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Florianópolis quer voltar a ser parada de cruzeiros com escala teste neste sábado

Maior cruzeiro em circulação pela América do Sul nesta temporada, o MSC Preziosa chega às 9h na praia de Canasvieiras

Felipe Alves
Florianópolis
23/03/2018 às 21H11

Com a expectativa de retornar ao mercado náutico e estimular a economia e o turismo, Florianópolis recebe neste sábado uma escala teste com o maior navio em operação na América do Sul nesta temporada. O MSC Preziosa atraca na Ilha por volta das 9h, no trapiche de Canasvieiras, e segue viagem às 18h, para Balneário Camboriú. É a tentativa de retomada da cidade em fazer parte de um mercado que, só em 2016, movimentou R$ 1,6 bilhão em todo o país.

Estrutura no trapiche de Canasvieiras foi montada especialmente para receber os turistas do MSC Preziosa - Marco Santiago/ND
Estrutura no trapiche de Canasvieiras foi montada especialmente para receber os turistas do MSC Preziosa - Marco Santiago/ND



Florianópolis deixou de ser ponto de parada de cruzeiros em 2009. Cidade turística e tecnológica, conhecida internacionalmente por suas praias e belezas, Florianópolis ganhou também a fama de estar “de costas para o mar” devido à falta de incentivo em estimular o setor náutico. Prefeitura e governo do Estado querem retomar essa vocação para, na próxima temporada, receber pelo menos dez cruzeiros. “Temos que fazer um teste muito bem feito neste sábado para que possamos retomar com força Florianópolis como rota de cruzeiros para a temporada 2018/2019”, diz o superintendente de Turismo da Capital, Vinícius de Lucca Filho.

Além da prefeitura e do governo do Estado, a liberação teste para a chegada do MSC Preziosa contou também com a articulação federal. Para o presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Vinícius Lummertz, a reinserção de Florianópolis nas rotas de cruzeiros ajuda a vencer a sazonalidade turística da Capital e fomenta a economia, já que cada temporada começa em novembro e só termina em abril. “Os cruzeiros trazem turistas que muitas vezes não viriam a Florianópolis e passam a ter um gostinho da cidade. A partir dessa recepção, eles poderão retornar a Florianópolis. É uma receita direta muito boa”, destaca.

Navio ficará ancorado a 4.400 metros da praia

O MSC Preziosa chega a Florianópolis com capacidade máxima de lotação (4.345 pessoas). A expectativa da prefeitura é de que 70% dos passageiros desembarquem para conhecer e aproveitar o dia na cidade. Com gasto médio de R$ 566 nas cidades em que desembarcam, os turistas costumam desembolsar principalmente com compras, presentes, alimentos e bebidas.

A prefeitura preparou uma operação especial em Canasvieiras para receber bem os turistas. O navio ficará ancorado a 4.400 metros da praia. No trapiche, uma estrutura foi instalada para que os pequenos tenders (embarcações) que saem do navio (levando grupos de 300 passageiros) possam ancorar com mais facilidade.

Quando desembarcarem, os visitantes terão à disposição informações turísticas e mostras de artesanato. Uma empresa local de venda de passeios comercializa dentro do navio pacotes para visitar o Centro Histórico, Santo Antônio de Lisboa e Joaquina. A Polícia Militar cuidará da segurança e a Guarda Municipal do trânsito.

Novos pontos na cidade serão mapeados

Apostando no sucesso da escala teste, a prefeitura já pensa a médio e longo prazo em fazer de Florianópolis um ponto também de embarque e desembarque de passageiros (o chamado alfandegamento). “Queremos receber mais navios da MSC e de outras operadoras e tornar a cidade um ponto perene”, afirma o superintendente de Turismo Vinícius de Lucca Filho.

Para Leandro Ferrari, presidente da Acatmar (Associação Náutica Brasileira), Santa Catarina pode voltar a ser uma grande rota de transatlânticos e, inclusive, ter minicruzeiros dentro do próprio Estado, com trajetos que incluam Florianópolis, Balneário Camboriú, Porto Belo, Itajaí e São Francisco. “Isso gera emprego, renda, turismo e atratividade para o próprio Estado, que ganha com divulgação mundial”, diz.

Para conseguir a liberação de uma escala teste, a prefeitura contou com a ajuda do governo do Estado, responsável por fazer os testes de batimetria na região de Canasvieiras (ao custo de R$ 16 mil). De acordo com Ferrari, que também é gerente de infraestrutura aquaviária da Secretaria de Estado de Infraestrutura, a batimetria é um raio-X do fundo do mar, que leva em conta a profundidade, maré e tamanho do navio, para verificar a possibilidade de atracação no local. Capitania dos Portos e Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) liberaram a escala.

Paralelo à escala teste, a prefeitura se mobiliza visando a temporada 2018/2019 para tentar conseguir a liberação definitiva. Tramitam na Antaq dois projetos com esta finalidade e há ainda um pedido feito ao Ministério do Turismo para tentar custear o levantamento hidrográfico da cidade (mais amplo que a batimetria) para identificar outros pontos de atracação.

Luxo e modernidade em 139 mil toneladas

Lançado em 2013, o MSC Preziosa é o navio mais novo da frota da suíça MSC Cruzeiros. A embarcação impressiona pelo luxo, modernidade e grandiosidade. Com capacidade para 4.345 passageiros e 1.370 tripulantes, o navio tem 18 andares, 139 mil toneladas, 38 metros de largura e 333 metros de comprimento. A velocidade máxima é de 24 nós (45 km/h).

MSC Preziosa, que vem a Florianópolis, tem 18 andares e 333 metros de comprimento - Divulgação MSC/ND
MSC Preziosa, que vem a Florianópolis, tem 18 andares e 333 metros de comprimento - Divulgação MSC/ND



A estrutura conta com quatro piscinas (com um dos maiores tobogãs do mundo a bordo de um navio), 12 jacuzzis, cassino, boliche, cinema 4D, discoteca panorâmica, teatro com capacidade para 1.600 pessoas e espaço para SPA. Na parte de gastronomia, são dez restaurantes e 20 opções de bares e lounges. Um deles tem uma escadaria feita com cristais Swarovski. A primeira classe do navio tem serviços e instalações exclusivas, como cassino completo, restaurante Eataly, piscinas e hidromassagem, mordomo e serviço de concierge 24 horas.

Aumento de 15% em leitos na temporada 2017/2018

O ápice do mercado de cruzeiros no Brasil se deu entre 2009 e 2013 – tanto em número de navios quanto de pessoas embarcadas. A temporada 2010/2011 chegou a ter 20 navios na costa brasileira e quase 800 mil passageiros. Os últimos anos foram de queda nestes aspectos, mas a temporada 2017/2018 trouxe novas expectativas, de acordo com dados da Clia Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Apesar de manter o número de navios em deslocamento pela costa (sete), houve um aumento de 15% na oferta de leitos em relação à temporada 2016/2017, de 393 mil para 431 mil. Outra novidade da temporada foi a inclusão de Balneário Camboriú como novo destino – no modelo de teste, como Florianópolis.

Perfil e impactos econômicos no Brasil

Temporada de 21 de novembro de 2016 a 18 de abril de 2017

Sete navios realizaram rotas pelo país para 13 destinos (Santos, Rio de Janeiro, Búzios, Salvador, Ilha Grande, Ilhabela, Ilhéus, Recife, Maceió, Angra dos Reis, Porto Belo, Cabo Frio e Fortaleza), além de outros 13 locais da América do Sul

Houve uma redução na temporada 2016/2017 do número de viajantes comparado à temporada anterior. Nos sete navios, viajaram na última temporada 358.024 pessoas. Desde a temporada 2005/2006, esse foi o menor número de viajantes, devido à condição desfavorável da economia do país

O setor movimentou R$ 1,607 bilhão na temporada

O impacto médio gerado por cada cruzeirista nas cidades de escala é de R$ 559,80. Eles gastam principalmente com compras e presentes (comércio, R$ 262), e alimentos e bebidas (R$ 257)

Perfil dos cruzeiristas: 59,8% são do sexo feminino, 55% são casados, 20,2% têm entre 45 e 54 anos, 51,4% têm ensino superior e 56,6% têm renda familiar acima de R$ 5 mil

A costa sul fica em segundo lugar na preferência dos cruzeiristas (16%), atrás da costa nordeste (58,1%)

94,4% dos cruzeiristas desceram em pelo menos uma escala do roteiro

Do total de cruzeiristas da temporada passada, 90% eram brasileiros. Destes, 54,9% de São Paulo, 16% do Rio de Janeiro, 6,3% de Minas Gerais, 4,8% do Rio Grande do Sul e 18% de outros lugares

Fontes: Clia e FGV

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