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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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"As construtoras estão dando descontos que podem chegar até os 30%", afirma Helio Bairros

O presidente do Sinduscon da Grande Florianópolis, Helio Bairros, entidade que promove a Construfair na Capital, faz uma radiografia do setor e dá dicas para quem for visitar a feira

Alessandra Ogeda
Florianópolis

A maior feira do setor imobiliário começou ontem em Florianópolis e segue até o próximo domingo oferecendo cerca de 5 mil imóveis para compra de consumidores com perfil variado: desde aqueles que acessam o Minha Casa, Minha Vida, até os que buscam unidades de alto padrão. Faz parte da programação também temas vitais para o segmento, como segurança do trabalho, o novo Plano Diretor da cidade, casas eficientes e práticas sustentáveis na construção.

Em entrevista para o Notícias do Dia, o presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) da Grande Florianópolis, Helio Bairros, confirmou que neste momento em que a economia do país está estagnada e que o setor da construção civil está acomodado, quem ganha é o consumidor.

Nenhuma empresa, segundo ele, está rifando imóveis, mas é possível conseguir boas negociações e, com a expectativa de retomada da economia, que deve acontecer a curto prazo, a possibilidade de ganhos para quem procura um imóvel para investir é maior. 

A Construfair tem entrada gratuita até domingo e reúne 150 expositores e 400 marcas no CentroSul. A expectativa de Bairros é que seja repetido o volume de negócios da edição passada, de R$ 80 milhões.

Marco Santiago/ND
Helio Bairros estima R$ 80 milhões em negócios

Confira a entrevista:

De acordo com a pesquisa sobre o mercado imobiliário divulgado pela Fecomércio-SC na terça-feira, a estagnação da economia está afetando o setor imobiliário. Como este cenário influencia as ofertas da Construfair?

Agora que a economia como um todo registra essa retração, o setor imobiliário se caracteriza por este momento de dar condições mais favoráveis ao consumidor. No ano passado, tínhamos o argumento forte de que bastava crédito para a pessoa comprar um imóvel. Este ano, o argumento são as condições especiais de comercialização. A economia nos atinge a todos. Mas especificamente na área imobiliária quem ganha é o consumidor porque nós precisamos continuar com as atividades e fazer novos lançamentos. Este é o momento de aproveitar a oportunidade favorável de comprar o produto que está sendo lançado, sendo construído ou em estoque. Porque essa fase da economia é passageira. Ela tem o ciclo de desaceleração, mas retoma o ritmo em seguida. Neste momento, há os que se diferenciam.

 

Mas esta estabilidade do setor não significa um momento ruim, não é mesmo? Os preços seguem mantendo o mesmo patamar.

Estamos em um momento de acomodação nos investimentos e nos lançamentos de produtos, mas não devemos esquecer que os preços dos imóveis se mantêm no mesmo patamar dos momentos anteriores. Eles não caíram. As construtoras apenas estão dando descontos especiais, que podem chegar até os 30% com algumas condições ou dependendo do produto. Como quando a compra é à vista ou o prazo de pagamento é muito curto, porque a empresa pode contar com esse recurso para continuar a produção, manter o caixa, o capital de giro e os compromissos assumidos.

 

Um dos temas das palestras do evento é a influência do Plano Diretor de Florianópolis nas decisões estratégicas das empresas na cidade. De que forma o novo plano está influenciando o setor?

O Plano Diretor, na verdade, não produziu nenhum benefício que era esperado para a cidade. Ele foi anunciado com tanto alarde como a solução para todos os problemas da cidade, mas o que ele criou de expectativa não aconteceu. E como ele não produziu nada, os investimentos das empresas não aconteceram. Novos produtos não foram lançados porque não se tem uma regra que permita fazer isso. O que está sendo produzido é com base no Plano Diretor passado. São projetos que tem prazo de entrega. Esse cenário vai abrir uma lacuna bastante grande que pode trazer sobrevalorização para os produtos que estão disponíveis no mercado já que não existem mais lançamentos.

 

Com isso o senhor quer dizer que o setor está paralisado?

O empresário quer fazer, quer investir, mas o plano não está permitindo isso porque ele depende de uma série de outras medidas complementares que não foram viabilizadas. O setor está com dificuldade de encaminhar projetos. Está paralisado desde janeiro, há oito meses. E quando não há continuidade de investimentos, o produto vai se tornando escasso. Mas isso é menos grave, porque as empresas estão tentando se adaptar a essa situação. O pior deste cenário é que as empresas estão saindo de Florianópolis. Levantamos que dez empresas que faziam investimentos fortes na cidade estão atuando agora fora de Florianópolis por causa do Plano Diretor e das dificuldades ambientais, burocráticas e de licenciamento. A cidade está perdendo com isso porque esses recursos poderiam estar girando aqui. Há casos de empresas que saíram totalmente da cidade, e outras que tem apenas a sede administrativa e financeira aqui, mas que levaram a estrutura logística para outros lugares do Estado ou fora de Santa Catarina.

Quem for até a Construfair procurando um imóvel deve ficar atento a que tipo de ofertas, levando em conta as tendências do mercado?

Temos três tipos de consumidores: o que compra por necessidade, aquele que compra por um sonho e o investidor. Quem tem necessidade do imóvel vai buscar critérios pessoais e familiares, como uma opção próxima do trabalho ou da família. Quem compra por sonho é um tipo de cliente bastante exigente e que vai atrás de um determinado produto que ele deseja. O investidor já procura a valorização que o imóvel pode trazer, levando em conta a localização, o projeto e questões ambientais. 

E que dicas o senhor daria para o público que está procurando um imóvel como investimento?

Bairros: A primeira regra é buscar produtos que estejam sendo lançados, oferecidos na planta. Porque daí ele terá um retorno maior, já que a empresa geralmente precisa na arrancada da obra de um volume significativo de recursos e, por isso, ela faz condições de pagamento ou oferece o imóvel à vista por um preço melhor. E se a pessoa puder comprar duas ou três unidades, o desconto é bem significativo. Depois, o consumidor deve avaliar o projeto em relação ao público que ele quer atingir na revenda. Outra dica, para quem está começando a comprar imóveis para vender depois, é adquirir unidades com valor mais baixo. Recomendamos iniciar com um produto de um dormitório, com localização mais afastada, que a pessoa tem condição de pagar e que vai valorizar. Isso vale também para os terrenos. A pessoa compra o primeiro mais barato, depois vende, e vai se aproximando do condomínio que ele deseja. O investidor individual não deve começar já muito perto do sonho.

Outros temas destacados em palestras da feira são a segurança do trabalho e a sustentabilidade como elementos decisivos para o setor. O quanto estes assuntos estão mudando a realidade da construção civil?

Estes são temas relevantes para os negócios e estão na agenda das grandes discussões dos eventos do setor. As questões trabalhistas são um dos grandes gargalos da atividade econômica do país. Algo que não dá para entender é como um trabalhador atua por dois meses e ganha mais que um juiz trabalhista. Essa realidade gera prejuízo e insegurança para o investidor, principalmente o estrangeiro, já que lá fora os contratos são regidos mais de forma coletiva do que individual. E a questão da sustentabilidade, hoje, é um tema importante. Por exigência do mercado o setor está adotando inovação e tecnologia, já que o consumidor está mais criterioso em relação ao que ele vai comprar. O setor foi tomado por essa situação e teve que se adaptar rapidamente para manter a atividade e ter produtos competitivos. 

Muitas regras estão mudando rapidamente, com a adoção de normativas e revisões de legislação. Como estas alterações estão afetando o negócio?

A sustentabilidade não é só econômica, mas tem um aspecto social e trabalhista. Com a autonomia dada a alguns órgãos públicos, como a Receita Federal, o INSS e o Ministério do Trabalho, cada um editando resoluções e instruções normativas, vai se criando um cenário que muitas vezes desestimula os investimentos e até a manutenção dos empregos. Isso devido a exigências que muitas vezes tem fundamento, mas em outros casos trazem dificuldade para o setor. Por exemplo o caso do Jovem Aprendiz. Para a construção civil, esse jovem só pode começar a trabalhar aos 18 anos. Nesta idade, há muita dificuldade para encontrar alguém querendo começar, porque a pessoa já está casada e, muitas vezes, entrou no mercado de trabalho em outro ramo.

Ainda que os salários na construção civil estejam entre os melhores do mercado, especialmente para quem está começando a carreira.

Exato. É preciso incentivar o jovem para que ele veja que a construção civil deixou de ser considerada uma atividade suja para ser uma atividade com uma série de cuidados e com investimento em deixar o ambiente de trabalho com qualidade de vida. Além disso, houve a ampliação dos salários pagos para os trabalhadores da construção civil. Comparando com o salário paga no Estado, o do nosso setor está se colocando entre o primeiro ou o segundo lugar na faixa inicial. 

Que novidades a feira apresenta este ano, na comparação com as edições anteriores, e qual é a expectativa de negócios?

Esta edição é a das condições especiais e tentadoras. Só não faz negócio quem não está de olho nos próximos anos, porque a pessoa vai ganhar dinheiro. Agora é a hora. A pechincha não se resume a um argumento, mas é fato. Ainda que qualquer produto que esteja sendo ofertado no evento seja interessante, acredito que o imóvel na faixa dos R$ 200.000 e dos R$ 350.000 deve liderar a comercialização este ano. Também temos terrenos com preço diferenciado para quem está pensando em fazer investimento. Há empreendimentos bem concebidos dentro da lei e que, desta forma, ajudam a desenhar uma cidade mais organizada. Não podemos mais conviver com a informalidade, com quem tem um terreno e começa a dividi-lo em lotinhos. Porque isso compromete a parte urbana da cidade. Espero manter o ritmo que foi comercializado no ano passado, na ordem de R$ 80 milhões em negócios.

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