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Governo avalia cronograma de restauração da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis

Engenheiros avaliam os processos da obra da ponte Hercílio Luz prevista para terminar em dezembro deste ano

Michael Gonçalves
Florianópolis
13/03/2018 às 22H53

Diretores e engenheiros da Secretaria de Estado de Infraestrutura estiveram reunidos durante a tarde desta terça-feira (13) para avaliar o cronograma de restauração da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. A informação da assessoria de imprensa da secretaria é que a reunião prossegue na manhã desta quarta-feira (14) para definir a alteração de alguns processos da obra, que inicialmente está marcada para ser concluída em dezembro deste ano. O contrato com a empresa portuguesa Teixeira Duarte foi assinado em março de 2016, pelo valor de R$ 262.926.435,21, com o prazo de execução de 30 meses. Com aditivos, o valor atual é de R$ 273 milhões.

Pelo acerto contratual, a obra deveria ser entregue em outubro deste ano, mas foi prorrogada até o fim do mandato da atual gestão do governo do Estado, em dezembro. “Não posso confirmar a mudança de prazo porque estou de saída, mas o Paulo França, que assumiu o Deinfra [Departamento Estadual de Infraestrutura] pode passar os detalhes técnicos”, afirmou o secretário de Infraestrutura Luiz Fernando Vampiro.

ponte Hercílio Luz  - Marco Santiago/ND
Trabalho dos operários está concentrado atualmente na troca das rótulas da ponte - Marco Santiago/ND



A reportagem do ND fez dezenas de ligações para o novo presidente do Deinfra, que não atendeu e nem retornou as chamadas. Um dos motivos que podem justificar a alteração dos processos é o fator climático. Isso porque diversas etapas da restauração só podem ser executadas quando não há rajadas de vento superiores a 40 km/h. Também haveria um novo pedido de aditivo por parte da empresa, mas que o governo do Estado não confirma.

Fechada completamente desde 1991, a ponte terá cerca de 40% das peças trocadas. Isso porque o cálculo é pelo peso. Das 5.000 toneladas do peso total da ponte, duas mil toneladas serão trocadas por peças novas. Após trocarem as celas, na parte superior das torres, que foram as primeiras peças importadas colocadas na restauração, o trabalho está baseado na troca das rótulas. Concentradas na base das duas torres principais, as rótulas permitem a movimentação necessária, sem comprometer a estabilidade frente aos ventos intensos que ocorrem na região e que incidem nas laterais da ponte.

Estudo para utilização será divulgado no dia 13 de maio

Ponte Hercílio Luz  - Marco Santigo/ND
Após conclusão da restauração, discussão será sobre o uso da ponte Hercílio Luz- Marco Santigo/ND



O grupo de estudo que debate a utilização da ponte Hercílio Luz após a restauração apresentará as sugestões à comunidade no dia 13 de maio. A data foi escolhida porque marca o 92º aniversário da primeira ligação entre a Ilha de Santa Catarina e o Continente.

Segundo diretor da região metropolitana do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), arquiteto e urbanista Michel Mittmann, o objetivo é priorizar as pessoas e aproximá-las do principal cartão-postal do Estado. “Faremos o que determina o Código de Trânsito Brasileiro, que é colocar as pessoas em primeiro lugar. No primeiro momento a nossa proposta é a de liberar para pedestres, ciclistas e veículos de emergência e, gradativamente, para o transporte público”, explicou.

Michel informou que não há prazo para a mudança do perfil da utilização da ponte. O objetivo é atender a ansiedade inicial da população em visitar o patrimônio histórico. Segundo o diretor do Ipuf, esse é um dos gatilhos para a mudança do perfil de utilização da estrutura metálica. Mesmo assim, o transporte coletivo não deve ocupar a ponte de uma única vez.

“Vamos liberar o trânsito aos poucos, com linhas específicas no primeiro momento. As linhas que partem do continente em direção à UFSC, por exemplo, poderão ser as primeiras. Existem várias subetapas para cumprirmos antes da liberação de todo o transporte público. Também faremos campanhas para incentivar a carona, porque a média de passageiros por veículo que cruza as pontes é de 1,29 pessoa/automóvel”, esclareceu. O arquiteto não descartou a possibilidade de liberação do tráfego para automóveis, mas somente em horários especiais para dar mais segurança aos frequentadores da ponte.

Suderf é contra os veículos de carga

O superintendente da Suderf (Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis), engenheiro Cassio Taniguchi, é contrário à utilização da ponte pelos veículos de carga. Segundo os engenheiros do Deinfra, 40% das peças da ponte serão trocadas e ela poderá sustentar o mesmo peso das pontes Colombo Sales e Pedro Ivo Campos.

A Suderf e o Ipuf concordam em 95% dos pontos. “Defendemos que todo o sistema metropolitano de transporte passe pela ponte. Também defendo uma utilização mista com os veículos de passeio, mas ainda estamos em discussão. Não concordo com a utilização da ponte pelos veículos de carga, que devem continuar passando pelos atuais acessos”, afirmou.

Taniguchi informou que a entrada da Ilha pela ponte Hercílio Luz é excelente, mas a saída precisa de um investimento viário. Já o arquiteto Michel Mittmann, do Ipuf, comentou que a utilização será gradativa, porque assim a prefeitura não precisará realizar todas as obras viárias de uma única vez.

 

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