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Sábado, 19 de Janeiro de 2019
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Inaugurado em 1978, Ceisa Center é um ícone do comércio na Capital

São 19.800 metros quadrados de área construída, 360 unidades e 177 boxes de garagem, além de 33 lojas no térreo

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Ceisa Center Florianópolis prédio edifício
Edifício ganhou forma de S porque não foi possível comprar terreno da frente

 

O comércio de Florianópolis estava concentrado na rua Felipe Schmidt e tinha alguma expressão no outro lado da praça 15 de Novembro, nas ruas Tiradentes e João Pinto, quando a construtora Ceisa decidiu, em meados dos anos 70, erguer um grande centro de negócios na cidade. A primeira tentativa foi ocupar a área onde funcionava a Dipronal, revendedora da Ford, no local onde hoje se encontra a loja das Americanas. A negociação não evoluiu, e a opção foi pela avenida Osmar Cunha – a duas longas quadras da principal artéria comercial da Capital. A região era exclusivamente residencial, e a ideia do empreendimento ali foi recebida com acentuado ceticismo. A inauguração, com show performático da banda Dzi Croquettes, chocou os mais comportados.

“Demorou seis anos para o Ceisa Center ser aceito pela cidade”, afirma Alfred Heilmann, síndico do prédio e presidente do Sindiconde (Sindicato dos Condomínios de Edifícios da Grande Florianópolis). O maior prédio comercial de Santa Catarina, com sua construção em forma de S, passou a ser ocupado principalmente por profissionais da área da saúde, que pagavam preços módicos por uma sala de 40 a 50 metros quadrados, como convinha a um empreendimento fora do eixo de varejo da Capital. A entrega do complexo, em 1978, ofereceu aos investidores a oportunidade de adquirir uma unidade como aposta que se revelaria vantajosa menos de uma década depois.

O tempo provou que eles estavam certos, porque a cidade cresceu para aquele lado, puxada também pela expansão que ocorreu na avenida Beira-mar Norte, que deu outra configuração à avenida Othon Gama D’Eça e, por tabela, para a Osmar Cunha. “O Ceisa Center é referência porque está num ponto nobre, é uma das poucas galerias abertas da cidade (a outra é o ARS, entre a Conselheiro Mafra e a Felipe Schmidt) e tem um dos metros quadrados mais disputados da Capital”, diz Edison Valente Júnior, diretor comercial da Andrea Cardoso Assessoria Imobiliária, que há 20 anos vende e aluga imóveis no centro comercial.

Números, lucros e procura em alta

Quem acompanhou o início turbulento se impressiona com os números do Ceisa. São 19.800 metros quadrados de área construída, 360 unidades e 177 boxes de garagem, além de 33 lojas no térreo onde se destacam agências de viagem (há pelo menos cinco delas), óticas, farmácias, cafés e lojas de roupas, perfumes e calçados. Diariamente, de segunda a sexta-feira, passam pelos elevadores dos três blocos em torno de 10 mil pessoas. O centro comercial abriga cerca de 1.300 funcionários, e só para atender o condomínio são 47 empregados. A agências dos Correios instalada na entrada da rua Leoberto Leal recebe 250 quilos de correspondências por dia. No bloco C há 20 salas de maior porte (duas por andar), com 180 metros quadrados cada uma.

Hoje, mesmo que tivesse R$ 1 milhão para gastar, qualquer investidor teria dificuldades para adquirir uma sala no térreo do Ceisa, porque a procura supera em muito a oferta. “Há 20 anos, esse mesmo imóvel custava menos de R$ 150 mil”, diz Edison Valente Júnior. A demanda é grande, porque os aluguéis rendem até 0,7% sobre o investimento, o que significa em torno de R$ 6 mil mensais por loja – acima, portanto, da maioria das aplicações financeiras disponíveis no país. O banco Daycoval, que trabalha com pequenas e médias empresas, é a única novidade em vista, e vem realizando obras para inaugurar a loja dentro de poucas semanas. As melhorias feitas nos últimos anos valorizaram ainda mais cada pedaço do prédio.

Débora Klempous/ND
Ceisa Center Florianópolis
Prédio do Ceisa chama a atenção não só pela localização, mas também pela grandiosidade

 

Na fila pelas garagens

Com preços atrativos e facilidades de financiamento, teve gente que comprou um andar inteiro no Ceisa, nos anos 80 e 90, para revender depois ou alugar. Até hoje, o perfil do público é de classe média alta, sem ser elitizado como alguns shopping centers. “O Ceisa transformou o comércio no centro da cidade”, reforça Alfred Heilmann, que atua como síndico desde 1982. Um dado que atesta a importância do prédio é o preço de cada garagem – cerca de R$ 100 mil. “Há filas para comprar, mas nenhuma está à venda no momento”, garante Heilmann.

Desenho sinuoso, proposta ousada

A construção do Ceisa Center em linha sinuosa nada tem a ver com a concepção arquitetônica do prédio da Copan, em São Paulo, projetado por Oscar Niemeyer. Os engenheiros locais viram-se na contingência de seguir esse padrão porque a intenção era ter frente também para a rua Vidal Ramos, e não houve jeito de convencer o proprietário do terreno pretendido a fechar o negócio. Newton Ramos, dono da construtora Ceisa, teve a coragem de apostar numa região sem atividades comerciais e usar curvas que ainda não estavam na cabeça da maioria dos arquitetos. “Era muita grandiosidade para a época”, lembra o síndico Alfred Heilmann.

A diferenciais como o pé direito alto e a ampla largura dos corredores o corretor Edison Valente Júnior, da Andrea Cardoso Assessoria Imobiliária, acrescenta como fator que ajudou a fortalecer o nome do Ceisa a vinda de muitos investidores e profissionais do interior e de outros Estados para Florianópolis. “Grandes redes se instalaram aqui, apostando no centro da cidade em vista da escassez de terrenos para a expansão das construções na Ilha”, diz ele. É por isso, também, que a maioria das salas comerciais oferecidas hoje tem no máximo 25 metros quadrados. “Corredores largos como o do Ceisa são considerados desperdício de espaço”, complementa.

A venda do ponto, um antigo hábito nos negócios de transferências comerciais na Capital, já chegou ao Ceisa, justamente por causa da disputa por espaços privilegiados como aquele. Luvas de até R$ 120 mil são exigidas para quem se candidata a entrar no imóvel. O boom das locações de lojas de chão como as do centro comercial faz com que alguns investidores já estejam embolsando até R$ 400 mil mensais só em aluguéis na cidade. Isso gerou um fato novo: muitos comerciantes se tornaram construtores, embalados pelo dinheiro que vem de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e de outros Estados brasileiros.

 

Débora Klempous/ND
Ceisa Center - Alfred Heilmann
Síndico desde 1982, Alfred Heilmann fez muitas melhorias em anos recentes

 

Adequações na estrutura e segurança

Embora esteja na função há duas décadas, foi nos últimos anos que o síndico Alfred Heilmann conseguiu apoio suficiente dos condôminos para realizar os investimentos necessários no prédio do Ceisa Center. Criou um projeto de modernização, modificou os elevadores e em 2011 concluiu as melhorias na parte interna do centro comercial. Aplicou os recursos que pode na pintura e na colocação de porcelanato, aperfeiçoou o sistema de segurança, instalou corrimões nas escadarias e portas corta-fogo. “Instalamos a mais moderna rede elétrica de Santa Catarina”, afirma ele.

Hoje, tudo é absolutamente controlado, do abastecimento de água ao fornecimento de energia. Com o apoio de técnicos da Petrobras, uma vistoria e correções estruturais foram feitas após aparecer um cheiro de gasolina no compartimento inferior de garagens.

Também foi instalada uma central de informações no térreo, e a locação de espaços embaixo das escadarias permitiu a oferta de serviços como cópias de chaves e reproduções xerográficas. Sanitários masculinos, femininos e para paraplégicos atendem a cerca de 100 pessoas por dia. O lixo vai direto para contêineres, e o lixo hospitalar é separado num ambiente específico. Entre abril a maio deste ano está prevista a recuperação da fachada externa do prédio.

 

Débora Klempous/ND
Altair Acorde Ceisa Center
Altair Acorde, dentista, chegou em 1986 ao Ceisa e convenceu vários amigos a fazerem o mesmo

 

Um investidor de primeira hora

O dentista Altair Acorde atuava desde 1963 em Araranguá, no Sul do Estado, e viu no Ceisa Center uma boa oportunidade de investir na Capital, pensando também em se transferir para a Ilha no futuro. Em 1986, mudou-se definitivamente para Florianópolis, e convenceu amigos e conhecidos a fazerem o mesmo, num tempo em que muitos profissionais liberais da área da saúde – médicos, dentistas, psicólogos, podólogos – passaram a atender ali.

A localização e a facilidade de estacionamento fazem a diferença, mas para Acorde pesou também a possibilidade de conviver com outros profissionais da área em que atua. Hoje, só ele emprega mais cinco pessoas no consultório localizado no bloco B. E destaca os cuidados que o prédio vem merecendo: “Nosso síndico se preparou para a função e tem grande conhecimento sobre condomínios”, diz.

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