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Ex-presidente FHC pôs termo polêmico em peça do PSDB

O termo "presidencialismo de cooptação" foi usado no programa do PSDB que causou o mais novo capítulo do racha no partido

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
19/08/2017 às 11H56

THAIS BILENKY, TALITA FERNANDES E MARCEL RIZZO

SÃO PAULO, SP, BRASÍLIA, DF, E FORTALEZA, CE (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o autor da inclusão do termo "presidencialismo de cooptação" usado no programa do PSDB que causou o mais novo capítulo do racha no partido. Indagado pela reportagem, o tucano disse que viu o roteiro antes da gravação e fez "uma correção". "Como havia uma crítica ao presidencialismo de coalizão, eu corrigi, dizendo que a crítica deveria ser ao 'presidencialismo de cooptação'", afirmou.

FHC - Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND
FHC incluiu o termo "presidencialismo de cooptação" no programa do partido - Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND



"Qual é a diferença? É que, neste último, dá-se uma relação com pessoas, mediada por nomeações e interesses pessoais, chegando aos financeiros", explicou. "O outro [presidencialismo de coalizão] supõe uma convergência de pontos programáticos em consequência de apoio aos quais se abrem espaços no governo." 

A menção incomodou tucanos e políticos de outros partidos que viram na crítica mais uma deixa para pedirem cargos federais que hoje estão com o PSDB. A peça de dez minutos foi ao ar na quinta-feira (17) em rádio e televisão e imediatamente agravou a crise interna no partido.

Ao fazer uma autocrítica e dizer que o PSDB errou ao deixar de lado suas origens e "ceder" ao fisiologismo, o vídeo despertou reação de três dos quatro ministros tucanos no governo de Michel Temer. Um deles, o chanceler Aloysio Nunes, disse que "o PT, do Lula ao mais modesto dos seus aderentes, deve estar dando gargalhadas diante desse enorme tiro que a direção interina do PSDB desferiu no nosso próprio pé".

O senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino do PSDB, reagiu às críticas nesta sexta-feira, em Fortaleza. "A polêmica é necessária. Quem faz autocrítica não espera que não haja uma determinada polêmica. É bom porque desperta, de todos, posições diferentes e eu acho que a população quer isso hoje." "Eu não me arrependo de nada. Tenho responsabilidade total pelo programa", disse ao responder sobre não ter ouvido correligionários sobre a peça antes de levá-la ao ar.

O publicitário Einhart Jacome, que elaborou o programa, disse que "a ideia era fazer um 'mea culpa', mas também trazer o PSDB de volta para os trilhos onde estava em 1988, quando foi criado para lutar contra o fisiologismo, na época contra o quercismo". Jacome trabalhou em campanhas de Tasso ao governo do Ceará e na reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

VOLTA DE AÉCIO

O programa reacendeu a movimentação de uma ala do PSDB para que Tasso deixe o comando e o senador Aécio Neves (MG), afastado desde maio, reassuma-o. Desde que tornou-se presidente interino, o senador cearense vem defendendo que o PSDB entregue os quatro ministérios que comanda.

Ministro tucano mais próximo do presidente Michel Temer, Antonio Imbassahy (PSDB-BA), da Secretaria de Governo, rebateu. O PSDB adotou "atitudes autoritárias e desagregadoras" ao escolher a narrativa, afirmou. A mensagem, como a de Aloysio, foi divulgada depois de uma conversa entre os ministros tucanos com Aécio.

Embora evite demonstrar publicamente que apoia a reação dos ministros, o Palácio do Planalto discute a reação do vídeo com eles. A ala que defende a volta do Aécio entende que ele deveria reassumir rapidamente o comando do PSDB para escolher um novo interino.

O fato de o tucano ser alvo de uma denúncia entregue ao Supremo Tribunal Federal, por corrupção e obstrução de Justiça no caso JBS, é visto como um impeditivo para que permaneça como presidente. O senador mineiro se licenciou do cargo em maio, logo após ter sido divulgado um áudio em que ele pede ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, R$ 2 milhões.

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