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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Em 50 anos de história, conheça o processo de expansão da Udesc nas regiões catarinenses

Primeiro reitor eleito conta como o processo de autonomia marcou o começo da interiorização da universidade

Letícia Mathias
Reprodução/Revista Udesc 50 anos/ND
Ex-reitor Braz da Silva (à esq.) em 1990 na sanção da lei que torna a Udesc autônoma junto com o então governador Casildo Maldaner  


Quando Rogério Braz da Silva começou a estudar pedagogia na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em 1972, a faculdade já tinha três cursos, mas o ensino ainda não era totalmente gratuito. A instituição não era reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação) como universidade e não tinha autonomia, palavra cujo significado Braz da Silva perseguiu e ajudou a conquistar até se tornar reitor, o primeiro eleito pela comunidade acadêmica em 1990.

Apesar de ter ingressado sete anos após a fundação da Udesc, Braz da Silva fez parte e acompanhou praticamente todos os períodos da instituição até hoje.

A proposta de uma universidade estadual surgiu a partir do plano de metas do governo Celso Ramos (1961-1966). Na época, identificou-se a falta de mão de obra qualificada. Até então, o ensino superior tinha menos de 1.000 vagas.

Surgiram então, em 1963, a Faed (Faculdade de Educação) o Cepe (Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais), a Fesc (Fundação Educacional de Santa Catarina) — que assistia as duas unidades — e a Esag. Em 1965 a Udesc foi criada para integrar todas essas unidades de ensino, junto à Faculdade de Engenharia de Joinville, que já existia.

No segundo ano como estudante, em 1973, Braz da Silva criou o diretório central dos estudantes da Udesc para unir os diretórios já existentes. A principal luta, na época, era pela redução dos reajustes da mensalidade. “Quando unimos, ganhamos mais força e conseguimos reduzir de 30% para 15% de reajuste”, disse. O jovem idealista recebeu o diploma em 1976 e, no mesmo ano, já ingressou como técnico de educação na própria Faed. Anos depois, integrou a diretoria, foi vice-reitor e ajudou na conquista de mudanças importantes para a efetivação da tão sonhada autonomia.

Daniel Queiroz/ND
Braz da Silva foi o primeiro reitor eleito na universidade


Primeiros passos da interiorização

Em 1989, a Udesc se torna independente da Fesc, passa a oferecer o ensino cem por cento gratuito e o reitor é escolhido por eleições diretas da comunidade acadêmica pela primeira vez. Braz da Silva foi o vencedor na disputa. “Antes, tudo tinha que ser pedido ao governo e ficava meses na gaveta. Era muito difícil. Depois da autonomia, as decisões passaram a ser na própria universidade. Depois dos salários, tudo era investido em pesquisa e extensão”, lembra.

Foi neste período que a Udesc começou a deslanchar e a chegar no interior do Estado, em regiões ainda carentes do ensino superior e profissionais capacitados, oferecendo mais de 50 cursos de graduação, além de mestrados e doutorados. A instituição hoje ligada à Secretaria de Estado da Educação, mas com diretrizes próprias, é comandada por um reitor e as decisões são tomadas pelo conselho universitário.

Toda estrutura é custeada pelo governo do Estado, por meio do repasse anual do duodécimo, assim como a Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), Tribunal de Contas, Ministério Público e Tribunal de Justiça. O percentual recebido é de 2,49%. Com a verba, a universidade pode realizar licitações, contratações e concursos de vestibular sem o aval do governo do Estado. “Ainda vivo muito a universidade que entrou em mim muito cedo e ainda não saiu. Se não houvesse o ideal de algumas pessoas, não aconteceria, principalmente no interior. Surgiu em cima de doação até obstinação dos profissionais da época”, afirma Braz.

 

Confira a linha do tempo no infográfico

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