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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Inflação muda hábitos de consumo em Florianópolis; veja dicas para economizar

Estratégias são diferentes, mas objetivo comum é gastar menos nas compras nos supermercados

Elaine Stepanski
Florianópolis
Divulgação
Regina Kuster começa cortando os produtos considerados supérfluos

Um olho na lista de compras e outro nos produtos. É assim que a aposentada Lacir Domingos, 73 vai às compras com o marido Joatacy 79. Juntos eles analisam preços, fazem um bom estoque e garantem a economia no orçamento. A lista auxilia a não cair na tentação diante de tantos produtos e inovações nas prateleiras dos supermercados. A ação é necessária, informa Jotacy. “Os preços aumentaram muito, tem que analisar bastante e levar sempre o mais barato. Se é supérfluo, dependendo o preço não levamos. Aproveitamos também os bons preços para fazer estoque”, conta.

O casal não é o único que está poupando. Uma pesquisa divulgada no mês de julho pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) indica que houve uma queda no consumo dos brasileiros de 5,3% em relação a junho. Na comparação com o mesmo mês do ano passado o recuo foi de 27,9%. A queda mostra que as pessoas estão colocando o pé no freio e comprando menos.  “O atual cenário exige cautela. Ter cautela significa não contrair dívidas desnecessárias para o momento, ser prudente nos gastos e despesas diárias e mensais e não descuidar das receitas salariais”, afirma o economista Eduardo Machado.

Em Santa Catarina o cenário não é muito diferente. Pela primeira vez, o índice que marca a Intenção de Consumo das Famílias catarinenses ficou abaixo dos 100 pontos. O ICF de julho ficou em 99,8 pontos. O cenário reflete o momento de incertezas, e o consumidor tem mudado os hábitos para não ficar no vermelho.

Para a psicóloga Regina Kuster, 45, o corte de despesas começa no supérfluo. “Quando não dá para levar o produto troco a marca. Às vezes é preciso deixar o chocolate de lado, por exemplo”, conta.

 

Queda histórica em Santa Catarina é reflexo da inflação alta

A inflação alta e persistente é na avaliação da Fecomércio Santa Catarina reflexo da queda histórica do ICF (Intenção de Consumo das Famílias Catarinenses) que mantém o consumo atual abaixo dos 100 pontos pelo quarto mês consecutivo. Isso significa que o indicador chegou a sua mínima histórica e a renda atual permanece praticamente estagnada.

A renda estagnada é para o aposentado Mario Bertoncini o principal problema do cenário de instabilidade. “Nunca vi uma crise econômica igual a esta. Antes pelo menos aumentava o salário. A gente tem que poupar no supermercado, na conta de luz, nos passeios, em tudo, com os preços em cima e a renda na mesma”, reclama. Com os consumidores comprando menos, o comércio sente o impacto no volume de vendas, que vem apresentando os piores resultados desde 2003.

“Com a economia em fase de ajuste, com menor nível de investimentos público e privado, é possível encontrarmos cortes de postos de trabalho, redução da jornada e consequentemente dos salários. Por isso nunca será demais equilibrar o orçamento doméstico e familiar, poupando para um futuro desconhecido e incerto”, afirma o economista Eduardo Machado.

Dicas para manter as contas em dia

- Procure manter o equilíbrio financeiro, o que quer dizer não gastar mais do que sua renda mensal

- Utilize instrumentos de visualização, eles são bastantes úteis. De aplicativos para celular, até mesmo um caderninho de anotações. A ideia é listar todas as despesas mensais e também os gastos diários, inclusive o cafezinho com os amigos

- Não se esqueça das despesas com o cartão de crédito que também impactam no orçamento. O somatório das despesas não pode ultrapassar o total de rendimentos que você recebe mensalmente

- Quase todas as despesas supérfluas podem ser substituídas. Se a conta do cafezinho da tarde está pesando no orçamento mensal, leve um lanche preparado em casa. No supermercado, podemos ter substitutos mais baratos frentes aquele produto de determinada marca

- Se o seu orçamento pessoal está desequilibrado, ou no limite, será inevitável promover substituições ou até cortar gastos. A indicação é poupar para despesas futuras, inesperadas ou planejadas

- Para quem já se encontra endividado, a indicação é substituir as dívidas caras por outras com taxa de juros menores. Por exemplo: quem possui dívidas no cartão de crédito e não paga o total da fatura, a melhor opção seria procurar seu banco de relacionamento (aquele em que você possui conta corrente), e perguntar sobre algum empréstimo pessoal. Esses produtos bancários costumam ofertar taxas de juros menores que aquelas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito.

 (Fonte: economista Eduardo Machado)

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