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Fazer segurança naquelas condições é impossível, diz policial federal

Quando foi atacado em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro estava nos ombros de um apoiador e estava rodeado de eleitores

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
07/09/2018 às 11H13

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os policiais federais que fazem a segurança dos candidatos à Presidência têm encontrado dificuldades para contornar situações de risco durante a campanha porque eles não têm poder de veto sobre a agenda e a movimentação dos candidatos, informaram entidades representativas dos policiais.

Jair Bolsonaro é esfaqueado durante comício em Minas Gerais; segundo filho, passa bem - Reprodução
Jair Bolsonaro é esfaqueado durante comício em Minas Gerais; segundo filho, passa bem - Reprodução



A segurança do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) é coordenada por um experiente delegado da PF no tema, Daniel França, mas os policiais têm limites legais para o trabalho. Não podem, por exemplo, impedir que um candidato se aproxime dos eleitores.

Quando foi atacado em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro estava nos ombros de um apoiador e estava rodeado de eleitores.

"Fazer segurança naquelas condições é muito difícil, é impossível. A não ser que exista um elemento de informação muito sério, é difícil convencer um candidato a não procurar o corpo-a-corpo. O político quer o contato com o povo. Mas para a segurança é um terror, a gente vive com muito nervosismo em situações assim", disse o presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal), Edvandir Paiva.

Uma das recomendações básicas da segurança dos políticos é fazer cordões de isolamento, o que não existia em Juiz de Fora. "Não dá para fazer um cordão naquelas condições, como fazer para o povo se afastar do candidato?", diz Paiva. Ele mencionou também o histórico nulo de atentados a candidatos presidenciais no Brasil nas eleições mais recentes, o que colabora para os candidatos terem uma visão menos severa sobre os riscos que correm.

O presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal), Flavio Werneck, atual candidato a deputado federal pelo PHS, disse que os policiais que participam da segurança dos candidatos não indicam gestos como o adotado por Bolsonaro no momento do ataque, "de ser levantado e colocado no meio do povo". "Eles não indicam esse tipo de ação, justamente por conta do risco, da vulnerabilidade", disse Werneck. Não está claro se os policiais da escolta em algum momento desaconselharam o gesto do candidato em Juiz de Fora.

Segundo Werneck, "ele [candidato] estava em cima de uma pessoa, não havia cordão de isolamento, nem primário nem secundário. Então ali as regras não foram devidamente seguidas porque o candidato se coloca nessa posição, normalmente eles [candidatos] não seguem as orientações de segurança propostas pelas equipes de segurança da Polícia Federal".

O sindicalista disse que "em toda eleição" os policiais que fazem a escolta dos candidatos à Presidência "tem esse problema". "Porque uma coisa é a avaliação de risco e outra é a atitude do candidato, dos candidatos, que querem estar próximos e abraçar e beijar [eleitores]. Uma coisa é toda a teoria aplicada na segurança dos dignitários [autoridades] e a prática para que se diminua ao máximo possível o risco. A outra coisa é como o candidato se coloca durante a campanha. Essa é a análise fria e técnica da situação."

Jair Bolsonaro foi um dos primeiros candidatos à Presidência a pedir segurança da Polícia Federal, logo no começo da campanha eleitoral. A PF confirmou que, no momento do atentado em Juiz de Fora (MG) nesta quinta-feira (6), ele estava sob escolta de policiais federais.

O número de agentes e delegados empregados na segurança do deputado não havia sido informado pela PF até o fechamento deste texto, segundo a polícia, por razões de segurança.

Os candidatos à Presidência têm direito legal à segurança da PF. Como são 13 os postulantes, a PF estabeleceu alguns critérios para a escolta. O principal é que os partidos considerados nanicos, com menos de cinco parlamentares no Congresso Nacional, só receberiam a segurança em circunstâncias especiais, e não 24 horas por dia. Todos os custos são bancados pelo órgão, segundo a assessoria da PF.

O PSL, partido de Bolsonaro, tem oito representantes na Câmara dos Deputados e, por isso, podia requisitar a segurança para todo evento que entendesse necessário -foi o que ocorreu na caminhada de Bolsonaro em Juiz de Fora. Segundo a PF, os critérios para pedir a segurança são dos comandos das próprias campanhas presidenciais.

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