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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Instituto Engevix busca parceiros para não fechar as portas no Maciço do Morro da Cruz

Famílias e coordenação do instituto que atende 47 crianças estão buscando alternativas

Felipe Alves
Florianópolis

Há três anos todos os dias Pedro Henrique, de 8 anos, acorda cedo e sai de casa, no Morro da Caixa, para, às 8h, estar no Instituto Engevix acompanhado da mãe Andréia Karla Fermiani, 46. Ali ele tem apoio pedagógico, psicológico, odontológico, aulas de música, educação física, contação de histórias e a interação com os colegas no contraturno escolar. Depois que começou a participar do projeto, a hiperatividade de Pedro Henrique teve melhoras significativas, conta a mãe Andréia. Mas, há três semanas, a rotina da família mudou. Com dificuldades financeiras, o instituto está a procura de parceiros até o próximo dia 15 de agosto para não fechar as portas e deixar na mão 55 famílias, principalmente do Maciço do Morro da Cruz. Atualmente, o instituto atende 47 crianças.

Marco Santiago/ND
Simone (à dir.) e pais e crianças do instituto estão unidos para salvar o projeto


Sem emprego, agora Andréia não tem onde deixar o filho. “Já enviei currículos, mas não posso me comprometer em um emprego enquanto não resolver a situação do Instituto. Aqui faz toda a diferença para o desenvolvimento dele, com apoio pedagógico e alimentação”, explica ela.

Criado em 2004, o Instituto atende crianças de escolas públicas e de baixa renda de seis a 12 anos. Credenciado como uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), o projeto oferece oficinas, atendimentos médicos, pedagógicos e duas refeições por turno. Em julho de 2015, a Engevix repassou a gestão do instituto à empresa Stratkraft. Mas, em maio deste ano, a Stratkraft decidiu que não iria mais repassar os R$ 60 mil mensais que mantinham todos os projetos do Instituto.

Sem verba, a expectativa é conseguir parcerias com a iniciativa privada para manter a entidade neste semestre e, para o próximo ano, tentar verbas públicas. “Até agora conseguimos quatro parceiros, que somam R$ 20 mil, mas para montar a casa novamente, com alimentação, oficinas e apoios, precisamos de R$ 60 mil. É uma corrida contra o tempo”, explica Simone Fraga Antunes, coordenadora geral do instituto.

Semana decisiva

Para tentar manter o instituto neste semestre, a coordenadora Simone diz que terá que retirar a alimentação e reduzir alguns projetos para conseguir manter a casa funcionando. “Teremos um segundo semestre enxuto para ter tempo de tentar outras parcerias e fazer convênios para o próximo ano”, diz ela.

No lugar de atendimento às crianças, a equipe do instituto tem trabalhado nas últimas semanas em agendas reuniões, conseguir contatos com empresários e políticos para tentar conseguir novos parceiros. A maioria das empresas que Simone consegue contato não conseguem disponibilizar verba pois fecham seus orçamentos no ano anterior. O mesmo ocorre com convênios públicos que são feitos um ano antes de liberar a verba. “A próxima semana será a semana-chave para decidirmos se iremos fechar ou não o instituto”, diz ela.

Depois de duas semanas de férias, na semana passada as crianças voltaram às aulas e deveriam ter retornado também ao instituto. Em casa, as famílias estão tendo que achar alternativas. “É aqui que ele fazem as tarefas da escola, fazem pesquisas, estudam para as provas, tem aulas de informática, e onde muitos tem a alimentação saudável diária, com arroz, feijão, carne e verduras”, explica.

Auxílio pedagógico é fundamental

Ao longo de 14 anos, o Instituto Engevix já atendeu mais de 1.300 crianças em situação vulnerável. A maioria tem dificuldade de aprendizagem e recebe, na entidade, o apoio necessário para ajudar no desenvolvimento.

Andrei Luiz Martins, 29 anos, do morro da Caixa, teve que deixar o emprego para cuidar do filho Enzo dos Santos, 7. “Não tem quem fique com ele à tarde, então tive que ficar em casa, enquanto minha mulher trabalha”, diz ele. É na instituição que Enzo estudo para o colégio, tem apoio pedagógico e faz uma alimentação completa. Para Vânia Cristina Linhares, que está desempregada, o instituto é uma referência para o filho. “Ajudou na educação dele, no comportamento e nos hábitos alimentares. Aqui é como minha família”, diz ela.

Como ajudar

Contato pelos telefones 3225-2044, 3228-1065 ou pelo e-mail salveoinstituto@prese.org.br.

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