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Há 60 anos, acidente aéreo no Paraná matou Nereu Ramos, Jorge Lacerda e Leoberto Leal

Considerada uma das mais tristes da história de Santa Catarina, tragédia ocorreu após avião ter problemas mecânicos

Carlos Damião
Florianópolis
15/06/2018 às 20H56

O dia 16 de junho de 1958 foi certamente um dos mais tristes da história de Santa Catarina e do Brasil. Há exatos 60 anos, caía na região de São José dos Pinhais (PR), próximo a Curitiba, o avião Convair 440, da Cruzeiro do Sul, prefixo PP-CEP. Entre os passageiros e tripulantes do voo 412 estavam o ex-presidente da República Nereu Ramos, o go­vernador Jorge Lacerda (PRP) e o deputado federal Leoberto Leal (PSD). Nereu e Lacerda eram simplesmente as duas principais lideranças políticas do Estado – e de maior prestígio nacional, Leal era cotado para disputar o governo do Estado em 1960 por seu partido. Os três haviam em­barcado em Florianópolis com destino a São Paulo e Rio de Ja­neiro. O avião se preparava para fazer a escala paranaense quan­do teve problemas mecânicos a pouco mais de oito quilômetros de São José dos Pinhais. No total, morreram 18 pessoas.

O avião destroçado, em São José dos Pinhais (PR): 18 pessoas morreram no desastre - Revista O Cruzeiro/Divulgação/ND
O avião destroçado, em São José dos Pinhais (PR): 18 pessoas morreram no desastre - Revista O Cruzeiro/Divulgação/ND


Nereu e Leal viajavam para o Rio, que era a Capital Federal e sede do Congresso Nacional. Lacerda iria primeiro a São Pau­lo, onde se encontraria com o presidente de seu partido o PRP (Partido de Representação Popu­lar, antiga Ação Integralista), Plí­nio Salgado. Na agenda política, conversas sobre a candidatura ao Senado em Santa Catarina, pretendida pelo líder integralis­ta. Lacerda defendia o nome de Irineu Bornhausen, porque tinha um compromisso com a UDN, que ajudara a elegê-lo governa­dor em 1955.

“Brasileiros ilustres perdem a vida num desastre de avião”, estampou em manchete o jornal “O Globo” de 17 de junho de 1958. “Fatalidade enluta a nação” foi a manchete da “Gazeta do Povo”, de Curitiba, no mesmo dia.

O clima em Florianópolis era de total consternação. Apesar de nascido em Lages, Nereu tinha residência e escritório na capital catarinense, onde promovia reu­niões políticas. Lacerda era um governador popular, que domi­nava com habilidade o marke­ting político, décadas antes de essa expressão ter se tornado recorrente no meio.

Catarinenses acompanharam pelas rádios

A maioria dos moradores acom­panhava o noticiário pelas emissoras de rádio, porque os jornais de fora demora­vam a chegar. Os corpos dos três políticos foram velados primeiramente em Curi­tiba. Depois, o corpo de Nereu foi para o Rio, onde recebeu honras de Estado e foi enterrado, com a presença do presidente Juscelino Kubitscheck. No dia 18, os corpos de Lacerda e Leal foram transferidos para Florianópolis e velados no Palácio do Go­verno (atual Palácio Cruz e Sousa). Milha­res de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre até o Cemitério São Francisco de Assis (Itacorubi). O vice-governador He­riberto Hülse, empossado no lugar de La­cerda, decretou luto oficial de oito dias em função da tragédia.

Presidente Juscelino Kubitscheck (centro) e vice-presidente Jango Goulart (esq) chorando a morte de Nereu Ramos no Rio de Janeiro - Revista Manchete/Divulgação/ND
Presidente Juscelino Kubitscheck (centro) e vice-presidente Jango Goulart (esq) chorando a morte de Nereu Ramos no Rio de Janeiro - Revista Manchete/Divulgação/ND


Toda a história do acidente foi narra­da pelo escritor catarinense Francisco Pe­reira no livro “O Voo da Morte”. A narrativa está também na obra “Memórias de Jorge Lacerda – Uma Época de Ouro na Política Catarinense”, escrita e editada pelo neto do ex-governador, o documentarista Ro­berto Lacerda Westrupp. O livro está em fase final de produção e deve ficar pronto no segundo semestre deste ano. Westrupp contribuiu com informações e imagens inéditas para esta matéria.

As três lideranças

  • Nereu Ramos

Foi o único catarinense a exercer a presidência. Nascido em Lages, em 1888, elegeu-se deputado estadual em 1910. Depois elegeu-se deputado federal em 1933 e foi um dos redatores da Constituição Brasileira de 1934. Foi eleito governador em 1935, mas o golpe do Estado Novo, em 1937, interrompeu o mandato popular. Foi nomeado interventor estadual por Getúlio Vargas, permanecendo no cargo até 1945.

Com a redemocratização, elegeu-se deputado federal e senador, simultaneamente, em 1946, pelo PSD. Nereu assumiu a presidência da República em 11 de novembro de 1955, ficando no cargo até 31 de janeiro de 1956, quando deu posse ao presidente eleito, Juscelino Kubitscheck (PSD).

  • Jorge Lacerda

Filho dos imigrantes gregos, nasceu em 1914, em Paranaguá (PR), mas passou parte da adolescência em Florianópolis, onde fez o ginásio. Depois foi para Curitiba, onde formou-se em medicina. Mudou para o Rio de Janeiro numa época de efervescência política e cultural. Jornalista, na Capital Federal editou o suplemento “Letras e Artes”, do jornal “A Manhã”.

Em 1950 elegeu-se deputado federal pelo PRP, em coligação com a UDN. Reeleito em 1954, começou a trabalhar pela sua candidatura ao governo catarinense. Venceu a disputa e assumiu o governo em 31 de janeiro de 1956.

  • Leoberto Leal

Leoberto Laus Leal era natural de Tijucas, onde nasceu em 1912. Foi deputado federal entre 1951 e 1955, tendo sido reeleito em 1954 para novo mandato de 1955 até 1959.

Era um dos nomes que o PSD articulava para a eleição governamental de 1960.

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