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Assassino confesso de índio de dois anos é condenado a 19 anos de prisão, em Imbituba

Crime ocorreu em 2015, próximo à rodoviária do município, quando o menino estava no colo da mãe e foi degolado

Colombo de Souza
Florianópolis
14/03/2017 às 20H08

Depois de mais de nove horas de julgamento, a juíza Tayanga Goessel anunciou no auditório da Câmara de Vereadores de Imbituba a sentença condenatória de 19 anos e cinco meses para Matheus de Ávila Silveira, 24 anos, pelo assassinato do indiozinho kaingang Vitor Pinto, de apenas dois anos. O advogado de defesa, Guilherme Silva de Araújo, vai recorrer da decisão.

O crime ocorreu no dia 30 de dezembro de 2015 no entorno da rodoviária de Imbituba, quando a criança era amamentada pela mãe. Matheus se aproximou e passou a mão na cabeça do menino como se quisesse fazer carinho. De repente degolou o indiozinho com um golpe de navalha e fugiu. Os pais da criança, Sônia da Silva e Arcelino Pinto, compareceram à sessão do auditório.

Pais do menino indígena, Arcelino e Sônia Pinto, acompanham o julgamento nesta terça - Renam Meinen/RICTV Record/ND
Pais do menino indígena, Sônia da Silva e Arcelino Pinto, acompanham o julgamento nesta terça - Renam Meinen/RICTV Record/ND


O primeiro a falar foi o delegado Raphael Giordani, como testemunha de acusação. Após o crime, Ávila alegou que uma entidade espiritual o teria mandado sacrificar uma criança. “Isso abriria os caminhos e lhe traria notoriedade, inclusive, no campo profissional”, contou o delegado, com base no depoimento do acusado. 

Após ser preso, o autor passou alguns dias na Unidade Prisional Avançada de Imbituba, e depois foi transferido para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico em Florianópolis, onde permanece internado.

O advogado de Ávila, Guilherme Silva Araújo, tentou convencer o corpo de jurados a atenuar a pena de seu cliente, alegando que ele sofre de transtorno de personalidade. O guia espiritual que atendeu o acusado negou ter orientado a sacrificar uma criança.

Vitor Pinto era de uma família de índios kaingangues e vivia em uma aldeia Condá de Chapecó. Ele acompanhava o pai e a mãe em viagens ao litoral para vender artesanato. 

No momento do crime, o menino se alimentava sob uma árvore ao lado da mãe. “O rapaz se abaixou e fez um carinho no rosto do menino. Disse que era uma criança linda. Depois passou a navalha no pescoço e correu”, contou a mãe na época. 

Após o julgamento, o acusado retornou para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em Florianópolis, onde está internado. A juíza encaminhou ofício ao hospital questionando se Matheus tem condições de cumprir pena em presídio comum ou se vai permanecer na casa de saúde para tratamento.

Com informações do repórter Renam Meinen, da RICTV Criciúma

O réu Matheus de Ávila Silveira (de camisa clara) é submetido a júri popular nesta terça-feira - Renam Meinen/RICTV Record/ND
O réu Matheus de Ávila Silveira (de camisa clara) é submetido a júri popular nesta terça-feira - Renam Meinen/RICTV Record/ND



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