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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Evento no Campeche marca os 70 anos do desaparecimento de Saint-Exupéry

Exposição aberta quinta-feira no museu da UFSC resgata história da Aéropostale, companhia em que o piloto e escritor trabalhou

Felipe Alves
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Exposição sobre a Aéropostale estará até novembro no museu da UFSC

Enquanto sobrevoava o mar Mediterrâneo, em 31 de julho de 1944, o avião em que o piloto, escritor e poeta Saint-Exupéry comandava foi abatido em uma missão de reconhecimento durante a Segunda Guerra Mundial. Para marcar os 70 anos do desaparecimento do piloto francês, a Amab (Associação Memória da Aéropostale no Brasil) realiza dois eventos nesta semana. Na quinta-feira foi aberta a exposição Memória da Aéropostale, no museu da UFSC, e neste sábado será realizado um sobrevoo no Casarão do Campeche, o chamado “popote”, em alusão à memória de Exupéry.

Às 10h, a antiga casa de pilotos do Campeche será ocupada simbolicamente para que as pessoas apreciem o sobrevoo de cinco aviões do Aeroclube de Santa Catarina. Haverá a presença de viaturas militares antigas para lembrar que Saint-Exupéry morreu por sua pátria e, após os voos, o grupo marchará até o campo de aviação, em sinal de protesto contra as construções aleatórias feitas no local que deveria ser preservado.

A exposição “Memória da Aéropostale”, aberta no museu de arqueologia e etnologia professor da UFSC, apresenta um pouco da história da companhia francesa de correio aéreo conhecida como Latécoère e Aéropostale, que deu origem à Air France. A mostra, que fica aberta até novembro, é composta por fotos, totens, maquetes de aviões e mapas da época.

Criada por Pierre-Georges Latécoère em 1918, na cidade de Toulouse, a companhia era responsável pela entrega de correspondências em alguns países da Europa e, posteriormente, na América do Sul. No Brasil, a companhia possuía 11 escalas, incluindo Florianópolis, no Campeche. Foi no bairro do Sul da Ilha que o piloto teve contato com pescadores e ficou conhecido como “Zéperri”.

“Saint-Exupéry fazia a supervisão da companhia na América do Sul e fez várias escalas aqui em Florianópolis durante um ano e meio. O Campeche assimilou muito essa memória da aviação e, como ele era uma pessoa muito marcante e que gostava de ficar com as pessoas, acabou fazendo amigos pescadores”, explica Mônica Cristina Corrêa, presidente da Associação Memória da Aéroportale no Brasil.

 

Convivência entre os pilotos e os pescadores

Nascido em 29 de junho de 1900, em Lyon, na França, Antoine de Saint-Exupéry é o autor de “O Pequeno Príncipe”, um dos livros mais lidos no mundo. Na exposição aberta no museu da UFSC é possível ver o livro em mais de 10 línguas, como persa, tibetano, finlandês, chinês e japonês.

Aos 21 anos, o futuro piloto tirou o brevê e aperfeiçoou seus voos no Marrocos, onde conheceu as paisagens do deserto que o inspiraram em muitos livros. Logo em seguida, entrou para a empresa de aviação de Pierre-Georgetes. Em 1929, assumiu a chefia da empresa em Buenos Aires, e o contato com Florianópolis passou a ser frequente. Os pescadores do Campeche acendiam lampiões para os pilotos franceses, ajudando-os nos voos noturnos, além de auxiliarem nos reparos dos aviões e levarem peixes frescos ao casarão da Aéropostale.

Em 1931, ele voltou para a França e continuou sua dupla profissão de escritor e piloto, finalizando sua obra mais conhecida, “O Pequeno Príncipe”. Em 1944, depois que desapareceu ao sobrevoar o Mediterrâneo, sua morte permaneceu um mistério por mais de 50 anos. Somente em 1998, quando um pescador, na região da Marselha, encontrou um bracelete com o nome de Saint-Exupéry foi possível ter pistas sobre seu paradeiro. Em 2002, foram encontrados os destroços do avião.

Hoje, a maior reivindicação da Associação Memória da Aéropostale no Brasil é para que a prefeitura faça o restauro do casarão onde ficavam os pilotos, para que o local se transforme em um memorial e espaço cultural público da aviação. O projeto já foi aprovado pelo Ministério da Cultura em 2010 e aguarda para ser executado.

 

Serviço

O quê: exposição "Memória da Aéropostale"

Quando: até 27 de novembro. De terça a sexta, das 10h às 17h

Onde: Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, na UFSC, próximo ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas

Quanto: gratuito

 

O quê: Sobrevoo em alusão aos 70 anos do desaparecimento de Saint-Exupéry

Quando: sábado, das 10h às 12h

Onde: antiga casa de pilotos do Campeche, na esquina da av. Campeche com a av. Pequeno Príncipe, no Campeche

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