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Haddad é denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob acusação de corrupção

Denúncia tem como base delações de ex-executivos da UTC, do doleiro Alberto Youssef e ainda de inquérito da Polícia Federal

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
04/09/2018 às 20H39

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, provável substituto de Lula na chapa do PT à Presidência, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo nesta segunda-feira (3) sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo presidente da Central Única dos Trabalhadores, Fernando Haddad é o representante de Lula - Wilson Dias/Agência Brasil/Divulgação/ND
Segundo presidente da Central Única dos Trabalhadores, Fernando Haddad é o representante de Lula - Wilson Dias/Agência Brasil/Divulgação/ND

Segundo o promotor Marcelo Mendroni, ele recebeu R$ 2,6 milhões em propina da empreiteira UTC para pagamento de dívidas da campanha de 2012. A informação foi publicada inicialmente no jornal O Estado de S. Paulo.

A denúncia tem como base as delações de ex-executivos da UTC, Ricardo Pessoa e Walmir Pinheiro, do doleiro Alberto Youssef e ainda de inquérito da Polícia Federal que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro e caixa dois na primeira campanha de Haddad à prefeitura.

Ela foi oferecida uma semana depois de a Promotoria de Patrimônio Público de São Paulo propor ação civil de improbidade contra o ex-prefeito pelo mesmo caso. O ex-prefeito já responde na Justiça Eleitoral pela suposta prática do crime de caixa dois também pela mesma situação.

Mendroni afirma que "coincidiu de a denúncia sair no período eleitoral" porque o inquérito da Polícia Federal chegou no dia 24 de julho à Promotoria. Ele deveria, então, oferecer a denúncia, arquivar ou pedir mais diligências da polícia.

Segundo as investigações, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, se reuniu com Ricardo Pessoa em abril ou maio de 2013 e pediu R$ 3 milhões em nome do prefeito para sanar as dívidas da campanha. Antes, em fevereiro do mesmo ano, Haddad teve um encontro com Pessoa, segundo aponta sua agenda de então prefeito da capital.

O dinheiro, então, teria sido pago por meio de um esquema que envolvia a prática de lavagem de dinheiro em gráficas controladas pelo ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza, conhecido como Chicão.

Além de Haddad, também foram denunciados Vaccari, Ricardo Pessoa, Walmir Pinheiro, Chicão e Alberto Youssef. Embora não aponte contrapartida de Haddad ao pagamento da UTC, o promotor Mendroni afirma que havia uma "perspectiva de contrapartida" do petista.

"Para que que a UTC, uma empreiteira, vai pagar uma dívida de campanha do prefeito se não tivesse a perspectiva de receber algo em troca? Para que ele ia pedir para a UTC pagar uma dívida de campanha dele se ele não tivesse a perspectiva de que com o peso do cargo de prefeito podia ajudar de alguma forma durante os quatro anos que viriam?", questionou o promotor, em entrevista a jornalistas na tarde desta terça (4).

Em nota, a assessoria de Haddad disse que surpreende que a denúncia tenha saído no período eleitoral e que "uma narrativa do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sem qualquer prova, fundamente três ações propostas pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-prefeito e candidato a vice-presidente da República"

"É notório que o empresário já teve sua delação rejeitada em quase uma dezena de casos e que ele conta suas histórias de acordo com seus interesses. Também é de conhecimento público que, na condição de prefeito, Fernando Haddad contrariou, no segundo mês de seu mandato, o principal interesse da UTC de Ricardo Pessoa na cidade: a obra confessadamente superfaturada do túnel da avenida Roberto Marinho."

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos outros acusados.

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