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Há quatro anos, a neve caía sobre o Morro do Cambirela, em Palhoça; relembre com fotos

O fenômeno, de proporção inédita em Santa Catarina desde 1965, chegou a mais de 150 municípios e deixou rodovias interditadas

Gustavo Bruning
Florianópolis
23/07/2017 às 15H00

Há exatamente quatro anos, no dia 22 de julho de 2013, moradores de Santa Catarina acordaram com um frio derradeiro e com uma vista incomum, especialmente na Grande Florianópolis: árvores, carros, ruas e morros cobertos de neve. Catarinenses e turistas aproveitaram, ao longo daquela segunda (22) e terça-feira (23), para abraçar o frio de uma maneira que não se via há mais de três décadas. Segundo o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho, a nevasca de 2013 chegou a mais de 150 municípios – ao menos 40% do Estado. Quatro anos depois, em meio a uma semana de frio intenso, a antecipação pela neve retornou a Santa Catarina.

O Morro do Cambirela, em Palhoça, ficou amanheceu coberto por neve em 2013 - Daniel Queiroz/ND
O Morro do Cambirela, em Palhoça, ficou amanheceu coberto por neve em 2013 - Daniel Queiroz/Arquivo/ND


Uma das vistas mais surpreendentes, há quatro anos, foi a do Morro do Cambirela, em Palhoça, e dos pontos altos da Serra do Tabuleiro, que amanheceram cobertos por neve na terça-feira (23). A última grande tempestade do tipo no local, que teve neve pela última vez em 1984, ocorreu em julho de 1942. “Lá deve nevar a cada cinco anos, mas a gente não costuma ver porque dura menos de 10 minutos”, explica. O gelo permaneceu sobre os picos da Serra do Tabuleiro até as 14h.

“A maior nevasca registrada em Santa Catarina foi em 1965, quando uma neve grossa atingiu cerca de 80% do Estado durante três dias. Naquela vez, chegamos a ter 1m de neve em São Joaquim”, explica Coutinho. Para ele, o fenômeno de 2013 foi tão intenso quanto o de 1981. A mais recente, inclusive, surpreendeu especialistas pois ocorreu simultaneamente a trovoadas.

Rancho Queimado foi um dos municípios onde mais nevou na ocasião - Piero Ragazzi/Arquivo/ND
Rancho Queimado foi um dos municípios onde mais nevou na ocasião - Piero Ragazzi/Arquivo/ND


O que chamou a atenção em 2013, conta o engenheiro agrônomo, foi a abrangência e a intensidade do fenômeno, que ocorre com frequência no Estado. “É raro o ano que não neva. Da década de 1950 para cá, só não tivemos neve em 1977, 1986 e 2015”, explica. A intensidade de 2013, relembra, deixou cidades como Itaiópolis sem luz por até cinco dias. As regiões onde mais nevou foram o Planalto Norte, o médio e alto Vale do Itajaí e a Grande Florianópolis. Segundo Coutinho, o morro Alto da Boa Vista, em Rancho Queimado, foi um dos locais de maior incidência – lá foi possível encontrar entre 20cm e 50cm de neve.

Neve por todas as regiões

Em 2013, a neve chegou primeiramente a São Joaquim, por volta das 4h de segunda-feira, acompanhada de trovoada e chuva fina. Ela retornou com mais força às 7h40, aglomerando pessoas em torno da praça Cesário Amarante, diante dos -2°C registrados pelos termômetros. No início da manhã, o fenômeno ocorreu em São Carlos, no Oeste, e em Urupema, na Serra, onde a temperatura chegou a 2°C na madrugada e a -3°C durante o dia. Em Chapecó e Xanxerê, onde os flocos também caíram, a mínima chegou a 1°C. O recorde de temperatura na semana em questão foi no Morro da Igreja, em São Joaquim, onde os termômetros marcaram -7,8°C.

Em Urupema, a temperatura negativa proporcionou uma nova vista das paisagens - Flávio Tin/Arquivo/ND
Em Urupema, a temperatura negativa proporcionou uma nova vista das paisagens - Flávio Tin/Arquivo/ND


Foi por volta das 19h30 que o fenômeno chegou à Grande Florianópolis, primeiramente em Rancho Queimado, onde a temperatura mínima foi de -3,2°C. No trecho da BR-282 que passa pelo município, a neve no asfalto chegou a formar uma camada de mais de 3 cm de espessura.  À noite, a intensidade aumentou e nevou durante cerca de duas horas, gerando acumulação de 1 cm. Em São Bonifácio o termômetro marcou -1,6°C, enquanto em Antônio Carlos a mínima foi de -0,2°C. Na ocasião, a neve chegou também a Angelina e Alfredo Wagner.

No Meio-Oeste, foi na noite de segunda-feira (22) que a neve impressionou. Em meio a temperaturas que chegavam a -1°C, moradores de Água Doce curtiram os flocos no Parque Eólico. Outros municípios que registraram neve na região foram Caçador, Videira, Fraiburgo e Santa Cecília.

Em São Joaquim, um campo de futebol ficou coberto de neve no dia 22 de julho de 2013 - Flávio Tin/Arquivo/ND
Em São Joaquim, um campo de futebol ficou coberto de neve no dia 22 de julho de 2013 - Flávio Tin/Arquivo/ND


De acordo com Coutinho, a neve de 2013 chegou até mesmo em cidades mais baixas, como Rio do Sul e Ascurra. Segundo ele, foi a primeira vez que ela caiu em alguns bairros de Blumenau. “Não temos registro de ocorrências anteriores, apenas nos morros da cidade. De tempos em tempo, formam-se grandes ondas de frio que avançam pelo Estado”, explicou.

O engenheiro agrônomo relembra ainda que, em 2013, Santa Catarina teve registro de outro grande evento de inverno, o que é muito raro. “Não lembro de ter tido algo assim antes. Em agosto o frio voltou a pegar a região serrana com intensidade”, afirma.

Ações de prevenção

A PRF precisou interditar parte da BR-282, em Rancho Queimado - Piero Ragazzi/Arquivo/ND
A PRF precisou interditar parte da BR-282, em Rancho Queimado - Piero Ragazzi/Arquivo/ND


Na época, a onda de frio derrubou as temperaturas em Santa Catarina dias antes da aparição da neve, especialmente na Serra. A previsão, segundo especialistas, era que o fenômeno fosse se igualar à nevasca que passou pelo Estado em julho de 1975, quando 70 municípios dos Sul do Brasil foram assolados por um frio intenso. A Epagri/Ciram alertou, inclusive, para a possibilidade de geada negra, que provoca o congelamento da parte interna da planta devido ao frio intenso.

A ocorrência do fenômeno foi possível devido ao frio intenso e à umidade, que foi mantida por um bloqueio no Estado. “São várias situações que coincidiram. Isso pode acontecer a cada cem anos. Em 1819, ocorreu uma geada em Goiás, em janeiro. São ciclos no clima que podem ser curtos ou longos, regimes que podem ser a cada 10 mil anos. Para nós é muito, mas para o clima é um piscar de olhos”, explicou Coutinho, na ocasião.

O fenômeno de 2013 contou com a geada negra, que provoca o congelamento da parte interna da planta - Flávio Tin/Arquivo/ND
O fenômeno de 2013 contou com a geada negra, que provoca o congelamento da parte interna da planta - Flávio Tin/Arquivo/ND


Durante a neve de 2013, a Defesa Civil ficou em alerta e a Prefeitura de Florianópolis chegou a criar uma força-tarefa para realizar ações de prevenção ao frio extremo, incluindo a aquisição de 150 colchões e cobertores para moradores sem abrigo. 

A PMRv (Polícia Militar Rodoviária) realizou a operação Neve na Pista, com o intuito de prevenir acidentes nas estradas, além de ter aplicado sal nas rodovias para acelerar o degelo da neve acumulada – a SC-250 e a SC-280 tiveram trechos interditados. Já a PRF (Polícia Rodoviária Federal) precisou fechar totalmente a BR-282, na Grande Florianópolis, das 22h10 de segunda-feira (22) às 1h45 de terça-feira (23), em um trecho de 40 km entre Águas Mornas e Alfredo Wagner.

São Joaquim foi um dos municípios que atraiu grande parte dos amandes do frio - Flávio Tin/Arquivo/ND
São Joaquim foi um dos municípios que atraiu grande parte dos amandes do frio - Flávio Tin/Arquivo/ND



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