Publicidade
Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 18º C

Incêndio em Florianópolis que deixou Ilha no escuro durante 55 horas completa dez anos

Blecaute apressa reforço no sistema elétrico, nova tecnologia nos serviços de manutenção e maior integração entre bombeiros e eletricitários

Edson Rosa
Florianópolis

Heróis não faltaram. Mas a imagem dos soldados Marinho, Barbosa e Gatner exaustos e com os rostos cobertos de fuligem, não sai da cabeça do coronel Alexandre Corrêa Dutra, 50 anos, que na época era 1º tenente. “É o verdadeiro espírito do bombeiro. Quem está na linha de frente não quer parar enquanto há fogo”, reflete o oficial dez anos depois do apagão na parte insular de Florianópolis, entre 29 de outubro e 1º de novembro de 2003.  

Sempre pronto para ação, Corrêa guarda como troféus um pedaço da laje de concreto do teto da ponte, o capacete e a roupa especial com quatro camadas para combate a fogo em locais confinados. E usa o que aprendeu na ponte Colombo Salles para instruções aos novos bombeiros.

 

Divulgação/Eletrosul
Divulgação/Eletrosul
Ponte Hercílio Luz ficou iluminada pela metade

 

A origem do incêndio, de acordo com o dossiê que ilustra as aulas do coronel Corrêa, não deixa dúvidas. “Foi ação humana indireta”, define. Segundo o laudo oficial, ao se acionado na galeria repleta de gases concentrados, o maçarico usado pela equipe da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) na manutenção de emenda em um dos cabos de 138 kV (138 mil kilowatts) formou uma bola de fogo.

“Foi salve-se quem puder”, diz o coronel Corrêa, com base em depoimentos dos próprios eletricitários. Três deles correram para a cabeceira continental da ponte e encontraram a saída pela passarela de pedestres.

:: Onde você estava no apagão de 2003

Os outros dois correram em sentido contrário e, encurralados pela fumaça e pelo calor de 700°, usaram as próprias camisas para improvisar uma corda e sair pela abertura estreita entre o piso da galeria  para desceram agarrados em um dos pilares da ponte. Lá, foram resgatados pelo GBS (Grupamento de Busca e Salvamentos) e relataram o ocorrido.

Ao serem acionados, os primeiros bombeiros descobriram que não existia planta do interior da planta, por onde passavam os cabos da Celesc ao lado da adutora de água da Casan (Companhia de Água e Saneamento). “Não sabíamos o que tinha lá dentro. Usamos o tato, e fomos apenas até onde o calor e a fumaça nos permitiram”, relata Corrêa.

 

James Tavares/Divulgação
apagão Florianópolis blecaute 2003 bombeiros
Bombeiros resfriam e operários retiram asfalto derretido na ponte

 

Prejuizos no comércio

Prejuízos institucionais e financeiros à parte, na Celesc o apagão de 2003 não mudou apenas os conceitos de gerenciamento de crise. A empresa inaugurou a subestação blindada da Agronômica, ampliou as unidades da Trindade e do Centro, implantou linhas subterrâneas de transmissão e construiu 13 quilômetros  de alimentadores para conexão da rede já existente ao novo sistema.

As obras, segundo o presidente Cleverson Siewert, disponibilizam 30% a mais de energia para a Ilha e garantem atendimento para mais 20 anos, se mantidos os atuais níveis de crescimento de mercado. “Temos capacidade instalada para atender a demanda futura”,  garante Siewert. Para 2018, está prevista a instalação do segundo circuito por cabos submarinos, provavelmente entre Briguaçu e ponto ainda a ser definido no Norte da Ilha.

Apontado pelo coronel Alexandre Corrêa, do Corpo de Bombeiros, como o fator de “ignição” do incêndio que desencadeou no apagão de 2003, maçarico com liquinho deixou de ser equipamento de manutenção nos cabos da Celesc. A atual rede na galeria da ponte Colombo Salles é formada por cabos inteiriços, sem emendas.

A estatal também adotou a tecnologia das emendas a frio na maior parte da rede. Nos cabos com manutenção a quente, são utilizados insufladores de ar, que funcionam com o mesmo conceito do secador de cabelos, para amolecer a camada isolante e permitir a emenda. Ventiladores gigantescos retiram gases concentrados de locais confinados, e, no caso específico da ponte Colombo Salles, o local de acesso está cercado e é monitorado por sistema de câmeras da própria Celesc.

 

Débora Klempous/ND
Apagão bombeiro Alexadre Corrêa Dutra Florianópolis
Corrêa usa o caso nas aulas sobre fogo em locais confinados

 

Gambiarra dá certo

Uma gambiarra gigantesca projetada às pressas sobre a ponte interditada, em “papel de pão”, como define hoje o engenheiro Airton Silveira, 50, assistente executivo da diretoria de engenharia da Eletrosul, reacendeu o sistema elétrico da Ilha depois de 55 horas de apagão. A linha de frente contou com a elite dos eletricitários do Sul do Brasil, que, pendurados na parte externa da ponte Pedro Ivo e em postes de madeira improvisados no aterro da baía Sul, mostraram no centro urbano de Florianópolis habilidades até então desempenhas apenas em consertos de cabos e torres de alta tensão em locais ermos.

O grande desafio era a travessia sobre a baía para construir a nova rota de transmissão de energia até a Ilha. Em tempo recorde, foi instalada a linha provisória de 138 kV (138 mil kilowatts) que viabilizou a reconexão com o sistema elétrico do Continente. Foi erguida uma linha aérea de 138 mil volts, a partir da subestação de Coqueiros, na avenida Ivo Silveira, que passou pela parte externa da passarela da ponte Pedro Ivo e seguiu pelo aterro até o morro do Mocotó para abastecer as subestações insulares – Ilha/Centro, Trindade/Córrego Grande, Ilha/Sul e Ilha/Norte.

Simplória, a solução foi aprovada na madrugada de 30 de outubro por engenheiros da Celesc, da Eletrosul e do Deinfra que integravam o gabinete de crise. “Foi projetado nas coxas, mas executado com grande criatividade, improviso e precisão”, diz Silveira. Uma das dúvidas na época era o peso que a passarela da ponte Pedro Ivo poderia suportar. “Houve um impasse inicial, mas logo chegamos ao consenso”, diz Silveira.

Antes da opção pela rede na passarela da Pedro Ivo, foi discutida também a utilização da Hercílio Luz para sustentar os cabos provisórios. Depois de rápida avaliação, os engenheiros constataram a precariedade da estrutura no vão central e mudaram de ideia. “A ponte estava em reforma, e não seria seguro para as equipes de serviço”, acrescenta o presidente da Celesc Cleverson Siewert.

Crise ajuda a corrigir falha histórica

O apagão de 2003 apressou, entre outras ações antes não priorizadas, a integração da Ilha ao SIN (Sistema Interligado Nacional). Com investimentos de R$ 172 mil, finalmente saíram do papel obras incluídas no planejamento do ONS (Operador Nacional do Sistema), até então sem previsão concreta para execução. 

Entre as obras mais importantes, Airton Silveira destaca a ampliação da subestação Palhoça e a construção de outras duas – em Biguaçu e no Campeche, Sul da Ilha. Paralelamente, foram implantadas linhas de transmissão interligando essas unidades, com 132 quilômetros de extensão, sendo quatro quilômetros e meio pelo fundo do mar. “Os cabos submarinos eram uma solução de engenharia, até então, inédita no Brasil”, ressalta o engenheiro.

Eletrosul e Celesc garantem que o novo sistema de transmissão praticamente eliminou os riscos de blecaute prolongado, semelhante ao de 2003. A Ilha passou a ser abastecida pela nova linha, em 230 kV (230 mil kilowatts), e manteve os dois circuitos em 138 kV (138 mil kilowatts) já existentes, pertencentes à Celesc, e que continuam passando pela galeria da ponte Colombo Salles. No caso de falha em um deles, o suprimento pode ser mantido pela outra rede.

Os empreendimentos foram entregues em dezembro de 2008. De lá para cá, a subestação de Biguaçu  teve a capacidade de transformação ampliada em 85%, o que na prática reforça a capacidade de suprimento de energia - especialmente, para a parte insular da capital. Também melhora a confiabilidade do sistema em períodos de picos de consumo. A Eletrosul investiu R$ 35 milhões nestas readequações.

 

Divulgação/Eletrosul
cabo submarino Florianópolis
Rede básica de 130 kW atravessa o mar para ligar Ilha ao sistema nacional

 

Exército de eletricitários trabalha dia e noite

Dos 500 profissionais envolvidos no mutirão de emergência, 150 eram da Eletrosul, deslocados da sede, na Capital, e da unidade de São José, na Grande Florianópolis, e cidades mais distantes como Capivari de Baixo, Joinville e até de Curitiba/PR. A Celesc também teve ajuda de eletricitários da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) e equipes terceirizadas na operação de guerra para religar a rede.

Na Eletrosul quem participou das 55 horas de jornada será homenageado de forma singela. Acervo fotográfico mostrando detalhes da operação será exposto na sede da empresa, no Pantanal, a partir desta segunda-feira (28). Na quinta feira (31), em nome da cidade a diretoria executiva da empresa mais uma vez agradecerá ao empenho de cada um deles no religamento do sistema elétrico da Ilha.

Peixarias fretam caminhões e câmeras frias

Na ala Sul do Mercado Público, onde se concentra o comércio de pescados, a tarde de quarta-feira foi tirada de letra pelo pessoal das dez peixarias. Todas tinham gelo suficiente para manter a temperatura baixa nos balcões frigoríficos e oferecer produtos de qualidade à clientela, e ninguém ainda imaginava o tamanho do estrago nos cabos da Celesc.

A correria começou no segundo dia. Coordenados por Marcelo Jacques, na época com 33 anos, os peixeiros da cidade fizeram parceria informal com a empresa Pescados Palhoça, da cidade vizinha, e criaram uma espécie de força-tarefa para providenciar transportar e depósito do estoque coletivo. Nada se perdeu.

“Fizemos um mutirão, botamos tudo dentro de três caminhões frigoríficos e levamos para a câmara fria, em Palhoça”, lembra o atual administrador da rede de peixarias do Chico, a mais tradicional do mercado. O prejuízo ficou mesmo por conta dos três dias sem vendas e a correria maior, segundo a caixa Andreza Pereira, 35, foi retirar e reinstalar os balcões cheios de pescados para facilitar a operação.

Dez anos depois, Marcelo Jacques mantém o bom humor ao se lembrar dos perrengues que passou ao lado dos colegas de mercado, mas estranha que a linha de transmissão da Celesc para abastecer a Ilha continue passando pela mesma galeria da ponte Colombo Salles. “Os cabos ainda estão lá. Se os andarilhos que se escondem na passarela para fumar crack causarem um incêndio, por exemplo, ninguém garante a segurança do sistema elétrico”, alerta.

Ainda no Mercado, houve quem manteve a rotina e aumentou o faturamento graças ao apagão. Foi o caso do comerciante Charlon Ferreira, 56, dono do também tradicional bar do Goiano. Sem concorrência, ele manteve cozinha e serviço de balcão funcionando o apagão, com atendimento diário a luz de velas até as 19h. “Não faltou cerveja gelada, tampouco a comida de boa qualidade”, conta.

Adiada, festa de aniversário sai no improviso

O estudante Gabriel Ramos dos Santos, 14, não sabia que o apagão de 2003 por pouco não estragou a festinha de quatro anos. Prevista inicialmente para a noite de quarta-feira, 29, o jantar especial em família foi adiado para o dia seguinte, depois para sexta e, como a cidade ainda estava às escuras, remarcado para o fim da tarde de sábado.

A previsão dos engenheiros responsáveis pelo conserto dos cabos incendiados era de restabelecimento gradativo da energia no fim de semana, de acordo com o noticiário que o pai, Mário Marcelo dos Santos, 48, ouvia no radinho de pilhas. Na sexta-feira, depois de 45h47 de blecaute, o sistema alternativo entra em operação.

 “Reforçamos o convite aos familiares e amigos mais próximos, fizemos o bolo e deixamos tudo organizado”, recorda-se a mãe, a cabeleireira Márcia Regina Ramos dos Santos, 45. No sábado, o vento sul soprava forte quando os convidados já degustavam os aperitivos e as crianças ansiosas esperavam  o corte do bolo para cantar os parabéns para Gabriel. Às 19h10, aconteceu o que todos temiam.

“Faltou luz mais uma vez”, emenda Márcia. E recomeçou a aflição da família. Sem saber o que estava acontecendo, tampouco quanto tempo mais ficariam no escuro, pais e avós de Gabriel se apressaram na improvisação: Adaptaram baterias e faróis de carros para dar sequência à festa.

A luz emergencial só foi desligada quando adultos e crianças ficaram à volta do bolo, enquanto o menino soprava para apagar as velinhas.  “A maior dificuldade foi ajeitar a casa depois da festa quase no escuro. Ainda bem que a parte pior ficou para a manhã de domingo, quando a situação voltava à normalidade”, ressalta Márcia.

 Quem perdeu, perdeu

O prejuízo foi grande. Houve perdas de alimentos perecíveis e já elaborados, comércio ficou três dias sem clientes, turistas que estavam na cidade debandaram e esvaziaram os hotéis. Durante o blecaute, Florianópolis sediava dois importantes eventos: A feira de comunicações Futurecom e a etapa brasileira do WCT, o Circuito mundial de surfe.

O festival de música que acompanharia as competições foi adiado, enquanto a Futerecom teve prosseguimento com geradores de energia contratados às pressas. Hotéis preparados para receber grande público tiveram prejuízo com alimentos e bebidas estocadas. A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas)  na época calculou as perdas em R$ 30 milhões.

A Agência Nacional de Energia Elétrica abriu investigação e multou a Celesc em R$ 7,9 milhões por descaso na manutenção que ocasionou o incidente. Ações dos Ministérios Públicos Estadual e Federal também multaram a estatal, obrigada a pagar R$ 10 milhões aos consumidores lesados.

A empresa, no entanto, alega que ainda não foi notificada da recente decisão do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre. Segundo assessoria da presidência, o setor jurídico requereu cópia do acórdão, de 70 páginas, para preparar o recurso de defesa.

Pequenos comerciantes como Ari Santos, 65, que há 40 anos mantém açougue e mercearia na rua Laura Linhares, na Trindade, tiveram dificuldades para recuperar as perdas. Só no balcão de sorvetes ele perdeu R$ 800, conta que chegou a R$ 5 mil no açougue, sem contar os dias sem clientela. “Perdemos, principalmente, frangos. E até hoje, não houve ressarcimento”, confirma.

Vizinha de Santos, Marli Costa também perdeu no estoque da loja de conveniências e manteve fechado o Posto da Vovó durante 48 horas de apagão. “Chegamos a comprar gerador. Mas, como não tinha mais disponível na cidade, esperamos dois dias até o equipamento chegar de Curitiba”, diz.

Cronologia

29/10/2013 – quarta

Primeiro Dia

 * 13h: Cinco eletricitários da Regional da Celesc na Grande Florianópolis começam reparos de rotina em um dos cabos de 138 kv que passam pela galeria da ponte Colombo Salles. Como sempre fizeram, usavam maçarico ligado a liquinho de dois quilos de gás de cozinha, P-2.

* 13h16: A concentração de gases no ambiente confinado forma labareda sobre os trabalhadores,que, assustados, deixam o maçarico de lado e fogem. Três saem pela abertura da cabeceira continental. Encurralados pelo fogo, os outros dois descem por um dos pilares da ponte.

* 13h28: Soldado de plantão no GBS (Grupamento de Busca e Salvamento) percebe fumaça em pequena abertura lateral na estrutura da ponte Colombo Salles, percebe os dois sobreviventes sobre o pilar. Faz a checagem de bote e aciona a emergência do Corpo de Bombeiros.

* 13h38: Primeiras equipes do Corpo de Bombeiros chegam, mas não conhecem acesso e não têm planta para entrar na galeria em chamas. Morador vizinho, que trabalhou na construção da ponte, explica como subir pela cabeceira continental. Bombeiros estouram o cadeado e entram.

* O calor de 700º impede o acesso só aos primeiros módulos de concreto que formam a galeria. Alimentado pelo óleo isolante dos cabos da rede elétrica, o fogo se alastrou por 80 metros da laje superior, cabos de alta tensão e madeira. O calor danificou também o asfalto da ponte.

* Serviços públicos, escolas e comércio foram desativados. Começa a faltar porque as bombas elétricas que abastecem a rede da Casan no interior da Ilha ficaram desligadas. Hospitais funcionaram com geradores. Operadoras de telefonia também tiveram cabos danificados.

*Com semáforos desligados, acidentes de trânsito e congestionamentos se sucederam. No túnel Antonieta de Barros, no Saco dos Limões, pessoas passaram mal porque o sistema de circulação de ar não deu vazão ao gás carbônico dos carros. O túnel também foi interditado.

*Com duas faixas da Colombo Salles fechadas, duas da Pedro Ivo foram liberadas no sentido inverso, para a saída da Ilha. À noite, a imagem mais famosa do apagão surgiu pela primeira vez: a ponte Hercílio Luz, patrimônio da cidade, iluminada pela metade, somente no lado continental.

 *No fim da tarde, começa a instalação de cabos provisórios aéreos entre os guard-rails da ponte Colombo Salles. Foram pendurados desde a subestação de Coqueiros, no Continente, para restabelecer a energia no Centro e interior da Ilha, por técnicos da Eletrosul, da Celesc e da Copel.

30/10/2003 – quinta

Segundo dia

* Prefeitura, governo do Estado e Assembleia Legislativa decretam ponto facultativo em Florianópolis. O objetivo era evitar as filas no trânsito e circulação de pessoas na cidade sem luz. Foi decretado estado de emergência para evitar a burocracia e acelerar a reconstrução.

*Exército fica de prontidão nos quartéis do 63º Batalhão de Infantaria, no Estreito, e na 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, na Ilha. Marinha mantém alerta para evitar acidentes com barcos nos cabos provisórios sob a ponte.

*Polícia Militar e Civil mantém prontidão nos quartéis, nas delegacias e na rua. Mas, ao contrário do que esperava a cúpula da Secretaria de Segurança Pública na época, a criminalidade diminuiu. A falta de água, no entanto, passou a afetar cada vez mais bairros da área insular.

*10h03: Incêndio na galeria da ponte Colombo Salles, onde passam os cabos de média e alta tensão, depois do trabalho exaustivo do Corpo de Bombeiros, entra em processo de autoextinção por falta de materiais de combustão. No fim da tarde o cabeamento é concluído.

 

31/10/2003 – sexta

Terceiro dia 

*11h07: Sistema emergencial volta a funcionar depois de 45h47 às escuras. O Centro foi a primeira região a receber energia, enquanto bairros mais distantes só tiveram luz no fim da tarde, às 18h. A água, no entanto, ainda demorou algumas horas para voltar às torneiras.

* Comércio e moradores retomam, aos poucos, o ritmo rotineiro. Bares reabrem as portas e a volta da energia é comemorada por parte da população. Comerciantes contabilizavam perdas, principalmente equipamentos danificados e alimentos deteriorados pela falta de refrigeração.

1/11/2003 – sábado

Quarto dia

*19h10: Vento sul sopra forte, com mais de 100 km/h, balança os cabos provisórios. Um deles bate na estrutura da ponte, se rompe e novo apagão atinge a Ilha. Desta vez, a solução foi a colocação de contrapesos para evitar balanço e outro rompimento da rede provisória.

* 23h: Técnicos da Celesc e da Eletrosul concluem a colocação de contrapesos nos cabos, e o sistema elétrico da Ilha é religado. Na contagem, o tempo total sem luz foi de 55 horas. Paralelamente, bombeiros seguem nos trabalhos de rescaldo do incêndio na galeria.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade