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Fortalecer saneamento é desenvolver cidades, afirma o professor Marcos Von Sperling

Ele é um dos convidados do Congresso Catarinense de Saneamento que começa nesta quarta-feira em Florianópolis

Felipe Alves
Florianópolis
04/06/2018 às 21H27

Entre quarta-feira (6) e sexta-feira (8) Florianópolis receberá especialistas e pesquisadores ligados à água e ao esgoto para debater soluções sustentáveis para o país. Especialistas da Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal e Brasil estarão reunidos na segunda edição do Concasan (Congresso Catarinense de Saneamento). Um dos convidados é Marcos Von Sperling, principal autor brasileiro sobre tratamento de esgotos. Ele chama a atenção para a necessidade de se discutir o tema pela importância sanitária, já que o país tem apenas 43% de tratamento de esgoto e 61% de coleta, segundo dados da ANA (Agência Nacional de Água). A prioridade deve ser o fortalecimento do saneamento como forma de desenvolver as cidades.

Gestão da água sustentável é um dos principais desafios do país - Flávio Tin/Arquivo/ND
Gestão da água sustentável é um dos principais desafios do país - Flávio Tin/Arquivo/ND


Professor do departamento de engenharia sanitária e ambiental da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Sperling vai tratar das novas abordagens sobre tratamento de esgoto. De acordo com ele, há uma variação muito grande no país em relação à coleta e tratamento de esgoto, sendo os Estados do Norte e Nordeste mais deficientes nestes quesitos. “Em números gerais, tratamos no Brasil apenas metade do esgoto que é coletado. Temos o grande desafio de aumentar esses índices de coleta e de tratamento de esgotos”, disse.

Outro desafio é em relação às ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto), que objetivam principalmente a remoção da matéria orgânica. “É preciso analisar também outros objetivos, como a remoção de nutrientes [nitrogênio e fósforo], e organismos patogênicos causadores de doenças”, afirmou. Os nutrientes causam o problema de eutrofização, ou seja, do crescimento excessivo de algas, e os organismos patogênicos, quando lançados nos cursos d’água, podem causar problemas de saúde pública.

De acordo com Sperling, os indicadores de esgoto têm melhorado ano a ano no país em termos de cobertura, mas a principal dificuldade é financeira, pois os recursos de saneamento competem com diversos outros recursos do país. “Mesmo dentro do saneamento muitas vezes se considera que o abastecimento de água seja prioritário. Mas é uma visão equivocada, por que quando fornecemos água para a população temos automaticamente a geração de esgotos. Temos que dar a solução adequada, do ponto de vista ambiental e de saúde pública”, pontuou. 

Tratamento de efluentes, lixo zero e controle de água em pauta

A segunda edição do Concasan debaterá as soluções urgentes para o desenvolvimento sustentável das cidades do país. Estarão em pauta temas ligados à água e ao esgoto, discutidos por nomes fundamentais da cena mundial em pesquisa e implementação de projetos do setor e em desenvolvimento sustentável. Entre os temas urgentes em Santa Catarina estão o tratamento de efluentes e o controle da poluição, o controle e redução de perdas de água e a questão do lixo zero. O evento é organizado pelo Senge-SC (Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina) e pela Casan.

Na abertura do evento, nesta quarta-feira, a portuguesa Sofia Cordeiro, do gabinete nunicipal de meio ambiente de Lisboa, apresenta os princípios para as Water Wise Cities (cidades conscientes na gestão da água). Responsável pela implementação do programa da IWA (International Water Association) na capital portuguesa, Sofia compartilhará as ações que a cidade europeia está desenvolvendo para tornar a gestão da água sustentável. A questão do lixo também ganha atenção com uma plenária exclusiva sobre lixo zero.

Índice de cobertura de esgoto no Brasil

Coleta

  • Santa Catarina: 33%
  • Paraná: 65%
  • Rio Grande do Sul: 54%
  • Média no Brasil: 61%

Tratamento

  • Santa Catarina: 24%
  • Paraná: 64%
  • Rio Grande do Sul: 26%
  • Média no Brasil: 43%

Fonte: Atlas Esgotos – despoluição de bacias hidrográficas, da Agência Nacional de Águas

SERVIÇO

O quê: 2º Congresso Catarinense de Saneamento (Concasan)

Quando: 6, 7 e 8 de junho

Onde: Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira, SC-401, Canasvieiras, Florianópolis

Informações e programação: http://concasan.com.br

Programação

Quarta-feira

  • 9h às 14h: Credenciamento
  • 14h às 15h: Solenidade de abertura (governador do Estado, prefeito de Florianópolis, presidente da Casan e demais autoridades).
  • 15h às 15h30: Abertura da feira
  • 15h30 às 17h: Palestra magna - Water Wise Cities – Princípios para cidades conscientes na gestão da água, o caso de Lisboa. Sofia Cordeiro, do gabinete de meio ambiente da cidade de Lisboa
  • 18h às 21h: Conferência Municipal de Saneamento de Florianópolis

Quinta-feira

  • 08h30 às 10h30: Sessões técnicas
  • 10h30 às 12h: Plenária sobre gestão e recarga de aquíferos, com Gustavo Athayde (UFPR), Nilson Guiguer (UFSC) e Sandy Scott-Roberts (OCWD – California, EUA).
  • 14h às 16h30: Sessões técnicas.
  •  16h30 às 18h: Painel Abes: controle e redução de perda da água, com Adalberto Cavalcanti Coelho (Compesa-PE) e Mário Baggio (Water Database - Brasil)

Sexta-feira

  • 08h30 às 10h30: Sessões técnicas
  • 10h30 às 12h: Plenária sobre novas abordagens sobre tratamento de esgoto, com Marcos Von Sperling (UFMG) e Carlos Arias (Aahrus University, Dinamarca).
  • 14h às 16h30: Sessões técnicas
  • 16h30 às 18h: Construindo uma cidade lixo zero, com Richard Anthony (EUA), fundador da Zero Waste International Alliance, e Mal Willians (Reino Unido), diretor executivo do The Zero Waste International Trust.
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