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Índios marcam protesto e pedem que MPF investigue assassinato em Penha

Nesta quarta-feira (10), às 14 horas, também haverá uma cerimônia religiosa no local onde Marcondes Namblá foi morto a pautadas

Marcos Horostecki
Penha
09/01/2018 às 18H22

Lideranças indígenas de todo o Estado e até de outras regiões do País são esperadas nesta quarta-feira (10), às 14h, em Penha, no Litoral Norte, para um ato de protesto contra a violência e por justiça no caso do professor da etnia xoclengue, Marcondes Namblá, 38. Ele foi morto a pauladas na noite de ano novo e o crime ainda não foi totalmente esclarecido.

A Polícia Civil pediu a prisão de Gilmar César de Lima, 22, reconhecido por testemunhas que teriam flagrado o crime. Ele continua foragido e teria justificado à testemunhas que o professor teria mexido com o cachorro dele. Essa versão não é aceita pelas lideranças indígenas, que associam a morte ao preconceito e violências gratuitas impostas às comunidades que residem próximo do litoral de Santa Catarina.

Marcondes Nambla (o segundo da esquerda para direita) em apresentação na Ufsc - Divulgação
Marcondes Namblá (o segundo da esquerda para direita) em apresentação na Ufsc - Divulgação/ND


O ato de protesto conta com o apoio de estudantes, professores e colegas de Namblá na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Na tarde de quarta-feira eles prometem ir até Penha vestidos de guerreiros, em apoio às demais lideranças indígenas presentes. Guias espirituais das etnias farão um ritual para que a alma de Namblá retorne a sua aldeia e para que seu espírito siga em paz. Até a tarde de terça-feira (9), apoiadores da causa indígena, professores e estudantes ainda buscavam ajuda financeira para contratar o transporte e a alimentação para os participantes.

O cacique da reseva xoclengue em José Boiteux, onde Namblá morava, Tucun Gakran, disse nesta terça que a dor é grande entre familiares do professor, assim como a revolta da comunidade indígena catarinense. “Ficou muito difícil pra mim depois da morte. Ele era meu primo e faz muita falta por aqui. Queremos que pare essas injustiças contra os povos indígenas”, destacou.

Falta confiança no trabalho da Polícia Civil

Em um encontro na Procuradoria da República, na Capital, as lideranças indígenas do Estado conseguiram que o MPF (Ministério Público Federal) passe a acompanhar a investigação sobre o assassinato de Namblá. “Fomos pedir a interferência do promotor porque não temos confiança na Polícia Civil de Santa Catarina. Queremos que haja interferência federal para que o culpado seja de fato punido e o crime esclarecido”, explicou Gakran,

 O procurador-chefe da Procuradoria da República em Santa Catarina, Darlan Airton Dias, deve abrir um Procedimento de Investigação Criminal (PIC) para que sejam averiguadas as causas do assassinato. Namblá, que era uma espécie de juiz na aldeia e trabalhava para perpetuar a língua Laklãnõ Xokleng, ensinando na reserva onde vivia e que é considerado o último reduto da etnia no Brasil.

 

O professor estava em Penha no final de ano para conseguir uma renda extra vendendo picolés com um grupo de indígenas xoclengues. Na noite anterior ao crime ele publicou em seu perfil na rede social, que alguém o tinha deixado muito triste que não seria uma virada de ano feliz.

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