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Índios do Morro dos Cavalos promovem visitação em aldeias para aproximar comunidade

Disputa judicial e desinformação causaram atrito entre indígenas e moradores em 2017; na época, incentivados por lideranças, moradores fizeram protesto e questionaram demarcação de terra

Everton Palaoro
Palhoça
18/11/2018 às 21H11

O Centro de Formação Tataendy Rupa promove nesta terça-feira (20) uma trilha ecológica no Morro dos Cavalos, em Palhoça. A intenção é levar moradores, estudantes e professores até uma antiga aldeia dentro da reserva. Segundo os organizadores, a ação é uma forma de aproximar a comunidade dos indígenas. Eles querem mostrar que a terra é ocupada há várias gerações e não algo que surgiu a partir do processo de demarcação. 

Indígenas trabalham na recuperação da mata com plantio de árvores nativas - Divulgação/ND
Indígenas trabalham na recuperação da mata com plantio de árvores nativas - Divulgação/ND

 

Jekupe Mawe, comunicador do território Morro dos Cavalos, conta que 30 pessoas já estão inscritas para a trilha. Na maioria, o grupo é formado por estudantes e professores interessados por história. “Tem a ver com a homologação. A gente via que muitas pessoas, mesmo vindo à aldeia, ainda se indagavam de onde os guarani eram. Acham que é coisa da ampliação da BR-101”, ressaltou.

São três locais que já serviram de aldeia dentro da mata atlântica. Na trilha de amanhã, o grupo percorrerá aproximadamente três quilômetros até uma das ocupações. “São três aldeias, nós vamos na que fica mais perto. A primeira ocupação é a mais distante. Vamos levar uma hora e meia para percorrer a trilha”, projetou Mawe.

A procura pela trilha nos fins de semana já obrigou os indígenas a marcarem um passeio durante sábados ou domingos. A atividade foi marcada para dezembro. 

O custo da participação na trilha é de R$ 30, por pessoa. Os recursos serão revertidos para a instalação de um parque ecológico. Eles também pretendem construir um portal de acesso à aldeia para comercializar artesanatos. 

Atualmente, 290 pessoas vivem na tribo. Na maioria crianças e mulheres. O grupo vive da comercialização das peças de artesanato, trabalho na escola indígena e também no posto de saúde.

Os índios trabalham no reflorestamento da área e também na preservação do meio ambiente. No local, é possível avistar árvores nativas, tatu, cachorro do mato e até onça. “Nós estamos recuperando. Já conseguimos replantar bracatinga”, finalizou Mawe. As crianças participam ativamente do processo de preservação ambiental da aldeia do Morro dos Cavalos.

Demarcação das terras foi contestada na Justiça

A Portaria Declaratória da Terra Indígena Morro dos Cavalos, publicada definindo 1.988 hectares aos indígenas, é questionada na Justiça. O governo do Estado, no entanto, tenta anular os efeitos do decreto. Desde 2014, o imbróglio se encontra no Supremo Tribunal Federal, aguardando por uma decisão definitiva. 

A Funai (Fundação Nacional do Índio) já iniciou o pagamento das benfeitorias das 74 famílias que ainda vivem sobre a área. Os valores estão sendo contestados pelos moradores, que alegam ser os verdadeiros proprietários das terras. O governo do Estado questiona o chamado “marco temporal” da ocupação indígena. 

Segundo este argumento, o povo guarani só teria direito terra com ela sob sua posse no dia 5 de outubro de 1988. Os indígenas contestam essa versão. Eles alegam que na época da construção da rodovia BR-101, em 1960, já havia reclamações sobre a posse das terras.

A disputa judicial e a desinformação causaram atrito entre indígenas e moradores em 2017. Na época, incentivados por lideranças, moradores realizaram um protesto. Áudios divulgados em um aplicativo de mensagens diziam que a demarcação era ilegal e convocavam as pessoas a protestarem em defesa da comunidade.

Em novembro do ano passado, a aldeia foi alvo de um atentado. Vários tiros foram disparados. Ninguém foi ferido. O clima de tensão voltou na semana passada. No dia 8, a casa da cacique da aldeia foi invadida. No dia seguinte, um cachorro que cuidava do local foi morto a pauladas.

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