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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Fundação de Cultura de São José compra casarão histórico para evitar demolição

Intenção é transformar o local em um espaço cultural do município

Elaine Stepanski
Florianópolis
Rosane Lima/ND
José com a mulher Andreia Moreira e o cachorro da família no casarão onde viveu até o ano passado

 

>> Confira a galeria de fotos no fim desta matéria


Das telhas que ocasionavam as goteiras à biblioteca que se debruçava para fazer um dos seus hobbys: ler. Cada detalhe da antiga morada deixará saudades em José Henrique Moreira, 65 anos, que viveu no Casarão da Família Moreira, em São José, por quase toda a vida. O imóvel, um dos 23 bens tombados pelo município, foi desapropriado na última semana. O prédio foi adquirido no valor de R$ 1 milhão pela prefeitura, que pretende restaurá-lo para abrigar um espaço cultural.

Apesar de ter desocupado a casa no ano passado, os móveis e pertences de Moreira continuam na casa, alimentando as lembranças de uma infância e vida adulta cheias de vida e histórias para contar. “É uma despedida triste porque faltou apoio para manter a casa. A falta de segurança também fez com que precisasse colocar alguém para cuidar da casa, porque chegava aqui e sofria com ameaças, tinha medo do que podia acontecer enquanto não estava presente”, conta Moreira, um dos três herdeiros. Atualmente, ele vive em uma casa alugada em um espaço de 20 m2 com a mulher.

Situado na rua Getúlio Vargas, 2870, no Centro Histórico de São José, o Casarão da Família Moreira foi adquirido pelo avô de José Moreira, Jaú Guedes da Fonseca, em 1930. Na época, Fonseca era secretário particular de Nereu Ramos, um dos políticos mais influentes do Estado, governador de Santa Catarina entre 1935 e 1945 e presidente interino em 1955. Por isso, o local foi passagem de uma vida social intensa. Apesar de ser pequeno, José lembra com carinho do carro com bandeirinhas do governo em que o pai chegava em casa.

As lembranças da morada são de uma vida feliz, de três gerações que viveram ali. O avô, os pais e a família que formou posteriormente. Do casarão, José Moreira avistou os primeiros progressos, como o calçamento da rua e o aumento progressivo da comunidade. “Era muito pacato. Nós sentávamos na rua e brincávamos de contar carros. Em uma hora, avistávamos uns dez veículos. Era totalmente diferente de hoje em dia”, lembra.

As lembranças estão vivas também quando se trata das lendas que alimentam o imaginário josefense. Entre eles, lembra do aparecimento de fantasmas nos casarões e em todos os arredores do Centro. “Principalmente depois do Casarão, próximo ao cemitério tinha muitos fantasmas, de verdade”, brinca o aposentado.

Para evitar que a história se perca

O superintendente da Fundação de Cultura de São José, Carlos Eduardo Martins, diz que a medida de desapropriação é um passo importante para proteger os patrimônios do município e para quem não ocorram demolições desnecessárias, como a ocorrida em 2010, na calada da noite, para servir de estacionamento do Clube Maré Alta. Na ocasião, um casarão do século 19 foi ao chão para a construção de um estacionamento. O imóvel constava da lista de bens tombados por lei como patrimônios históricos e culturais. Outro prédio antigo que também foi ao chão é o casarão da família de Max Hablitzel, na Fazenda Santo Antônio. O fato ocorreu em 2011, quando estava em processo de tombamento. Dos 21 imóveis que restaram, 10 estão com particulares e empresas privadas. 

Restauro à vista

A edificação que fica acima do nível da via e conta com uma base de pedra e cobertura de telha colonial tem três destinos em estudo. A certeza é que será voltado para a cultura. Pode se tornar um centro de ofícios para formações artísticas, uma galeria de arte ou ainda virar a sede da Fundação de Cultura, já que a atual é alugada. “Neste primeiro momento, estamos cuidando da parte de limpeza. Depois, iremos buscar recursos para o restauro e decidir qual será o destino do prédio. Foi um investimento muito importante para o município, de investimento na causa histórica. Era um prédio que precisava muito de cuidados, e como os proprietários não tinham mais condições de manter, fizemos essa negociação”, explica o superintendente da Fundação de Cultura de São José, Carlos Eduardo Martins.

Nos próximos dias, uma equipe da prefeitura fará uma limpeza no local e também garantirá o fechamento do prédio para que o imóvel não seja alvo de depredação e ocupação irregular. A ideia é que a edificação traga, num futuro próximo, mais cultura para a população josefense.

 

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