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Florianópolis tem o único curso superior em acupuntura reconhecido pelo MEC

Com aulas práticas em todos os semetres e uma viagem de estudos à China, egressos receberão dois diplomas

Andréa da Luz
Florianópolis
21/09/2018 às 21H03

A capital de Santa Catarina tem o primeiro e único curso superior em acupuntura reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação). Oferecido pelo Cieph (Centro Integrado de Estudos e Pesquisas do Homem), no bairro Coqueiros, o curso tem como princípios a promoção de habilidades para observar, diagnosticar, planejar, intervir e acompanhar os processos de prevenção, manutenção e reabilitação da saúde a partir da terapêutica acupuntural tradicional da Medicina Chinesa.

O curso é aberto a todos os interessados com ensino médio completo. Para ingressar, é preciso agendar horário para fazer o vestibular, similar aos que já existem em outras faculdades, porém não tão extenso como o da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), por exemplo. A duração é de três anos e meio, com uma carga horária de 2800 horas, divididas entre disciplinas obrigatórias e optativas, atividades complementares e prática clínica que começa já na primeira fase.

No último semestre, os estudantes devem participar de uma viagem de 20 dias à China, onde poderão praticar a técnica em hospitais chineses conveniados. Ao término do curso, os aprovados receberão dois diplomas: um expedido pelo MEC, válido em todo o território nacional, e outro expedido pela Federação Mundial de Acupuntura na China.

Como surgiu

O curso de graduação em acupuntura é fruto de um sonho idealizado pelo professor Marcelo Fabian Oliva, natural de Córdoba, na Argentina. Acupunturista desde 1985 e radicado no Brasil desde 1988, o professor veio para Florianópolis fazer alguns cursos e acabou ficando por aqui. Além da acupuntura, também ensinava a arte marcial Pa-kua, da qual se afastou em 2010.

Após clinicar por alguns anos, juntou-se a um grupo de terapeutas com a finalidade de criar um curso de terapias naturais com foco na medicina chinesa, que acabou resultando no Cieph, em 1992. "O Centro começou como uma escola profissionalizante onde era oferecido o curso de acupuntura, do qual eu era o responsável, e em 2001 transformou-se em escola técnica", conta Oliva.

Professor Marcelo Fabian Oliva coordena curso de graduação em acupuntura no Cieph, em Florianópolis - Marco Santiago/ND
Professor Marcelo Fabian Oliva coordena curso de graduação em acupuntura no Cieph, em Florianópolis - Marco Santiago/ND


Apenas em 2011 o centro virou uma faculdade, com a criação de um curso de estética e cosmética natural, também com base na medicina chinesa e que já incluía técnicas de acupuntura, massagens etc. Segundo o docente, desde o início a ideia era oferecer um curso de graduação em acupuntura, mas isso só foi possível em janeiro de 2015, quando o MEC abriu uma lista de cursos novos e incluiu a acupuntura entre as especialidades.

"Já tínhamos tentado abrir o curso, mas o MEC nunca concordava, nem queria ouvir falar em terapias naturais. Aí quando apareceu a chance, encaminhamos todo o projeto que já estava pronto. Mesmo assim, levou quase quatro anos até a aprovação final, contando com o apoio do governo de Santa Catarina para intermediar as negociações, sendo que o tempo médio para aprovar novos cursos é de um ano e meio", diz o professor.

A primeira turma da graduação em acupuntura deve iniciar em 1º de outubro deste ano, com 40 vagas no período vespertino e outras 40 no noturno.

"O próximo passo deve ser a abertura de cursos semelhantes em outras instituições e Estados do país, o que é muito bom porque cada região tem um perfil diferente de profissional a ser formado", avalia o professor.

De acordo com  Oliva, o perfil profissional está vinculado a três aspectos: etnia, clima e alimentação. "Esses fatores mudam de uma região para outra do país, por isso um curso pensado para São Luís do Maranhão será diferente do curso ofercido em Florianópolis", afirma. "Aqui na Ilha, onde o clima é bem úmido, são comuns as dores articulares e fibromialgias. Em Santa Catarina, onde há prevalência das etnias e culinária alemã e italiana, são comuns o excesso de peso, distúrbios do sono, dores de cabeça... então as enfermidades e sintomas mudam de acordo com esses três fatores", explica. "O clima também influencia muito. Já levei alunos para a China em
diferentes estações do ano e ficou bem visível as patologias do frio (dores articulares, nos ossos, paralisias faciais) e do verão (problemas de pele, circulatórios, etc)", conclui.

Além do caráter regional, que vai demandar diferentes técnicas, a implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) em 2006, pelo MS (Ministério da Saúde), acaba ampliando o campo de atuação do profissional de acupuntura. A atividade foi incorporada às práticas integrativas disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde) em 2017.

Atualmente, segundo o MS, são oferecidos 29 procedimentos e a acupuntura é a prática mais difundida com 707 mil atendimentos e 277 mil consultas individuais. Em segundo lugar, estão as práticas de medicina tradicional chinesa com 151 mil sessões, como tai-chi-chuan e liangong, seguida da auriculoterapia, com 142 mil procedimentos.

Benefícios

A acupuntura é uma modalidade terapêutica milenar que utiliza a inserção de agulhas (e outros instrumentos) em pontos energéticos do corpo para liberar substâncias químicas no corpo, de efeito analgésico ou anti-inflamatório. Ao longo dos anos, tem sido usada para tratar e prevenir dores e doenças nos sistemas muscular, esquelético, respiratório, neurológico e digestório, além de ajudar no tratamento da obesidade, depressão, estresse e problemas dermatológicos.

As agulhas são de aço inoxidável e flexível, descartáveis, com pontas ovais e não cortantes e de diâmetros muito finos (de 0,2mm a 0,3mm), sendo até 10 vezes mais finas que as agulhas de injeção.

O estudante Marcelo Lunardi Carreño, conta que viu tanto resultado na técnica que resolveu fazer o curso, que concluirá este ano. Ele se trata com acupuntura há mais de dez anos e, através dela, conseguiu se livrar das dores provocadas por seis hérnias de disco (três na coluna cervical e três na lombar) e evitar uma provável cirurgia. "Também curei sinusite e gastrite e virei fã da técnica, tanto que hoje estudo para me formar acupunturista", revela.

Marcelo Lunardi Carreño se livrou das dores provocadas por hérnias de disco com a acupuntura - Marco Santiago/ND
Marcelo Lunardi Carreño se livrou das dores provocadas por hérnias de disco com a acupuntura - Marco Santiago/ND


Ela também pode ser usada na estética, pois estimula a produção de colágeno e elastina e aumenta o fluxo energético e sanguíneo para o rosto. A pele ganha firmeza e tônus muscular, os poros ficam mais fechados e ocorre uma melhora na tonalidade.

Ao melhorar a circulação sanguínea e linfática, também melhora o bem-estar em todo o corpo, favorecendo noites de sono mais tranquilas e, consequentemente, domínio e controle do estresse e da ansiedade.

Mais informações no site do curso.

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