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“Humilhada, mas não envergonhada”, desabafa professora agredida por aluno em Indaial

A educadora foi atingida por tapas e socos por adolescente de 15 anos; assista vídeo com seu depoimento

Viviane de Gênova
Florianópolis
23/08/2017 às 07H39

Ainda atônita e com fortes dores em seu olho e face, a professora Marcia de Lourdes Friggi, de 51 anos, que foi agredida por um aluno de 15 anos em Indaial, afirmou nesta terça-feira (22) que se recupera física e emocionalmente do fato.

“Estou me sentindo péssima, não dormi mesmo tomando alguns remédios, há pus por dentro do olho e está bastante inchado”, contou.  A educadora ficou ferida após ser atingida por tapas e socos de um estudante após encaminhá-lo até a sala da direção da Ceja (Centro de Educação de Jovens e Adultos), onde ministrava aulas de Língua Portuguesa nesta segunda-feira (21). A ocorrência foi registrada na delegacia de Polícia Civil, que instaurou um auto de apuração de ato infracional contra o adolescente. 

A professora Marcia Friggi ficou ferida após a agressão de um aluno de 15 anos - Reprodução/Facebook/ND
A professora Marcia Friggi ficou ferida após a agressão de um aluno de 15 anos - Reprodução/Facebook/ND



“Foi a primeira vez que aconteceu agressão física comigo, mas sabemos que não fui a primeira. Há muitos outros casos, inclusive ouvi de um recentemente em Santa Catarina”, afirmou a professora, que atua há 12 anos no magistério.

Era também o primeiro dia dela naquela turma de 22 alunos, número considerado alto para a modalidade de ensino. Ela conta que não chegou a desmaiar durante a agressão, mas que com o último golpe, que a jogou contra a parede, ela ficou zonza pelo impacto e pela forte dor que sentiu na cabeça e no olho, não reparando a atitude do jovem após a agressão.

Depois da agressão, a professora foi até a direção da escola, onde recebeu apoio. Alguns colegas, inclusive, a acompanharam até a delegacia para prestar a queixa.  “Estou me sentindo humilhada, mas não envergonhada. Envergonhada estaria se eu tivesse feito a agressão. Saí de lá, fiz o que tinha que ser feito. Não podemos simplesmente nos omitir e fingir que nada aconteceu. Prestei a queixa, fiz exame de corpo de delito”, relatou.

“Que este olho roxo sirva para alguma coisa, para levantar a bandeira do resgate ao respeito e à valorização do professor”, sublinhou a professora, que ainda não sabe se voltará a lecionar para esta turma. Ela não conhecia o aluno responsável pela agressão.

Confira depoimento da professora em entrevista ao Hoje em Dia

Reações nas redes sociais

A professora chegou a compartilhar o caso nas redes sociais, onde conta que solicitou para que o rapaz colocasse o livro sobre a mesa e o mesmo não concordou, respondendo com um xingamento. Foi quando ela pediu para que ele se retirasse da sala, e ele arremessou um livro na cabeça da professora.

“Não me feriu, mas poderia. Na direção eu contei o que tinha acontecido. Ele retrucou que menti e eu tentei dizer: Como, menti? A sala toda viu... Não deu tempo para mais nada. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, afirma no relato na rede social.

Até a manhã desta terça-feira, a postagem já havia tido reações de 585 mil pessoas e mais de 316 mil compartilhamentos.  Nesta manhã, em outra publicação, a professora mostra o olho roxo com as descrições “Brasil - hoje - é esta a face do teu magistério; Brasil - hoje - são estes os olhos da tua educação; Brasil, volte a olhar por nós, professores, não só hoje, mas sempre!”.

A educadora também agradeceu às milhares de mensagens que recebeu com demonstrações de apoio e carinho.

>> Após chamar atenção de aluno de 15 anos, professora é agredida com socos e tapas em escola

Post professora Indaial - Reprodução
Post da professora Indaial teve mais de 316 mil compartilhamentos - Reprodução/ND



Evasão escolar e conflitos familiares

O Conselho Tutelar informou à equipe de reportagem à RICTV Record que já tinha atendido o menor em outras ocasiões, por causa de evasão escolar e histórico de conflitos em família. Ele havia sido encaminhado ao Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) para ser atendido por programas municipais.

Segundo a Prefeitura de Indaial, logo após a agressão, foi solicitada a presença de um responsável do aluno na direção da escola, assim como do Conselho Tutelar. O caso foi repassado para o Juizado de Infância e Juventude de Santa Catarina e a prefeitura agora aguarda as determinações do Judiciário para decidir os procedimentos que serão tomados em relação ao aluno. Uma reunião envolvendo a Secretaria de Educação do município, juntamente com uma representação da promotoria pública deve selar o encaminhamento da situação do agressor que, até a tarde dessa terça-feira, permanecia inalterada na escola. 

Outro ponto indefinido diz respeito a situação da professora junto a escola. Atualmente ela está em casa, sob atestado médico já que, além das condições físicas, há uma preocupação e um cuidado com as condições psicológicas. Não há um prazo para a professora voltar à sala de aula e, muito menos, uma certeza se ela, de fato, voltará. 

Em nota, a Secretaria de Educação do município também informou que “repudia qualquer tipo de agressão física ou moral, independentemente da motivação”. Também esclarece que prestou apoio à profissional, levando-a para realizar o boletim de ocorrência e para receber atendimento médico no Hospital Beatriz Ramos, onde foi medicada e encaminhada para a casa.

“A Secretaria de Educação está acompanhando todos os fatos e continuará prestando o apoio necessário para a professora”, finaliza a nota. 

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