliada com um terreno doado por Aderbal Ramos da Silva.  

- Em 1955 foi adquirida a sede de Coqueiros e, em 1974, surgiu a sede de Jurerê, com mais de 340 mil m².  

 

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