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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Flanelinhas intimidam e ameaçam até monitores da Zona Azul no Centro de Florianópolis

Com medo, quem trabalha nas ruas prefere não falar sobre o assunto. Guarda Municipal e PM dizem garantir a segurança dos funcionários, e Dom Parking afirma que casos são pontuais

Elaine Stepanski
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Guardador de carro aborda monitora da Zona Azul, na rua Bulcão Viana


Ameaçar motoristas ou intimidá-los com a cobrança de estacionamento é uma ação diária dos flanelinhas e uma prática conhecida para quem precisa parar o carro nas ruas do Centro de Florianópolis, conforme foi denunciado pelo Notícias do Dia na edição de 26 de agosto deste ano. Mas as ameaças dos guardadores de carro têm ido além. Eles intimidam até funcionários da Dom Parking, empresa que administra a Zona Azul. Os monitores dificilmente denunciam a prática ou falam sobre o assunto, com medo das consequências.

Na rua Bulcão Viana, próximo ao Instituto Estadual de Educação, é comum flanelinhas coagirem motoristas e funcionários da Zona Azul. Do início ao fim da rua são pelo menos cinco flanelinhas que se espalham em pontos estratégicos, agindo como se a rua fosse um estacionamento privado. Mesmo com o serviço da Zona Azul, são os flanelinhas que fazem a cobrança, muitas vezes sem a abordagem da monitora – que anda em sentido contrário quando eles intimidam os motoristas.

Ontem à tarde, a reportagem do ND flagrou por diversas vezes a cobrança indevida dos flanelinhas e a conversa em diversos momentos com uma monitora. Ameaçada pelos guardadores, ela não quis falar sobre o assunto.

De acordo com a Guarda Municipal, neste caso específico dos monitores da Zona Azul não há muitas reclamações, mas quando ocorrem eles recebem apoio instantâneo da equipe de segurança. “Coagir os condutores a contribuir é uma constante, e nós, juntamente com a PM, temos feito um trabalho de fiscalização. Mas o maior problema é que a vítima, na maior parte das vezes, não quer denunciar ou ir à delegacia, e então ficamos de mãos atadas. Se há denúncia vamos ao local, retiramos os flanelinhas, mas eles retornam”, afirma o subcomandante da Guarda, Alex Silveira.

Apesar de garantir a segurança dos monitores da Zona Azul ser uma tarefa da Guarda Municipal, o tenente-coronel Araújo Gomes, comandante do 4º Batalhão da PM, afirma que se necessário a Polícia Militar dá apoio, mas a denúncia não é comum. “Não temos recebido esse tipo de chamado pelo 190”, diz.

Dom Parking afirma que situação é pontual

Quando a empresa Dom Parking assumiu o serviço do estacionamento público na Capital, a dificuldade era maior, afirma a diretora de Operações Joice Garcia. Hoje, os casos, segundo ela, diminuíram de 80% a 90%. “Antes os monitores se incomodavam todos os dias, agora acontece em poucas regiões e em casos específicos. Quando isso acontece, acionamos a Guarda Municipal e eles prontamente nos auxiliam”, conta. Joice afirma que já aconteceram casos em que a Guarda encaminhou flanelinhas para a delegacia.

A diretora diz ainda que nestes casos de ameaças os monitores têm total liberdade para comunicar o problema à empresa, já que todos têm acesso a smartphones com linha direta aos supervisores. Outro fator que colabora para a segurança deles, de acordo com Joice, é a rotatividade dos monitores. “Ainda tem e é difícil acabar, mas diminuiu muito. Quando acontece se resolve com tranquilidade”, afirma. (Letícia Mathias)

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