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Grande volume de chuvas causa alagamentos e transtornos no trânsito em Florianópolis

Acumulado em cinco dias chega a média prevista para todo o mês de setembro

Andréa da Luz
Florianópolis
04/09/2018 às 22H13

Após três dias de chuva quase ininterrupta, o sol voltou a aparecer em Florianópolis. No entanto, os transtornos provocados pelo grande volume de água, principalmente na segunda-feira (3), ainda eram visíveis em diversos pontos da cidade nesta terça-feira (4). Motoristas e moradores tiveram dificuldades para se locomover.

Alagamento no Rio Vermelho - Marco Santiago/ND
Alagamento no Rio Vermelho - Marco Santiago/ND

Alagamentos deixaram o trânsito ainda mais complicado pela manhã e as filas continuaram até a tarde. Um alagamento sob o viaduto da avenida Ivo Silveira provocou retenções e um imenso congestionamento. O tráfego fluía lentamente porque os motoristas precisaram passar por dentro da água acumulada na pista. Pedestres utilizaram espaços ínfimos nas laterais da rodovia ou sob o viaduto para conseguir atravessar no local.

O mecânico Fabiano da Silva disse que sempre que chove esse trecho fica alagado. "São 15h e a fila está quase em Biguaçu, se eu não estivesse de moto com certeza estaria no congestionamento e chegaria atrasado no trabalho", disse.

Nagela Miranda, que trabalha em São José, passou a pé por baixo do viaduto, para não se molhar com a água jorrada pelo movimento dos carros. Ela disse que costuma passar sempre por ali, mas que o problema é recorrente e que mesmo com menos volume de chuva do que caiu nesta semana acaba acumulando água no local.

De acordo com Anderson Barcelos, da Secretaria de Infraestrutura de Florianópolis, foi utilizado um hidrojato para desentupir a rede pluvial, sendo retirados objetos como edredon, roupas, colchão e malas. Porém, desta vez, o problema foi maior porque houve um assoreamento na saída da tubulação, provocado pela maré alta.

"Como a tubulação é muito antiga [de 1,20 metro de diâmetro] e está toda assoreada, ela terá de ser trocada por uma galeria de quatro ou seis m². Já conversamos com o prefeito e ele encaminhou a demanda para a área de Saneamento e a Diretoria de Obras para realização do projeto para essa troca", explicou Barcelos. A secretaria aguarda a água baixar para tentar uma ação emergencial. "Se a maré baixar nesta quarta-feira, vamos passar o hidrojato por dentro da tubulação para reduzir o assoreamento, permitindo o escoamento da água", afirmou.

O mesmo problema teria causado o transbordamento da água do Lago das Bandeiras, na entrada da Ilha, para a pista no entorno. Barcelos explicou que além da tubulação estar assoreada, uma parte dela foi quebrada durante alguns reparos feitos na estação da Casan. "Isso agravou ainda mais a falta de escoamento, então abrimos uma parte para ajudar no escoamento, mas a tubulação terá de ser trocada assim que tivermos uma maré baixa", disse.

Em outro ponto da cidade, um grande buraco se abriu na pista da avenida Madre Benvenutta, no bairro Santa Mônica. Como não havia isolamento nem sinalização, muitos veículos passavam pela cratera.

Avenida Governador Ivo Silveira - Marco Santiago/ND
Avenida Governador Ivo Silveira - Marco Santiago/ND



Famílias isoladas pela água

No Norte da Ilha, problemas ainda maiores ocorreram no Travessão do Rio Vermelho, onde ruas permanecem alagadas, isolando alguns moradores e dificultando a passagem de veículos e pedestres. Na servidão Acelino Epifânio dos Santos, um trecho está interditado e os carros não conseguem passar.

No começo da rua, o pedreiro Leandro de Paula Nery começou a abrir uma vala até o bueiro, em uma tentativa de melhorar a passagem para os moradores. "Moro aqui há 12 anos e sempre acontece esse problema. Várias ruas da região foram calçadas, mas a nossa não e nem adianta passar a máquina porque a baixada continua e acumula água", desabafou.

As dificuldades são ainda maiores para Rosa Pereira Raimundo, 65 anos. A dona de casa conta que mudou dos Ingleses para a servidão das Gérberas, no Rio Vermelho, há quatro anos, e desde então é uma perda atrás da outra. "Minha filha comprou móveis para a cozinha e já perdeu tudo, agora é a cama box que vai para o lixo. Cada vez que chove enche tudo aqui", contou.

A água da chuva que se infiltrou pelo terreno já molhado invadiu a casa dela e da filha, que mora nos fundos. Com cerca de um metro de água dentro de casa, não houve tempo de salvar muita coisa. Os dois netos ficaram sem ter como ir à escola e não há como sair de casa sem passar dentro da água. "Em janeiro, quando teve aquela enchente, tive uma infecção na perna porque andava dentro da água, saí com água pela cintura. Já perdi armários, cama, guarda-roupa. A gente espera que venha alguma ajuda, porque pobre é sempre esquecido", disse.

Muitos moradores estão sem água. É o caso da família de Mariana Garcia Araújo, costureira e diarista, que não pôde sair para trabalhar. "Moro aqui há mais de dois anos e cada vez que chove a rua enche de água e o carro não passa, nem a pé dá para passar porque a gente não sabe onde estão os buracos", afirmou.

Segundo o vice-presidente da Associação dos Moradores das ruas das Gérberas, Tulipas e Onze Horas), Rodney Silva dos Santos, há um problema grave de infraestrutura nessas três servidões, que não foram projetadas para receber tantos moradores. "Toda noite a energia elétrica cai porque a estrutura não comporta o número de casas que já existem aqui. O loteamento começou há uns 12 anos, mas eram umas 20 ou 30 casas, hoje tem quase 300", afirmou. "Foi retirada muita areia daqui e ficou essa baixada, que sempre enche de água e não tem para onde escoar, chega a apodrecer porque o solo não absorve", disse. Rodney afirma que a associação já se reuniu com a Secretaria de Obras, mas não houve retorno formal sobre o que será feito para resolver esses problemas.

Famílias isoladas no Rio Vermelho - Marco Santiago
Famílias isoladas no Rio Vermelho - Marco Santiago

O que diz a prefeitura da Capital

Em entrevista à RICTV Record, o prefeito Gean Loureiro (MDB) disse que nos últimos três dias choveu mais de 130 milímetros, que é o volume de chuva previsto para o mês todo. "Quando passa do limiar de segurança, eu, como prefeito, assumo o comando da operação. E desde às 20h de ontem [segunda-feira] nós vistoriamos todos os locais, e realizamos todos os trabalhos preventivos e uma equipe atua diretamente na recuperação", afirmou.

De acordo com o prefeito, a ação envolveu Celesc, Deinfra, prefeitura e demais órgãos que permitiram que a cidade estivesse razoavelmente em condições nesta terça-feira. "Havia uma série de ruas alagadas, árvores caídas, postes caídos e alguns pontos de alagamento tradicionais como na Ivo Silveira e logo que passa a ponte, na curva do laguinho", explicou.

Gean também citou as regiões da Vargem Grande, dos Ingleses e parte do Travessão, nas ruas que ligam à estrada geral do Rio Vermelho. "Já temos quatro hidrojatos trabalhando nas ruas de Florianópolis, então pedimos um pouco de paciência da população porque estamos trabalhando nos casos mais críticos, para que possam ser resolvidos", afirmou. "A notícia boa é que finalmente o governador Eduardo Pinho Moreira repassou os recursos do convênio 155, que estava paralisado desde 2016, e então teremos 44 ruas que iniciam sua pavimentação já no mês de setembro, muitas delas no Rio Vermelho, contemplando drenagem e pavimentação, evitando os problemas que estamos vendo", finalizou.

No Estado

De acordo com a Epagri/Ciram, a chuva que começou na manhã de sexta-feira (31) e se estendeu até a madrugada desta terça-feira foi causada por um sistema de baixa pressão no Sul do Brasil. Os valores ultrapassaram os 120 milímetros em diversas localidades de Santa Catarina, especialmente nas regiões do Extremo Oeste, Oeste, Meio-Oeste, Litoral Sul, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis. É quase a média prevista para todo o mês de setembro, que fica em torno de 150 mm a 170 mm no Oeste e Meio-Oeste e entre 110 mm a 130 mm no Planalto, Vale do Itajaí e Litoral.

Em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, o acumulado nesses cinco dias foi de 152,4 mm, contra os 130 mm da média do mês. Segundo a Defesa Civil, na manhã desta terça-feira, o nível do rio na cidade estava em 7,33 metros, subindo um centímetro por hora. Haviam cinco famílias e 16 pessoas alojadas em abrigos da cidade.

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