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Geração de emprego em Florianópolis está concentrada em público com formação básica

Capital tem mais de 14 mil vagas de empregos; Enquanto serviços e comércio lideram demanda, setor de tecnologia enfrenta dificuldades para contratar

Fábio Bispo
Florianópolis
14/11/2018 às 15H58

É no último trimestre que as expectativas de melhoras na economia e nos índices de emprego se renovam. É neste período que muitas oportunidades de trabalho temporário se transformam em empregos fixos e também que os indicadores dão os melhores sinais de recuperação.

Apenas em Florianópolis, Sine oferece 67 vagas de emprego - Marcelo Bittencourt/Arquivo/ND
Desde o início de 2018, Florianópolis contratou 87.711 e demitiu 85.957 - Marcelo Bittencourt/Arquivo/ND


Pela primeira vez neste ano, o mercado de trabalho em Florianópolis teve saldo positivo segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de setembro deste ano. Indicador foi impulsionado pelos setores de comércio e serviços, que seguem sendo os que mais contratam na cidade.

Desde o início do ano, a cidade contratou 87.711 e demitiu 85.957, obtendo um saldo positivo de 1.754. O setor de serviços teve um crescimento de 955 contratações e o comércio de 609.

As vagas que mais empregaram pessoas foram as de digitador, assistente administrativo e servente de obras. De maneira geral, a maioria das demandas de empregos exigem formação básica, como no caso dos atendentes de telemarketing e recepcionistas, outras duas áreas com grande número de contratações.

Uma pesquisa da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina) para a temporada de verão 2018/2019 revela que a expectativa de contratações próximas do cenário que se consolidou na temporada passada.

Para o presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt, este ano o cenário vem se desenhando mais estável e com cautela por parte dos consumidores e dos empresários na hora de contratar, mas pondera que as contratações são importantes, ainda mais quando há a possibilidade de efetivação do trabalhador temporário para todo o ano. “A abertura de vagas para temporários aumenta os níveis de emprego na economia, dá oportunidades para jovens adquirirem mais experiência no mercado de trabalho e também movimenta mais recursos na economia, por meio da maior circulação de dinheiro”, ressalta o empresário.

A pesquisa apontou que 71,4% dos empresários irão contratar o mesmo número de trabalhadores temporários que no ano passado. A média de funcionários também apresenta indicador estável, em 2017 foi de 2,95 por empresa e em 2018 a projeção é de 2,92, confirmando o cenário de estabilidade nas contratações.

Prefeitura prepara entrada no mercado de trabalho

Dado do Trabalha Brasil, maior portal de empregos do país, mostram que atualmente há mais de 14 mil vagas de empregos disponíveis em Florianópolis. A maior parte delas justamente nas áreas que mais contratam.

Para dar conta de suprir a demanda e conseguir fazer o encaminhamento das pessoas que estão fora do mercado de trabalho, o Igeof (Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis) tem realizado uma série de ações para preparar os candidatos.

“Historicamente o Igeof realiza um trabalho mais social, com o público de baixa renda. Nós temos mantido este foco, mas também expandido nossa atuação entre os públicos que não se enquadram nesse perfil. Para isso nós desenvolvemos cursos, oficinas e palestras”, explicou o superintendente Guilherme Pontes.

Entre as ações do Igeof estão, por exemplo, a capacitação de moradores em situação de rua e imigrantes. “São públicos que têm dificuldades para conseguir ser reinserido no mercado de trabalho. Com esse público, nós realizamos oficinas de currículo e também deixamos aberta a participação nas demais oficinas”, emenda.

Atualmente, 56% das pessoas que procuram o Igeof para serem encaminhadas ao mercado de trabalho possuem ensino médio, enquanto 4,2% possuem ensino superior.

Setor de tecnologia não consegue contratar

As apostas dos empresários para colocar Florianópolis na vanguarda tecnologia fizeram o setor conquistar espaço na cidade. Atualmente são 2.600 empresas no setor que empregam 12 mil pessoas e geram R$ 4,7 bilhões em receitas.

Mesmo assim, segundo o diretor executivo da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), Gabriel Santana, o setor tem encontrado dificuldades para ocupar entre 600 e 1 mil vagas abertas no setor. “Nós destacamos dois fatores principais. O primeiro é a dificuldade das universidades em atender a demanda e o segundo é que muitas das pessoas que procuram essas vagas não possuem o nível técnico esperado”, explica.

As alternativas para o setor ampliar o quadro de contratações, segundo Santana, passam por iniciativas de longo prazo, com o trabalho de disciplinas de lógica desde o ensino fundamental, a estratégias para inserção de novos profissionais no através da capacitação de base. “Essas pessoas não chegam no nível esperado, mas elas entram no setor e dali vão se capacitando para ocupar outras vagas”, explica.

EVOLUÇÃO DO EMPREGO POR SETOR DE ATIVIDADE ECONÔMICA    
ESTADO: SANTA CATARINA   MUNICÍPIO: FLORIANÓPOLIS    
             
 SETEMBRO/2018NO ANO **EM 12 MESES ***
             
SETORESTOTAL ADMIS.TOTAL DESLIG.SALDOVARIAC. EMPR % *TOTAL ADMIS.TOTAL DESLIG.SALDOVARIAC. EMPR %TOTAL ADMIS.TOTAL DESLIG.SALDOVARIAC. EMPR % 
             
EXTRATIVA MINERAL4135,56156918,751610611,76
             
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO239262-23-0,372.4252.3231021,653.1012.9441572,56
             
SERV INDUST DE UTIL PÚBLICA9341521,01329429-100-1,89480638-158-2,95
             
CONSTRUÇÃO CIVIL263311-48-0,673.3372.8824556,814.0073.7782293,32
             
COMÉRCIO1.7351.801-66-0,1914.96916.963-1.994-5,4722.86222.2536091,80
             
SERVIÇOS4.2463.9093370,2742.31641.7475690,4656.26355.3089550,78
             
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA6141200,75469445240,90724741-17-0,63
             
AGROPECUÁRIA2431-7-1,88199182174,74258285-27-6,70
             
TOTAL6.6656.3972680,1564.05964.977-918-0,5187.71185.9571.7540,99
FONTE: MTE-CADASTRO GERAL DE EMPREGADOS E DESEMPREGADOS-LEI 4923/65
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