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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Faltam intérpretes para atender turistas estrangeiros em Florianópólis

Principal deficiência está no setor de transportes da capital catarinense

Rafael Thomé
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Jade Minuzzia atende turistas no aeroporto. “Falo inglês fluente e me comunico em espanhol”, afirma

 

Destino tradicional de brasileiros e estrangeiros, Florianópolis deve receber quase dois milhões de turistas ao longo da temporada de verão, o que representa um aumento de 30% em relação ao ano passado. A estimativa da Setur (Secretaria Municipal de Turismo) leva em conta a alta do dólar, fato que deve causar, também, o aumento de visitantes estrangeiros na mesma proporção. De acordo com pesquisa do órgão em parceria com o Sebrae, feita na última temporada, 27% dos turistas na Ilha de Santa Catarina são de fora do país. Mesmo assim, a Capital ainda carece de capacitação e ensino de outras línguas aos profissionais do setor.

Os serviços mais utilizados por aqueles que vêm de fora, como as redes hoteleira e de bares e restaurantes, contam com alguma oferta de profissionais fluentes em inglês e espanhol, mas, segundo o presidente da Santur (Santa Catarina Turismo), Valdyr Walendowski, é insuficiente. “O Brasil tem que se educar mais. O inglês é a língua dominante no mundo, por isso, os proprietários de estabelecimentos turísticos têm que entender que a capacitação é primordial para navegar no mercado internacional”, afirmou.

Ao menos na chegada à Florianópolis os estrangeiros não têm problemas para conseguir informações. No aeroporto Hercílio Luz e no Terminal Rodoviário Rita Maria, funcionam Centros de Atendimento ao Turista com profissionais poliglotas. “Falo inglês fluente e consigo me comunicar em espanhol. Temos que conhecer bem a Ilha para dar as melhores dicas e saber as línguas, porque quase metade das pessoas que pedem informação é de fora”, contou a atendente Jade Minuzzi, 25.

Próximo aos centros de atendimento – há outro no Mercado Público –, a prefeitura instalou mesas interativas que dispõem de informações, dicas e serviços básicos, mas funcionam apenas em português. Apesar disso, o maior problema do atendimento ao estrangeiro está no sistema de transporte. Nos ônibus e terminais de integração, não há intérpretes. Nos táxis, é difícil encontrar um motorista que fale inglês ou espanhol. “Não vais achar. A gente fala ‘portunhol’ ou se comunica com ajuda de celular. O cara chega, mostra o endereço no celular e dirigimos para lá”, disse o taxista Edson Pedro André, que atende cerca de dois estrangeiros por dia.

Falta de interesse na capacitação

Como disse o presidente da Santur, um dos principais problemas do atendimento ao estrangeiro é a falta de cursos de capacitação. Mas, de acordo com as Secretarias Estadual e Municipal de Turismo, a baixa procura por aulas de inglês também é fator preponderante para a falta de intérpretes e atendentes bilíngues. “O Estado tem convênios do Pronatec com o Ministério do Turismo. Temos curso de francês e de espanhol em andamento no IFSC, mas o de inglês não fechou turma”, informou a Secretaria Estadual.

Na avaliação da secretária de Turismo de Florianópolis, Zena Becker, a sazonalidade dos empregos no setor contribuem para a falta de interesse. “Isso é histórico e não só em relação à línguas. Tme muitos cursos de capacitação, mas sempre se tem dificuldade de preencher as turmas”, afirmou. Para Zena, o desenvolvimento do turismo de negócios e eventos pode mudar um pouco o panorama. “Não é por falta de incentivo. Com o Sapiens Parque e os Centros de Eventos do Norte e do Sul da Ilha, demos o primeiro passo para diminuir a sazonalidade, e esse ano já vimos uma melhora”, completou.

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