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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Imagem sacra de São Miguel Arcanjo deve voltar em janeiro para o Estado

A imagem ainda está no Rio de Janeiro, mas deve voltar no mês que vem a Santa Catarina

Daisy Schio
Biguaçu

 

Fernando Mendes/ND
Valério Carioni, administrador do Museu Etnográfico do Estado, não descarta ação de quadrilha especializada em roubo de imagens sacras

 

A recuperação da imagem sacra de São Miguel Arcanjo furtada há 32 anos contou com a participação da FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional). O santo foi encontrado em um antiquário no Rio de Janeiro, na última sexta-feira e está na Polícia Federal até que se concluam os trâmites para sua liberação.

O administrador do Museu Etnográfico de Santa Catarina, Valério Carioni, acredita que existem fortes indícios de que sumiço de São Miguel Arcanjo esteja relacionado ao comércio ilegal de arte sacra. Segundo ele, esse comércio era maior nas décadas de 1970 e 1980. “Quem mais se interessa por esta arte são pessoas de grande poder aquisitivo, eles são o topo da pirâmide. Pessoas riquíssimas”, garante. O perfil do criminoso que furta arte sacra “não é pé de chinelo”, segundo Carioni. “São pessoas cultas, inteligentes, muito poderosas e que geralmente pertencem a famílias poderosas”, relata.

Ele diz que além da sorte contou com seus contatos espalhados pelo País. A ajuda de um amigo artista do Rio de Janeiro, que teria visto a imagem num leilão, onde não foi arrematada, foi determinante. Fez uma foto da imagem e enviou para Carioni. Depois foi acionar a Polícia Federal que recuperou São Miguel Arcanjo.

No leilão, a imagem tinha o preço inicial de R$ 35 mil, mas o valor final poderia chegar facilmente a R$ 200 mil. “A imagem sacra está tão desvalorizada que começaram com um lance inicial muito inferior do que deveria ser”, avalia o técnico da FCC.

Segurança e restauração da Igreja de São Miguel

Ainda não existe um destino certo para a imagem de São Miguel de Arcanjo, mas a hipótese é fazer uma réplica do santo para colocar na Igreja de São Miguel. O motivo de trocar a original por réplica seria a falta de segurança. “Eu quero que a imagem volte para São Miguel, mas teria que ter segurança 24h por dia”, relatou Carioni.

Segundo fiéis, a igreja precisa ser restaurada. "Tem cupim, goteira, vidros quebrados e pintura descascando, chove e escorre em tudo", reclamou a dona de casa, Diva Siqueira. A Igreja de São Miguel foi tombada pelo Iphan e, a princípio a responsabilidade pela restauração é da igreja católica. “Se a igreja comprovar que não tem verba para a restauração, e solicitarem a reforma o Iphan faz, mas a responsabilidade de reformas e manutenção de prédios tombados é do proprietário do imóvel. O Estado só se responsabiliza em manter as características e protege para não ser demolido”, contou a chefe da divisão técnica do Iphan, Cristiane Biazin.

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