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Estagnada nas pesquisas, Marina Silva redesenha estratégia de campanha

Ex-senadora passará a selecionar alguns eventos, como sabatinas e debates, e deverá priorizar as agendas de rua, principalmente no Nordeste do país

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
07/09/2018 às 16H23

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A campanha da candidata da Rede, Marina Silva, tem redesenhado a estratégia para tentar fazê-la chegar ao segundo turno pela primeira vez, em sua terceira tentativa nas eleições presidenciais. A candidata apareceu estagnada na última pesquisa Ibope, divulgada na quarta-feira (5), com 12% das intenções de voto. 

A ex-senadora passará a selecionar alguns eventos, como sabatinas e debates, e deverá priorizar as agendas de rua, principalmente no Nordeste do país. Marina pode se beneficiar do voto dos eleitores que ficaram órfãos da candidatura do ex-presidente Lula --embora ela diga oficialmente que "não trata voto como herança".

Pré-candidata à presidência Marina Silva - Reprodução/ND
Marina Silva é candidata à Presidência - Reprodução/ND


Apesar de o foco da campanha ter sido ir ao encontro do povo desde o início, a agenda carregada de entrevistas concentradas no eixo Rio-São Paulo e em Brasília acabava engessando a mobilidade da candidata.

Com campanha de recursos escassos, ela depende de voos de carreira para se locomover pelo país.

Um dos fatores que também pesaram para a mudança foi o crescimento de Ciro Gomes (PDT), que subiu de 9% para 12% e empatou numericamente com Marina. Segundo a campanha, esse movimento já era visto como uma possibilidade. 

Ex-governador do Ceará, ele tem boa entrada na região Nordeste e também briga pelos votos de Lula.

A estratégia já teve impacto na agenda da candidata nesta semana. Na quarta-feira (5), ela desistiu de participar de entrevista fechada em Brasília para fazer agenda aberta em Belém, no Pará. Também abriu mão de entrevista marcada para segunda-feira (10), quando irá a Salvador. 

Na próxima semana, a presidenciável deve fazer um intensivo na região: além de Salvador, tem previsão de passar por Alagoas e Sergipe. Ainda assim, na terça (11), irá ao Rio para participar de sabatina. 

A quantidade de convites para encontros fechados cria um dilema: Marina não gosta de se ausentar dos principais debates nem de perder a oportunidade de falar com lideranças empresariais e formadores de opinião, mas também deseja aumentar o volume de atos de rua e encontros com apoiadores.

Na primeira fase da campanha, com apenas 21 segundos de televisão, a candidata avaliava que o ideal era aumentar ao máximo a exposição na mídia. Para isso, a presença em eventos televisionados era fundamental. 

"Agora já se consolidou a presença da Marina. As pessoas já sabem que ela é candidata", afirma o coordenador político da campanha, Pedro Ivo Batista. 

Além disso, a equipe quer explorar a boa recepção do vice Eduardo Jorge (PV) entre os eleitores. A ideia é fazer um maior número de agendas casadas e expor o ex-deputado nas transmissões ao vivo da campanha. 

Na primeira fase da campanha, Eduardo era enviado para representar a chapa em entrevistas e eventos sempre que possível, mas sem Marina. As viagens solo devem continuar, mas agora a imagem do vice deve ser mais colada à da candidata. 

O primeiro exemplo do protagonismo que o verde está ganhando foi a viagem dele a Roraima, no fim de semana passado, para ver de perto a crise dos imigrantes venezuelanos. Eduardo disse que a candidata pediu a ele para ir ao estado.

Na volta, ele fez um relato detalhado para ela e sugeriu propostas que podem ser incorporadas ao discurso de ambos.

Uma das estratégias traçadas pelos colaboradores, desde o planejamento inicial, inclui a presença de Marina em locais que tenham conexão com suas principais bandeiras.

Isso ocorreu, por exemplo, na ida a uma fazenda considerada ambientalmente sustentável em Goiás, na reunião dela com mulheres empreendedoras da periferia de São Paulo e na visita dela a uma escola de futebol para crianças carentes no Rio.

Além de reforçar compromissos com os setores, os encontros servem para rechear o conteúdo das propagandas e das redes sociais da ex-senadora. 

Geralmente acompanhados pelas emissoras de TV, os atos também rendem imagens diversificadas para a cobertura dos telejornais sobre os presidenciáveis.

Nos últimos dias, por exemplo, Marina apareceu em vídeos e fotos andando em ruas de comércio popular, conversando com feirantes e chutando uma bola em direção ao gol.

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