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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Fechamento de unidades da Unimed em Florianópolis e São José preocupa usuários

Em decisão administrativa para otimizar gastos, cooperativa decide reduzir a estrutura na Grande Florianópolis

Fábio Bispo
Florianópolis
Bruno Ropelato/ND
Aposentado Luiz Avelino acompanhava colega de trabalho na unidade da Trindade: "Daqui a pouco vou ter que correr para o SUS"


O fechamento de duas unidades de pronto atendimento da Unimed em Florianópolis e São José até março preocupa os usuários do plano de saúde. Em novembro de 2015, a empresa divulgou aos cooperados que seria gerida por novo administrador em função da redução de receitas. Segundo a empresa, as mudanças se tratam de otimização da estrutura e fazem parte do plano de gestão para 2016.

Com a redução das duas estruturas, a empresa promete um remanejamento dos serviços. Os usuários da unidade da Trindade terão o mesmo serviço disponibilizado na unidade do Centro, que atualmente abriga o Pronto Atendimento Infantil 24h. O atendimento infantil, assim como os serviços da unidade do Kobrasol serão oferecidos no novo prédio do Hospital da Unimed, em Barreiros, São José.

As mudanças devem acontecer de forma gradual até março, quando as unidades da Trindade e do Kobrasol deixarão de funcionar. Consultas previamente agendas serão realizadas normalmente até 15/03, assim como os exames de ultrassom. Os demais exames de imagem e cardiologia permanecem sendo realizados até a primeira semana de fevereiro na Trindade. Os clientes com consultas agendadas para datas posteriores estão sendo contatados individualmente pela Unimed para encaminhamento dos agendamentos.

Apesar de divulgar a data de fechamento, a Unimed não fixou prazo para que os mesmos serviços estejam disponíveis nos novos locais. Diretores não deram entrevistas e a empresa se manifestou sobre o fechamento das duas unidades por meio de nota: “Ainda não estão definidas as datas da mudança das unidades de Pronto Atendimento da Trindade para o Centro de Florianópolis e do Kobrasol para o Hospital Unimed, além da transferência do PA Infantil para o Hospital Unimed, onde funcionará junto à UTI Pediátrica”, diz trecho da nota que segue: “a Unimed reforça que continuará com a mesma conduta na comunicação aberta e transparente com seus clientes, sempre com a mais alta consideração e honrando a confiança depositada em nossos serviços há 44 anos.”


Clientes reclamam de fechamento

“Daqui a pouco vou ter que correr para o SUS. O fechamento dessa unidade é muito ruim para nós, imagina ter que se deslocar para o Continente ou centro para ser atendido?”, questionou o bancário Luiz Avelino Rodrigues, 55. Ontem, enquanto acompanhava um colega de trabalho de fora da cidade que também é usuário na unidade da Trindade. O homem ainda presenciou ainda outra situação que considerou grave na Unimed. “O meu amigo é de Curitibanos e foi internado aqui com um problema no pulmão, mas acontece que a Unimed quer cobrar dele os antibióticos. Disseram que a única forma de não cobrarem seria transferindo ele para o Hospital em Barreiros. Isso é um absurdo, dissemos que vamos acionar eles na Justiça pela cobrança”, emendou Avelino.

Regina Cunha, 59, também disse ser contra o fechamento da unidade da Trindade. “Todo o pessoal do Sul da Ilha usa essa unidade. Claro que isso vai impactar na região, não tem como se deslocar por essa cidade com esse trânsito”, afirmou. “Eu moro um pouco em Miami e um pouco em Florianópolis, meu marido teve três AVCs e está internado, agora vão transferir ele para o hospital”, contou a mulher que criticou a rede de saúde do país.

Dívida veio à tona no ano passado

Em 2015, a crise fez com que a Unimed Paulistana (SP) fosse intimada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) a entregar sua carta de beneficiários a outra operadora de planos de saúde. A turbulência também foi sentida na Unimed Rio (RJ), que acumula dívidas que chegam a R$ 1 bilhão, e tem dificuldades para pagamentos aos fornecedores.

A Unimed da Grande Florianópolis, que tem cerca de 250 mil usuários, segundo apurou o ND, acumula dívida em torno de R$ 160 milhões. A projeção nas receitas de 2015, com expectativa de 9% de crescimento frustrou administração e fechou o ano em 3,5%. Em assembleia da cooperativa em setembro do ano passado, o conselho administrativo chegou a sugerir a venda do prédio onde fica a sede da empresa, na rua Dom Jaime Câmara e um aporte financeiro de R$ 20 mil de cada um dos 1.600 médicos (o que daria R$ 32 milhões), mas a proposta foi recusada.

Consultados pelo ND, integrantes da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SC alertaram que, em tese, se o fechamento das unidades ferir o acordo contratual ou acarretar prejuízos, quem se sentir lesado poderá ingressar na Justiça por danos morais.

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