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Grupos europeus levam quatro aeroportos brasileiros em leilão com oferta de R$ 3,7 bilhões

A suíça Zurich levou o projeto de Florianópolis, com uma oferta de R$ 83 milhões. A proposta inicial mínima era de R$ 53 milhões

Folha de São Paulo
São Paulo
16/03/2017 às 12H48

JOANA CUNHA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo conseguiu leiloar, com ágio, os aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e Fortaleza, em disputa realizada nesta quinta-feira (16).

O ágio do valor dos aeroportos, que alcançou quase R$ 1,5 bilhão, foi superior a 90%. Considerando as outorgas, a arrecadação prevista é de R$ 3,72 bilhões —nesse caso, o ágio é de cerca de 23%.

O governo esperava arrecadar pelo menos R$ 3 bilhões com as outorgas. Os investimentos realizados pelos vencedores nos quatro aeroportos estão estimados em R$ 6,6 bilhões.

A alemã Fraport levou os aeroportos de Fortaleza (com uma oferta de R$ 425 milhões) e de Porto Alegre (R$ 290,5 milhões). A oferta inicial mínima para Fortaleza era de R$ 360 milhões e para Porto Alegre, de R$ 31 milhões.

Em janeiro deste ano, o Aeroporto Internacional Hercílio Luz teve movimentação de 403 mil passageiros - Daniel Queiroz/ND
A proposta mínima para o aeroporto de Florianópolis era de R$ 53 milhões - Daniel Queiroz/ND



Quem ficou com o aeroporto de Salvador foi a francesa Vinci com uma oferta superior a R$ 660,9 milhões. A oferta mínima para Salvador era de R$ 310 milhões.

A suíça Zurich levou o projeto de Florianópolis, com uma oferta de R$ 83 milhões. A proposta inicial mínima era de R$ 53 milhões.

Os valores das outorgas ficaram em R$ 1,5 bilhão para Fortaleza, R$ 1,59 bilhão para Salvador, R$ 382 milhões para Porto Alegre e R$ 241 milhões para Florianópolis.

O maior ágio (852%) aconteceu em Porto Alegre. O projeto de Salvador teve um ágio de 113%. Fortaleza (18%) e Florianópolis (58%) tiveram ágios menores.

O número de concorrentes ficou abaixo do registrado nas rodadas anteriores de licitações de aeroportos. Em 2012, quando foram leiloados três grandes aeroportos, foram 11 grupos. Na seguinte, em 2013, com duas unidades, foram cinco.

O evento marcou a abertura da primeira rodada de concessões do governo de Michel Temer e funciona como um grande teste para o modelo de privatizações deste governo, que esticou prazos para análise dos projetos, mudou a forma de pagamento das outorgas e criou uma espécie de "seguro cambial" para evitar perdas com desvalorização do real.

Nos últimos dias, nomes como a espanhola OHL, os brasileiros fundo Pátria e CCR, além dos argentinos da Inframérica anunciaram suas desistências em participar do leilão. Outros, como a italiana AB Concessões também chegaram a estudar a possibilidade, mas declinaram. A avaliação de que o modelo contemplava um crescimento da economia e da demanda fora da realidade foi uma das razões que os desmotivaram.

Diferentemente das rodadas anteriores, o leilão atual não trouxe mais a Infraero como sócia majoritária, o que muda a governança das futuras concessionárias. Em outra mudança prevista nesta rodada, desta vez houve gatilhos para os investimentos, que só seriam utilizados caso os novos negócios atingissem determinados níveis de demanda. "Isso dá um certo conforto de que não serão necessários investimentos que não façam sentido em um primeiro momento", diz Paulo Dantas, sócio do escritório Demarest Advogados.

A forte presença de estrangeiros entre os competidores deste novo leilão é um resquício da Operação Lava Jato porque a maioria das grandes construtoras nacionais que dominava as rodadas anteriores está hoje envolvida nas investigações e tem problemas para gerir as atuais concessões.

Os prazos de concessão serão de 25 anos prorrogáveis por mais 5 para o terminal de Porto Alegre e de 30 anos também prorrogáveis por mais 5 para os outros três aeroportos.

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