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Hernani Hulk se prepara para seu 32º Carnaval como rei momo em Florianópolis

Recuperando-se de um câncer, ele não quer deixar de desfilar nas festas de momo

Felipe Alves
Florianópolis
08/12/2017 às 17H55

Em um quarto dentro de casa que poucos têm acesso, Hernani Luis Barbosa, mais conhecido como Hernani Hulk, guarda todas as roupas e coroas de seus 31 anos como rei momo de Florianópolis. A história do próprio Carnaval da cidade se mistura nas mais de três décadas de Hulk à frente do cargo. Recuperando-se de um câncer, ele afirma que não vai parar e quer que o Carnaval de 2018 seja um incentivo ainda maior para a sua recuperação. “Será minha maior felicidade poder participar deste Carnaval. Até hoje eu desfilo com muito amor e muita paixão. Eu não vivo um ano sem estar no Carnaval”, diz o sorridente rei momo, aos 63 anos.

O Rei Momo guarda as 31 coroas como soberano. Ele se prepara para cumprir a agenda movimentada do Carnaval   - Marco Santiago/ND
O Rei Momo guarda as 31 coroas como soberano. Ele se prepara para cumprir a agenda movimentada do Carnaval - Marco Santiago/ND



Nascido em Blumenau, Hernani só começou a tomar gosto pelo Carnaval quando veio morar em Florianópolis com a família. Foi em meio às festividades que lotavam a praça 15 de Novembro que ele se encantou pelo Carnaval e não parou desde então. Ainda adolescente, Hulk começou a participar com os amigos dos blocos de sujo da cidade. Com simpatia e alegria, começou a seu conhecido no meio carnavalesco e fez amizade com o pessoal do samba em meados da década de 1970.

Dos blocos de sujos aos concursos de rei momo foi um pulo. Em 1985 ele foi eleito ao extinto título de príncipe regente ao lado do eterno rei momo Lagartixa (Hilton da Silva) e, no ano seguinte, levou o título de rei momo ao lado da rainha Patrícia Areias. Hulk recebeu incentivo até mesmo de Lagartixa, que já estava doente e parou de concorrer. “Ele disse que eu ia ser o representante dele no Carnaval dali pra frente”, relembra Hulk.

Desde então, Hernani ganhou cinco concursos como rei momo, venceu uma competição nacional no clube Paula Ramos, e virou hors concours desde os anos 2000, quando o concurso deixou de ser realizado. Encaminhando-se para seu 32º mandato, ele afirma que quer continuar até quando puder, mas quando houver um novo concurso ele dá a dica aos candidatos. “É preciso ter espírito carnavalesco, ser extrovertido, ter simpatia, comunicabilidade e samba no pé”, diz ele.

O Rei Momo na agenda da folia - Reprodução Marco Santiago/ND
O Rei Momo na agenda da folia, que inclui acompanhar beldades nas festas - Reprodução Marco Santiago/ND




Uma história ligada ao Carnaval

Hulk relembra com carinho seus 31 anos como rei momo, as fases dos desfiles das escolas de samba da Capital (que desfilaram na praça 15, depois na avenida Paulo Fontes e posteriormente na Nego Quirido), e também dos amigos que partiram e viraram bonecos do Berbigão do Boca, como o próprio Lagartixa, Aldírio Simões e Nega Tide.

Apesar de ter concorrido ao título de rei momo pela primeira vez pela Copa Lord, Hulk diz que hoje não têm preferências. “Torço pra todas, sem exceção”, afirma. Para ele, que acompanha as histórias e dificuldades do Carnaval da cidade há três décadas, o que falta na cidade são gestores para levarem as escolas de samba pra frente. “E também defendo que a passarela seja repassada à Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis) para incentivar a realização de eventos”, diz ele.

 

Na memória, Hulk guarda as festas seja no Carnaval de rua ou acompanhando a corte - Reprodução Marco Santiago /ND
Na memória, Hulk guarda as festas seja no Carnaval de rua ou acompanhando a corte - Reprodução Marco Santiago /ND



A função de rei momo exige disposição

Quando começou a ser rei momo, Hulk não imaginava que cumprir os eventos pré e durante o Carnaval dessem tanto trabalho. Sua função, como majestade, é abrir os bailes e desfiles, à frente das escolas de samba, sempre acompanhado da rainha e princesas. Hoje aposentado, por anos ele conciliou a presença em eventos carnavalescos com as férias do trabalho. Quem vê de fora não imagina a correria que a corte passa nas semanas que antecedem o Carnaval. Além dos eventos oficiais organizados pela prefeitura, em que a corte é obrigada a comparecer, há várias festas e ensaios de escolas de samba que solicitam a presença da corte.

No Carnaval deste ano, antes de descobrir a doença, Hulk diz que já apresentava sinais de cansaço, mas cumpriu toda a agenda. “Esse ano eu me senti um pouco cansado, as meninas saíam para desfilar e eu sentava para descansar um pouco. Tive uma recuperação excelente e lá no hospital eu só pensava no Carnaval”, diz ele.

Cada ano, um novo trio de rainha e princesas é escolhido para completar a corte ao lado de Hulk, que faz a função de “segurança” das meninas, de acordo com ele. “Em todos os lugares em que vamos eu sempre deixo elas entrarem primeiro para evitar qualquer problema com os homens que às vezes se passam”, afirma.

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