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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Greve dos bancários alcança 80% de adesão na Grande Florianópolis

Sem acesso aos caixas dos bancos, população enfrenta dificuldades para realizar operações financeiras

Rafael Thomé
Florianópolis

Desde o dia 5 de outubro bancários em todo o Brasil estão em greve. Depois de duas semanas, a paralisação não arrefeceu, ao contrário, ganhou em adesão e alcança 80% na Grande Florianópolis, com 102 agências fechadas, e a marca de 12.277 unidades paralisadas no país, segundo informações do SEEB (Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região). Sem acesso aos caixas, a população começa a sentir os efeitos da greve e passa a buscar maneiras de resolver suas pendências financeiras.

Marco Santiago/ND
Zilda recebeu ajuda do bancário Benito para fazer o saque 

 

A aposentada Zilda Ribeiro Machado, 65, contratou um grupo de pedreiros para fazer uma reforma em casa, mas tem encontrado dificuldade para pagá-los. “Os pedreiros estão trabalhando, mas a gente não pode sacar o dinheiro para pagar, porque só pode tirar R$ 1.000 por dia [nos caixas eletrônicos]. Está prejudicando o trabalho deles, e tenho que ir várias vezes por semana ao banco para fazer o saque”, contou Zilda.

Com dificuldades de locomoção e visão, Zilda teve ajuda de um bancário que, mesmo em greve, estava na porta da agência Itaú do Centro de Florianópolis para ajudar os clientes que tinham problemas para realizar alguma operação nos caixas eletrônicos. “A gente entende que a paralisação causa transtornos, mas não estamos em greve para prejudicar a população, nem o bancário. A gente quer que os bancos valorizem seus funcionários e deem melhores condições para os clientes nas agências”, disse Benito Godoy Freitas, 50, funcionário do Itaú há 28 anos.

Vindo do Rio de Janeiro, o psicólogo Emerson Damázio, 34, busca na internet a solução para os problemas. “Pago tudo pela internet e faço saques no caixa eletrônico, então não estou sentindo os efeitos da greve”, afirmou. O exemplo de Emerson é comum, mas nem todos conseguem utilizar a web para resolver as pendências financeiras. “Tenho que pagar minha fatura e não consigo. Não chegou a fatura em casa e também não consegui tirar outra. Vou ter que achar um banco aberto para conseguir tirar a fatura. Está tudo enrolado”, reclamou Kátia do Vale, 29, auxiliar de serviços gerais.

 

Não há previsão para o fim da greve

De acordo com o presidente do SEEB, Marco Silvano, bancários em todo o Brasil ainda aguardam um posicionamento da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) com relação à greve. “No dia 1º de outubro apresentamos aos bancos as decisões das assembleias, que era de rejeição da proposta que eles fizeram. Eles publicaram uma nota dizendo que aguardavam uma contraproposta e já mandamos a proposta de reposição pela inflação e ganho real. Desde então, não tivemos qualquer outra proposta”, afirmou Silvano.

Sem perspectiva de negociação com a Fenaban, a tendência é que os bancários mantenham a greve por tempo indeterminado. “Estamos informando a Fenaban que estamos esperando uma proposta que atendam as nossa reivindicações. Sabemos que há conversas entre os próprios bancos, mas até agora não temos nenhuma notícia de que haverá uma proposta nessa semana. Por isso, mantemos a greve”, encerrou o presidente do SEEB.

 

Reivindicações da categoria

- Reajuste salarial de 16% (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real);
- PLR (Participação nos Lucros e Resultado): 3 salários mais R$7.246,82;
- Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - em valores do último mês de junho);
- Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá, de R$788 ao mês;
- Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral;
- Fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas;
- Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários;
- Auxílio-educação, com pagamento para graduação e pós-graduação;
- Prevenção contra assaltos e sequestros, com permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários;
- Igualdade de oportunidades, com fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

 

Proposta rejeitada pelos bancários

- Reajuste de 5,5% (segundo o sindicato, representa perda de 4% para os bancários em relação à inflação de 9,88%);
- Piso portaria após 90 dias – R$ 1.321,26;
- Piso escritório após 90 dias – R$ 1.895,25;
- Piso caixa/tesouraria após 90 dias – R$ 2.560,23 (salário mais gratificação e outras verbas de caixa);
- PLR regra básica – 90% do salário mais R$ 1.939,08, limitado a R$ 10.402,22 (caso o total fique abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 22.884,87);
- PLR parcela adicional – 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos e limitado a R$ 3.878,16;
- Antecipação da PLR - primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva. Pagamento final até 01/03/2016;
- Regra básica – 54% do salário mais fixo de R$ 1.163,44, limitado a R$ 6.241,33 e ao teto de 12,8% do lucro líquido (o que ocorrer primeiro);
- Parcela adicional – 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2015, limitado a R$ 1.939,08;
- Auxílio-refeição – R$ 27,43;
- Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta – R$ 454,87;
- Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) – R$ 378,56;
- Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) – R$ 323,84;
- Gratificação de compensador de cheques – R$ 147,11;
- Requalificação profissional – R$ 1.294,49;
- Auxílio-funeral – R$ 868,58;
- Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto – R$ 129.522,56;
- Ajuda deslocamento noturno – R$ 90,67.

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