Publicidade
Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 18º C

Insegurança faz frequentadores cogitarem o fechamento à noite do Parque da Luz

Área de 37 mil m² e com 1.268 árvores no Centro de Florianópolis não tem iluminação e no período noturno é local de prostituição e abrigo para usuários de drogas

Michael Gonçalves
Florianópolis
10/07/2017 às 23H05

Camisinhas e latinhas de cerveja são objetos encontrados todas as manhãs no Parque da Luz, Centro de Florianópolis. Com 1.268 árvores em uma área verde de lazer de 37 mil m², a falta de iluminação transforma o parque em um local inseguro durante à noite, porque é utilizada como local de prostituição e consumo de drogas. Segundo o presidente da Associação Amigos do Parque da Luz, Carlos Cezar Stadler, 67 anos, cresce o número de pessoas que defendem o fechamento com cercas e grades, assim como já acontece no Parque Ecológico do Córrego Grande.

Moema (à dir.)  vai ao Parque  da Luz sem carteira e celular para brincar com a cadela Gigi - Flávio Tin/ND
Moema (à dir.) vai ao Parque da Luz sem carteira e celular para brincar com a cadela Gigi - Flávio Tin/ND


Para passear com a cadela Gigi, a dona de casa Moema Buttemberg deixa a carteira e o telefone celular em casa. “Sou do grupo que passeia com os cachorros todos os dias aqui. Quando não estou acompanhada do meu marido, a solução é vir no horário marcado com as amigas dos pets. Em função da bagunça do que acontece aqui, acredito que iluminação e cerca deixariam o espaço mais seguro”, disse.

Criado há 20 anos por um grupo de moradores, o Parque da Luz tem horta comunitária, campo de futebol, parquinho e muitas árvores frutíferas. A comunidade também se reúne no parque por conta de grupo de leitura, aulas de ioga e outras atividades culturais e desportivas.

A professora Marise Borba da Silva aproveita os passeios com a cadela Mel para comer pitanga, goiaba ou ameixa do pé. Durante as caminhadas, Marise encontra o que sobrou das noites agitadas. “Em determinados pontos do parque o problema é de saúde pública, porque utilizam o local como banheiro público. Sem falar nas dezenas de camisinhas espalhadas pelas trilhas. O parque precisa de mais segurança”, afirmou a professora.

O engenheiro João Carlos Schultz é contra o fechamento do parque. Ao lado da filha Beatriz, ele lamenta percorrer a trilha e encontrar preservativos pelo caminho. Ele defende a iluminação da área. “Uma grade não impedirá que as pessoas em situação de rua invadam o parque, mas sou favorável à iluminação, que afasta quem quer cometer pequenos delitos”, disse.

Proposta de levar 1ª Cia. da PM ao parque

A Associação Amigos do Parque da Luz mantém um jardineiro para a manutenção da área verde. Além do funcionário, o movimento dos frequentadores afasta as pessoas em situação de rua. Dificilmente essas pessoas permanecem no parque de dia.

O presidente da associação, Carlos Cezar Stadler, explicou que os conceitos estão mudando. “Quem era radicalmente contra iluminar e colocar cerca no parque já está mudando de ideia. Uma das nossas propostas é trazer a 1ª Cia. do 4º BPM [Batalhão da Polícia Militar] para uma das salas ao lado da cabeceira da ponte Hercílio Luz, porque daria uma sensação de segurança para os frequentadores do parque”, explicou.

Atualmente, a 1ª Cia. está sediada no Terminal Rodoviário Rita Maria. O comandante do 4º BPM, coronel Marcelo Pontes, afirmou que houve apenas uma conversa informal sobre a mudança com moradores do Centro. Pontes disse que precisa ter mais informações sobre o local, como estacionamento para viaturas, recepção do sinal de rádio e o sistema viário da ponte Hercílio Luz. “Não temos um grande número de ocorrências no Parque da Luz, mas entendo que a iluminação e a poda das árvores aumentariam a sensação de segurança. O fechamento com grades deveria ser a última alternativa”, destacou o coronel.

Município busca recursos para revitalização

Para o prefeito Gean Loureiro (PMDB), o Parque da Luz merece uma revitalização completa e verdadeira. “A prefeitura hoje não tem recursos, mas estamos buscando alternativas e neste segundo semestre queremos devolver essa área à sociedade em condição de utilização”, disse.

Conforme o diretor geral da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), Marcos da Silva, a ideia de fechamento já vem sendo debatida em reuniões com a comunidade. Ele disse que a região é insegura, assim como outros pontos da cidade no período noturno. “Tudo aquilo que é vigiado é mais bem frequentado e preservado. O fechamento é uma ideia interessante, mas esbarra na falta de recursos da prefeitura”, justificou.

O parque é administrado na gestão compartilhada entre a Floram e a Associação Amigos do Parque da Luz. Diversas melhorias realizadas foram compensações ambientais, que a fundação direcionou para o parque. Silva ressaltou que a vigilância é feita pela Guarda Municipal de Florianópolis e Polícia Militar.

Publicidade

5 Comentários

Publicidade
Publicidade