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"Funciona como uma firma”, diz delegado após operação que prendeu líderes de facção em SC

Membros da organização criminosa no Paraná e em São Paulo promovem ações em Santa Catarina e depois retornam ao Estado de origem, segundo delegado

Colombo de Souza
Florianópolis
20/04/2017 às 22H59
Das 112 pessoas na lista de mandados de prisão, 75% já estão presas - Joyce Reinert/ND
Das 112 pessoas na lista de mandados de prisão, 75% já estão presas - Joyce Reinert/ND


Duzentos policiais civis saíram nesta quinta-feira (20) para cumprir 112 mandados de prisão e 40 mandados de busca e apreensão em sete municípios de Santa Catarina: Florianópolis, São José, Laguna, Balneário Camboriú, Itajaí, Araquari e Joinville. Todas as medidas cautelares foram decretadas contra a facção paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), que tenta se estabelecer no Estado para ocupar pontos de drogas dominados pela facção catarinense PGC (Primeiro Grupo Catarinense).

De acordo com Antônio Cláudio Seixas Jóca, delegado da Draco (Divisão de Repressão Crime Organizado), da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), a investigação para entender o funcionamento da estrutura da facção criminosa começou há cinco meses. “É super organizada, com várias hierarquias e funciona como uma firma”, disse.

Neste período, Jóca identificou mais de 170 integrantes. A maioria cumpre pena em unidades prisionais do Estado. “Descobrimos que existe faccionados da organização no Paraná e em São Paulo que promovem ações em Santa Catarina e depois retornam para o Estado de origem”, explicou. Das 112 pessoas na lista de mandados de prisão, 75% já estão presas e foram notificados sobre a medida cautelar.

As prisões são temporárias, por um período de 30 dias. “É o tempo que solicitamos para nossa investigação”, afirmou o diretor da Deic, Adriano Krul Bini. Ele disse ainda que dependendo da evolução das investigações, algumas prisões temporárias serão convertidas em preventivas.

No comando da investigação, Jóca contou que está instaurando um “inquérito mãe” sobre a movimentação da facção. As informações serão compartilhadas com as delegacias de cidades onde ocorreram ações praticadas pelo crime organizado.

Lideranças de facção são capturadas

Em Florianópolis e São José foram capturados 12 alvos. O mais importante, que ocupa um lugar de destaque na organização, pois é um dos líderes do PCC, é Cristiano Ribeiro de Oliveira. Ele foi localizado na comunidade do Papaquara, no Norte da Ilha. Oliveira portava a cobiçada pistola Jericho 9 mm municiada. “Ele é considerado o patrão no Papaquara. É ele quem comanda os pontos de droga na comunidade”, disse o delegado Antônio Cláudio Seixas Jóca.

Outra liderança da facção que exercia forte influência na comunidade Novo Horizonte, no bairro Monte Cristo, região continental de Florianópolis, foi presa em Laguna, no Sul do Estado. Segundo o delegado, o suspeito é investigado em homicídio ocorrido na Novo Horizonte em 2016. Em Balneário Camboriú, os policiais também prenderam outro integrante do PCC investigado em assassinato em Chapecó.

>> Líder de facção é preso no Papaquara durante megaoperação da polícia em Florianópolis

Funcionamento da organização foi detalhado durante entrevista coletiva na sede da Deic - Joyce Reinert/ND
Funcionamento da organização foi detalhado durante entrevista coletiva na sede da Deic - Joyce Reinert/ND



Resposta às ações criminosas

O funcionamento da organização foi detalhado durante entrevista coletiva na sede da Deic, com a participação do secretário de Estado de Segurança Pública, César Grubba, e a cúpula da Polícia Civil. Questionado sobre a movimentação policial, Grubba afirmou que é uma resposta às ações criminosas que vem ocorrendo no Estado. Ele enumerou algumas prisões consideradas importantes e afirmou que os suspeitos dos atentados nas 7ª e 8ª DPs, que ocorreram em fevereiro deste ano, também foram capturados.

Grubba voltou a afirmar que o carro-chefe da organização é o tráfico de drogas e armas, e alertou para o alto consumo de entorpecentes em Florianópolis. Ao se referir sobre a quantidade de armas potentes apreendidas com traficantes, o secretário repetiu: “É necessário uma fiscalização mais rígida nas fronteiras. Muitas armas entram pelo Paraguai e chegam em Santa Catarina pela BR-282”.

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