Publicidade
Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

Estados Unidos anunciam que vão deixar Unesco em dezembro

A diretora-geral acrescentou que a decisão de Washington representa uma derrota para o multilateralismo e para a família ONU

Folha de São Paulo
São Paulo
12/10/2017 às 15H14

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos vão deixar a Unesco, a agência de educação e cultura da ONU (Organização das Nações Unidas), a partir de 31 de dezembro deste ano, anunciou o Departamento de Estado norte-americano em comunicado nesta quinta-feira (12).

"Essa decisão não foi tomada facilmente, e reflete as preocupações dos EUA com crescentes contas atrasadas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel na Unesco", disse o departamento, acrescentando que os EUA irão buscar "continuar engajados [...] como Estado observador não-membro, de forma a contribuir com as visões, perspectivas e com nossa expertise".

Horas após o anúncio dos Estados Unidos, o primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, declarou que seu país também deixaria a agência, e chamou a saída americana de "corajosa e moral". A Unesco lamentou a decisão.

"Após receber notificação oficial do secretário de Estado americano, sr. Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco eu quero expressar meu profundo lamento com a decisão dos Estados Unidos da América de se retiraram da Unesco", disse a diretora-geral da agência, Irina Bokova, em comunicado.

A diretora-geral acrescentou que a decisão de Washington representa uma derrota para o multilateralismo e para a família ONU.

Nos últimos anos, Israel tem feito reclamações constantes sobre o posicionamento da Unesco em relação aos locais considerados patrimônio cultural da humanidade em Jerusalém e na Palestina.

Na última Assembleia Geral da ONU, Netanyahu afirmou em seu discurso que a agência estava promovendo uma "falsa história" após ter designado Hebron e dois santuários adjacentes como "patrimônio cultural da Palestina ameaçado".

"Hoje é um novo dia na ONU, um dia em que há um preço a se pagar pela discriminação contra Israel", disse Danny Danon, embaixador israelense junto às Nações Unidas.

Os Estados Unidos haviam cancelado em 2011 sua contribuição financeira para a Unesco em protesto contra decisão da agência de conceder à Autoridade Nacional Palestina o status de membro pleno. As verbas americanas representavam 22% do orçamento total da agência.

Na ocasião, a decisão teve 107 votos a favor e 52 abstenções. Foram contra 14 membros, entre eles Estados Unidos, Israel, Canadá e Alemanha.

Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França votaram a favor da admissão da Palestina. O Reino Unido se absteve.

Esta não foi a primeira vez que os Estados Unidos saíram da Unesco. Nos anos 90, Washington tomou a mesma decisão alegando que a agência era mal administrada, corrupta e usada para promover interesses soviéticos. Os EUA voltaram a integrar o órgão em 2003.

Publicidade

2 Comentários

Publicidade
Publicidade