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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Hospedagem em hostel é opção para quem quer conhecer Florianópolis sem gastar muito

Repórter do Notícias do Dia passa um dia em um hostel

Marciano Diogo
Florianópolis

A experiência de viver como turista durante 24 horas. Foi esse o desafio lançado para mim nesta temporada. A missão foi entrar no Floripa Hi Hostel, na Barra da Lagoa, no Leste da Ilha para conviver com os turistas que lotavam a casa. A escolha pela hospedagem mais barata aconteceu para compreender o porquê de cada vez mais as pessoas procuram esses lugares para passar as férias.

Marciano Diogo/ND
As colombianas Carolina (à esq.) e Alejandra conhecem a América Latina

Com a mala feita e colocada no porta-malas do carro, do Centro até a Barra a viagem não foi nada fácil. Chegar até o hostel é simples, mas o trânsito estava parado. A viagem
durou duas horas, em um trajeto que normalmente é percorrido em 40 minutos.
Nunca tinha me hospedado em um hostel e, logo de cara, fui conhecer o quarto onde passaria a noite. Normalmente eles são coletivos, fato que deixa muita gente receosa. Mas o que é impedimento para alguns transforma-se em incentivo para outros. Dividi quarto com o administrador Rafael Alcântara e com o carioca Antônio Batista, 52. No cômodo com um pouco mais de sete metros quadrados, compartilhamos ideias, perspectivas e impressões sobre a Capital e outros cantos do país.  Interessante observar como outros veem a nossa Ilha e como valorizam o estilo de vida litorâneo.

Durante a noite, ficamos pouco no dormitório e, apesar da falta de ar-condicionado – pelo que conversei com viajantes, é difícil algum hostel no Brasil oferecer o equipamento no quarto – não foi difícil pegar no sono. Um potente ventilador diminuiu o calor. Também tive sorte, afinal, meus companheiros eram silenciosos.

Convivência é o desafio

Rafael, um dos meus colegas de quarto, resumiu a razão para optar pelo hostel. “Quando se viaja sozinho, é bem melhor ficar num lugar assim. O que mais gosto da experiência é a convivência. Mas tem prós e contras, uma vez que você divide o quarto com alguém e pode simpatizar com a pessoa ou não”, contou o paulistano.

A convivência é um desafio. Assim como no quarto, que graças à organização dos meus novos colegas ficou bem arrumado durante toda a minha estadia, a cozinha coletiva é um dos locais de confraternização dos hostels. Foi lá, enquanto preparava minhas refeições, que conheci a maioria dos hóspedes. Turistas que não prezam somente por Florianópolis, mas por conhecer o mundo. Existe algo extraordinário em viajantes que praticam o desapego e preferem estar pouco tempo em todos os lugares em vez de muito em somente um. 

Viajantes como o brasiliense Alexandre Jaime, 32, que conheceu diversos países, sempre ficando em hostels. “Quem procura  um lugar assim não quer uma simples hospedagem, e sim uma experiência. Hospedar-se em um albergue é estar ávido pelo intercâmbio cultural. Os hostels prezam pelo espírito de amizade, sentido de solidariedade e desejo de viajar. Ser uma dessas pessoas é poder aprofundar-se em culturas e costumes diferentes, aprendendo e respeitando as peculiaridades de cada pessoa”, afirmou o turista. 

Para Florianópolis, Alexandre trouxe a prima, Lígia Bontempo, 25, que diferentemente dele, ficou pela primeira vez hospedada em um hostel. “Tem sido uma experiência sensacional. Fiz amizade com diversas pessoas e inclusive fiz tour pela cidade com elas”, contou Lígia.

Intercâmbio cultural

O hostel possibilita uma troca de experiências maior porque a convivência com os outros turistas é maior. Seja na cozinha ou espaço de lazer, as pessoas não conhecem somente os costumes locais, mas também outras culturas. Esse intercâmbio cultural fez com que eu, assim como as amigas colombianas Carolina Suarez, 23, e Alejandra Gutierrez, 24, tomássemos a decisão de dar preferência pelos hostels quando estivermos em outras cidades.

Foi no quintal do hostel que conheci as amigas do país vizinho, que já viajaram para diversos países da América Latina como o Peru, Equador, Argentina e Brasil, e mais especificamente Florianópolis, onde escolheram passar o começo do ano. Em um inglês um tanto improvisado, Alejandra e Carolina me explicaram o porquê de elas sempre procurarem ficar instaladas em albergues. “A experiência conta muito mais que o material. E só vivendo que você trabalha o desapego. Aliás, o desapego em geral, inclusive das pessoas: quando se hospeda em hostels, convive intensamente com outros turistas e você fica muito próximo deles. Mas depois, eles vão embora no dia seguinte”, observou Carolina.

Espaço para todas as idades

Com quarto, banheiro e cozinha coletiva, muitos têm receio de se hospedar em hostels devido ao compartilhamento dos cômodos.  Porém, engana-se quem pensa que não tem mais idade para ficar num lugar assim. O público em geral costuma ser jovem, mas isso não impede que pessoas com mais idade, como o turista alemão Frank Uerdingen, 48, possam se hospedar nessas instalações. É possível até mesmo levar crianças em alguns hostels, afinal, existem estabelecimentos para diferentes perfis e é só procurar um que se encaixe às suas necessidades.

Na recepção do Floripa HI Hostel a família Ferreira, que veio de Osasco, em São Paulo, fez check-in para passar férias em Florianópolis. A opção pela hospedagem econômica aconteceu pela primeira vez. “Como fechamos a viagem em cima da hora, a maioria dos hotéis estavam cheios. E não nos arrependemos, a acomodação na próxima viagem em família, já sabemos, será em hostel. O preço é bem diferente e o serviço é  semelhante aos oferecidos em hotéis”, pontuou Ronaldo Augusto Ferreira, 53, acompanhado da mulher, Rosemere, 47, e dos dois filhos, Lucas e Virgína, de 19 e 16 anos, respectivamente.

Assim como a família, que demonstra que existem hostels para diferentes perfis, o carioca Antônio Batista, 52, com quem compartilhei o quarto, ficou em Florianópolis pela segunda vez em um hostel, e garante que haverá uma terceira. “A recepção e interação é muito bacana. Para mim, não tem idade”, conta o turista.  

Confraternização e novas amizades

É certo que a confraternização entre os alberguistas é maior do que aquela vivenciada por hóspedes de hotéis. No cair da noite, colegas e conhecidos costumam se encontrar na área de lazer, que normalmente oferece algum espaço para entretenimento, como jogos de tabuleiro, mesa de sinuca e televisão.

Foi onde conheci o gaúcho Jairo Garcez, 25, e o carioca Rafael Dias, 29, com quem comecei nova amizade. “Perdi na sinuca, mas ganhei o amigo”, brincou Jairo, estudante de engenharia civil. O biólogo Rafael, aliás, virou amigo também do administrador Renne Venceslau, 32, com quem compartilhou o quarto no hostel em Florianópolis. “Ficar num lugar assim não é apenas ter onde dormir, é acima de tudo compartilhar experiências fundamentais para conhecer melhor a cidade e o país onde você está”, argumentou Rafael.

Com o acompanhamento da cerveja gelada e merecida durante as férias, eu e os amigos Lucas Gustavo de Souza, 24, e Luiz Ricardo Aparecido Fernandez, 26, que vieram de Araraquara, interior de São Paulo, conversamos com outros hóspedes sobre as praias e belas mulheres da Ilha. “A cidade é linda demais, com gente bonita. Acho que não voltaremos para São Paulo”, brincou Lucas. “Ficamos um pouco com pé atrás em ficar em um hostel, mas perdemos o preconceito. Tem sido muito legal poder conhecer a cidade também através de outros olhares de fora”, completou Lucas.

Serviço personalizado durante alta temporada

A movimentação é grande nos hostels da Capital durante a temporada. No dia em que fiquei no Floripa HI Hostel na Barra da Lagoa, era difícil a recepção ficar vazia. Eram turistas entrando e saindo, solicitando informações, orientações e trocando experiências.

Assim como o HI Floripa, a maioria dos hostels oferece um serviço de indicação mais informal, porém muito prestativo. “Temos consignado com algumas casas noturnas e fazemos a ponte para venda de ingressos de festas. Por meio de parceiros também oferecemos uma variedade de passeios diurnos pela Ilha, para que os viajantes conheçam o melhor que a cidade tem a oferecer”, relata Eduardo Costa, 36, gerente do hostel.

A federação HI Hostel (Hostelling Internacional) tem mais de 5.000 hostels associados em torno do mundo e é a maior rede de hospedagem do planeta. Em Florianópolis são três deles, um localizado na Barra da Lagoa, outro em Canasvieiras e o terceiro no Centro da Cidade. “Mas a Capital conta com pelo menos 40 que oferecem esse tipo de serviço. O interessante, porém, é checar a credibilidade do local, como os associados à HI”, afirma Eduardo, que também é turismólogo. O HI Hostel, por exemplo, é considerado um dos melhores do país em uma pesquisa feita no último ano pela federação HI Hostel em 125 estabelecimentos associados no país. A unidade florianopolitana ficou em terceiro lugar no ranking como melhor hospedagem. A diária para se hospedar durante a temporada varia entre R$ 50 e R$ 60.

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