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Gean Loureiro diz que Colombo é omisso diante de avanço da maré no Sul da Ilha

Trecho afetado pela erosão pode atingir adutora da Casan que abastece 150 mil residências no Leste e Sul da Ilha; governo diz que tem que esperar maré baixar

Fábio Bispo
Florianópolis
02/10/2017 às 08H30

O avanço da maré no sobre os balneários de Florianópolis chegou a um dos seus pontos mais críticos neste fim de semana. No Sul da Ilha, na praia do Caldeirão, entre o Morro das Pedras e Armação, o mar está a poucos metros de alcançar a rodovia SC-406. Postes de energia que correm risco de cair serão removidos pela Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) já na próxima terça-feira (3). Mas a situação mais crítica está no risco de rompimento de uma adutora da Casan (Companhia de Águas e Saneamento) que passa por baixo da rodovia e que abastece os bairros do Sul e do Leste da cidade.

Na manhã de domingo (1º), o prefeito Gean Loureiro (PMDB) esteve no local acompanhado de equipes da Defesa Civil do município e criticou o que chamou de “omissão do governador Raimundo Colombo” para autorizar o enrocamento emergencial para conter a destruição. Segundo o prefeito, a Defesa Civil já fez vistorias no local e a indicação emergencial seria a construção de muro de pedras para conter a erosão que avança sobre o único acesso asfaltado ao Sul da Ilha.

Entre o Morro das Pedras e Armação, o mar está a poucos metros de alcançar a rodovia - Marco Santiago/ND
Entre o Morro das Pedras e Armação, o mar está a poucos metros de alcançar a rodovia - Marco Santiago/ND


A obra custaria R$ 400 mil e, segundo o prefeito, afastaria os riscos de rompimento da adutora: “Estamos há mais de duas semanas oficiando o Deinfra para tomar providências para estancar a erosão na via e até agora nada. Nem sequer apareceram nesta reunião para dar uma resposta. Não podemos esperar o Raimundo Colombo se licenciar para que a obra seja feita. É uma situação emergencial”, disse o prefeito.

Valter Galina, presidente da Casan, que também esteve no local, informou que o órgão vem monitorando diariamente a situação no local e que um plano emergencial será colocado em prática caso a adutora seja atingida. Ainda segundo Galina, se houver o rompimento, o custo para recuperação total da adutora de 400 milímetros custaria R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Filipe Melo, chefe da Casa Civil do município, também criticou a postura do governo do Estado. “O Deinfra está aplicando R$ 200 milhões na reforma da Ponte Hercílio Luz, não que a obra não seja importante, mas aqui temos uma prioridade que custaria R$ 400 mil aos cofres públicos”. O vereador Fábio Braga (PTB), que atua na região, disse que a Câmara vai cobrar ações do governo do Estado. “Não adianta o governador usar Florianópolis para fazer campanha e não resolver essa situação”, disparou.

Deinfra diz que tem que esperar a maré baixar

A preocupação com o avanço da maré no Sul da Ilha não é nenhuma novidade e existe desde 2008. Em 2010, a região vivenciou uma das piores ressacas que deixou um rastro de destruição na costa Sul da Ilha. Pelo menos 30 casas foram atingidas juntamente com mais de 1.700 metros da orla, na praia da Armação, e parte da restinga no Morro das Pedras.

Na época, também de forma emergencial, apesar da falta de EIA-Rima e de engenharia obrigatórios, foi feito enrocamento orla da Armação com parecer favorável da Procuradoria Geral da República em Santa Catarina em razão da situação de emergência.

Em 2014, o município anunciou contratação dos estudos exigidos pelo MPF (Ministério Público Federal) e Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), no entanto, a previsão para conclusão dos trabalhos é julho de 2018.

Por meio de nota, o presidente do Deinfra, Wanderley Agostini, disse que os engenheiros do departamento já estiveram no local para uma avaliação completa e que o órgão fez o pedido para a Celesc trocar os postes de energia naquele local. Agostini disse, ainda, que os engenheiros do Deinfra estão esperando a maré baixar para tomar as providências.

Com areia reduzida banhistas curtem praia Mole

O domingo (1º) ensolarado de primavera foi uma mostra de como deve ser a temporada de verão em boa parte das praias atingidas pela ressaca em Florianópolis. A praia Mole, onde o mar avançou mais de dez metros causando erosão na areia da praia, ficou lotada no domingo. O avanço da maré destruiu acessos à praia e um restaurante corre risco de desabar.

Na praia Mole, leste da Ilha, o mar também avançou e provocou erosão na areia da praia - Marco Santiago/ND
Na praia Mole, leste da Ilha, o mar também avançou e provocou erosão na areia da praia - Marco Santiago/ND


Além da Mole e do Caldeirão, as orlas de Canasvieiras, Ingleses e Brava também sofreram impactos da série de ressacas do mar. O geólogo Rodrigo Sato, voluntário da Defesa Civil de Florianópolis, diz que o avanço das marés é um fenômeno mundial e alerta que a municipalidade terá que construir uma política para tratar dos casos que prometem ser cada vez mais frequentes. Só este ano, entre maio e setembro, o fenômeno se repetiu com mais intensidade derrubando dezenas de postes caíram e atingindo pelo menos 68 imóveis.

“Nos últimos cinco mil anos o mar regrediu, agora ele está emergindo, num movimento natural. Em dois milhões de anos, a geologia nos mostra que já foram 20 ciclos desse a água já subiu 20 metros. Não sabemos até onde ele deve subir novamente, de 1831 até os dias atuais, o avanço do mar foi de 75 centímetros, algo muito significativo e que indica que ações devem ser tomadas”, explicou.

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