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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Famílias retornam ao Morro da Mariquinha com autorização da Defesa Civil de Florianópolis

Há riscos, mas oito casas foram liberadas. Doze permanecem interditadas e cinco delas serão demolidas na semana que vem

Emanuelle Gomes
Florianópolis

Alezandro Albornoz/ND
Mara volta para casa com medo de novos desastres

A Defesa Civil da Capital liberou, na manhã de quinta-feira (15), oito casas que estavam entre as 20 interditadas no Morro da Mariquinha, depois do desabamento de terra na última terça-feira. As outras 12 casas permanecem interditadas, sendo que cinco devem ser demolidas na semana que vem. As famílias que receberam notificação da Defesa Civil e saíram das casas já podem requerer o aluguel social. O restante retornou para o morro ainda ontem, mas teme novas ocorrências no local.

Riscos de novos desabamentos são grandes, de acordo com o geólogo voluntário da Defesa Civil, Rodrigo Sato. No entanto, depois de uma vistoria técnica, a Defesa Civil determinou que algumas casas que foram desalojadas por precaução não apresentam perigo. “Vimos que, aparentemente, não deve acontecer nada. Mas apenas um estudo geológico mais aprofundado pode dar certeza da segurança”, garantiu Luiz Eduardo Machado, diretor do órgão.

Sato elabora um laudo geológico emergencial, que deve ser entregue na segunda-feira. Ele destacou que apenas o estudo geológico pode verificar a necessidade de novas interdições. “Quase entrei na rachadura da rocha, que está com cerca de 40 centímetros de abertura na base e 50 centímetros no topo. Toda a base está moída, fraturada. O bloco está muito instável”, relatou. A rocha tem em torno de 160 toneladas e, caso desabe, pode trazer riscos para todas as casas da região.

“Na minha opinião, as 12 casas deveriam ser demolidas como forma preventiva. A rocha está em situação muito crítica”, afirmou. Com essa posição, moradores ficaram revoltados com a liberação de algumas casas. “Disseram que o laudo fica pronto em 30 dias, mas é uma situação emergencial. Uma árvore caiu em frente à casa de uma família que pode voltar. E se as outras caírem em cima?”, questionou Marcelo Ferreira, líder comunitário.

Quem pode voltar, tem medo

Moradora do morro da Mariquinha há 17 anos, Mara Raquel Rocha Vicente se assustou quando descobriu que poderia voltar para casa. Ela estava abrigada na passarela Nego Quirido quando recebeu a notícia. “Até de manhã estava em risco, agora dizem que não tem problema. Eu tenho medo, mas tive que voltar”, contou. Mara estava em casa no momento da tragédia, terça-feira, e garantiu que a estrutura da casa balançou com o desabamento. “O telhado abriu e agora chove mais dentro da minha casa do que fora. Além disso, a pedra em frente de casa está rachada e pode desmoronar. Já houve desmoronamentos dessa pedra em 2008”, lembrou.

Mara disse que assim que as casas em risco forem demolidas ela deve achar outro lugar para morar. “Não vou correr o risco de a minha desabar também”, afirmou. A vizinha dela Cecília de Souza Silva também pôde voltar para casa ontem. Ela voltou para cuidar das coisas que adquiriu com anos de trabalho. “Não posso deixar minhas coisas aqui e não tenho dinheiro para pagar aluguel. Se começar a chover, vou descer o morro correndo. Já não consigo mais dormir”, desabafou.

Segundo Sato, a pedra ao lado da casa de Mara e Cecília está realmente em risco. A Defesa Civil aguarda o estudo mais aprofundado. Enquanto isso, as famílias poderão permanecer no local.

Moradores querem indenização

Por outro lado, quem teve a casa interditada permanentemente espera pelo aluguel social e pelas demolições. Vera Lúcia Cardoso é a dona de duas casas que estão próximas do precipício e de uma que desabou com a rocha. “As minhas são as vinho rosé. Todo mundo acha que são rosas ou roxas, mas não são”, brincou, apesar do drama vivido nos últimos dias. Ela alugava a casa que desabou, mas os inquilinos saíram no sábado. A outra casa, visível da avenida Mauro Ramos, abrigava um estudante que alugava o porão. “Ajudamos ele a pegar algumas coisas. Amarramos ele em uma corda e ficamos puxando”, contou. É na terceira casa que Vera mora. “Íamos fazer festa neste Natal. Agora não vai mais ter festa”, relatou.

Ela, o irmão, Valdemir Cardoso, e outros moradores planejam impedir as demolições. “Queremos indenização, não aluguel social. Temos escritura pública”, contestou Valdemir. Os moradores da Mariquinha acreditam que uma tubulação de escoamento de água pluvial colocada pela prefeitura pode ter causado o desmoronamento. “Não temos como saber. Quando as casas forem demolidas, será possível verificar essa questão. Mas isso é um ponto a ser visto”, garantiu Sato.

O procurador-geral do município, Jaime de Souza, explicou que, caso seja comprovada a culpa da prefeitura, os moradores podem ser indenizados. “Esse assunto ainda não chegou à parte jurídica. A Secretaria Municipal de Assistência Social está cuidando dos aluguéis sociais”, disse.

As ações da Defesa Civil desde o desmoronamento

Dia 12: resgate

Dia 13: 20 residências foram desabrigadas e desalojadas

Dia 14: limpeza de escombros e desobstrução de drenagem; vistoria técnica com  manutenção de 12 edificações interditadas; e elaboração de laudo técnico

Dia 15: 8 casas foram liberadas. Dez notificações foram entregues (12 casas, uma notificação por dono): 7 interdições temporárias e 5 com demolição programada para a próxima semana

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