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FHC defende Aécio e acusa imprensa de prestar 'mau serviço ao país'

Em vídeo divulgado nesta sexta, Aécio diz que jamais foi acusado por delatores de solicitar caixa dois

Folha de São Paulo
Florianópolis
03/03/2017 às 21H20

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou nota na tarde desta sexta-feira (3) na qual defende o senador Aécio Neves (PSDB-MG), diz que o mineiro não pediu recursos ilegais e acusa a imprensa de ter sido "usada por quem não é criterioso", prestando, dessa forma, "um mau serviço ao país".

No texto, FHC diz que se criou uma "notícia alternativa" com a difusão da tese de que Aécio pediu recursos de caixa dois para a campanha eleitoral. "O senador não fez tal pedido", ressalta FHC. Mais adiante, porém, ele diz que "há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois" e quem "obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção".

FHC - Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND
Em nota, FHC afirmou que noticiário foi distorcido - Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação/ND


A nota de FHC fala sobre a divulgação de que, em depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), um dos executivos da Odebrecht afirmou que a empreiteira deu R$ 9 milhões em caixa dois ao PSDB. Segundo o delator, os recursos foram liberados após um pedido de Aécio.

"Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem 'noticias alternativas' para confundir a opinião pública", diz FHC no início da nota. "A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao país."

Para o ex-presidente, o noticiário foi distorcido. "Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados. O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE", afirma Fernando Henrique.

O ex-presidente, aliado de Aécio e presidente de honra do PSDB, diz que "é preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa" e que "independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la".

"Visto de longe tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos. No importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas", ressalta FHC.

"Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção. Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais", concluiu.

Aécio desmente acusações em vídeo

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou um vídeo nesta sexta no qual afirma que "em nenhum momento" foi acusado por delatores da Odebrecht de ter solicitado doações ilegais, o chamado caixa dois, para o candidatos do PSDB nas eleições de 2014. O tucano diz ainda que há uma tentativa de disseminar inverdades envolvendo seu nome.

Aécio Neves - Amanda Castro/Senado/Divulgação/ND
Aécio Neves divulgou vídeo esclarecendo acusações - Amanda Castro/Senado/Divulgação/ND


Aécio afirma na gravação que "dois fatos" ocorridos nas últimas 48 horas "são elucidativos e podem ser pedagógicos em relação ao futuro". "O primeiros deles diz respeito ao depoimento do sr. Marcelo Odebrecht ao TSE, no qual ele afirma de forma categórica que os recursos transferidos à campanha do PSDB em 2014, quando eu era candidato à presidência da República, foram feitos oficialmente, via caixa um, e que uma solicitação que chegou a ser feita em um determinado momento da campanha não pode ser atendida."

"Essa é a afirmação literal do sr. Marcelo Odebrecht, que por si só é motivo de reconhecimento da lisura da nossa campanha", afirma Aécio.

"No dia seguinte, um outro executivo, chamado Benedito Júnior, afirma em determinado momento que recebeu de minha parte, como dirigente partidário e candidato, a solicitação para apoio a três ou quatro candidatos que disputavam aquela eleição. Eu, como dirigente partidário, tinha o dever de tentar ajudar dezenas, centenas de candidatos e sempre da forma correta, da forma legal, da forma lícita", prossegue o tucano.

"Em nenhum momento, ao contrário do que tentaram disseminar ao longo do dia de hoje, em nenhum momento o sr. Benedito afirma que eu solicitei recursos por caixa dois ou qualquer outro meio", conclui. A fala de Aécio é uma resposta à publicação de que, em seu depoimento ao TSE, Benedito afirmou que a Odebrecht repassou R$ 9 milhões por meio de caixa dois para o PSDB.

Os recursos teriam sido liberados após um pedido de Aécio. O tucano encerra o vídeo afirmando que "o respeito à verdade é a essência da democracia".

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