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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Acompanhe em tempo real a 9ª Parada da Diversidade de Florianópolis

Cobertura do evento, cujo tema é “Amar é um direito de todos”, pode ser vista no Twitter do ND Online

Elaine Stepanski
Florianópolis

megahair com as madeixas loiras e longas, a faixa rosa e as oito opções de roupas estão separadas, assim como um sapato alto que a embaixatriz Carla Camuracci, 57 anos, utilizará para desfilar na 9ª Parada da Diversidade de Florianópolis, considerada a terceira maior festa da diversidade do Brasil. Carla é uma participante fiel do evento, que ocorre neste domingo (6), na Avenida Beira-Mar Norte. De acordo com dados estimados da Fecomércio/SC, a parada deve reunir em torno de 40 mil pessoas. A organização é ainda mais otimista e espera que o número de participantes chegue a 100 mil.

Marco Santiago/ND
Sol apareceu pouco depois das 16h após dia de chuva em Florianópolis


A parada tem como tema este ano “Amar é um direito de todos”. A principal atração será a apresentação da cantora Wanessa Camargo. A edição será embalada ainda por DJs e trios elétricos, e uma marcha rumo ao trapiche da Beira-Mar Norte, além de uma performance da transformista Kit Kitana.

Para Audenir Carvalho, um dos voluntários do evento, a parada é mais do que um encontro da diversidade. “É um protesto feito com alegria, sem violência. É um momento de comemoração porque temos muito a comemorar, mas também muita coisa precisa ser feita, e por isso a nossa luta continua”, diz.

Eduardo Valente/ND
Carla Camuracci preparou o megahair, a faixa e oito opções de roupas para a parada



Carvalho salienta ainda a importância turística do evento, em uma época que os hotéis não recebem muitos visitantes. “O evento tornou a cidade ainda mais conhecida, e movimenta a economia em uma época que a cidade não é tão visitada”, afirma.

A primeira edição ocorreu de forma isolada em 1996, quando Carvalho trouxe para a cidade uma passeata que reuniu em torno de 300 pessoas. “Foi uma iniciativa que fizemos na cidade, que sempre acolheu bem as pessoas independentes da opção sexual que elas têm”, conta.

Na época, o voluntário disse que não esperava tamanha adesão. “Achávamos que seríamos apenas nós na rua. Costumo brincar que é um filho que vimos nascer, crescer e hoje está adulto, sobrevive sozinho e é reconhecido”, diz.

Últimos preparativos

Com inúmeras entrevistas agendadas, roupas e produções, a cabeleireira e atriz Carla Camuracci ainda arruma um espaço na agenda lotada para produzir outras pessoas para a Parada da Diversidade. São 15 clientes agendadas.

O motivo de tanta empolgação vem do objetivo maior do evento, que é continuar conquistando mais direitos. “A um mês do evento bate aquele crise de nervos. É um evento que abriu portas para muita gente e que deveria ter acontecido há mais tempo. Muitas pessoas confundem com um Carnaval fora de época, mas não, é um momento para protestarmos, pedirmos principalmente por mais respeito. Só que fazemos isso de forma alegre, porque somos alegres”, afirma.

Com um currículo invejável, inúmeros concursos de beleza e prêmio até como atriz revelação, a primeira travesti a se formar como cabeleireira no Senac conta que a caminhada foi dura e cheia de obstáculos, mas nunca desistiu. “Sempre foquei no meu objetivo. Muita coisa melhorou, mas tudo com muito trabalho. Eu tive que lutar 25 anos para trocar meu nome na carteira de identidade, e somente agora aos 57 anos é que consegui. Tudo porque não optei por realizar a cirurgia de mudança de sexo”, conta.

Para Carla, ser mulher está no espírito e não em mudanças físicas. “Sempre foi algo natural. Desde criança só tive lado feminino”, afirma.

SERVIÇO

Quando: domingo, das 14h às 23h
Local: Avenida Beira-Mar Norte – do Koxixo´s ao trapiche
Atrações: 20 food trucks, cinco trios elétricos, banda regional Entre Elas e show da cantora Wanessa Camargo, às 21h

 

:: Acompanhe a Parada em tempo real

 

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