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Sexta-Feira, 18 de Janeiro de 2019
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Estados trocam sistema de rádio analógico por digital em poucos meses e são exemplos para SC

Custo para implantar o sistema digital no Espírito Santo foi de R$ 10 milhões, e o tempo de implantação levou oito meses

Leonardo Thomé
Florianópolis
Fabricio Porto/ND
Rádio analógico utilizado pela PM é ultrapassado e é facilmente rastreado por bandidos


Em boa parte dos Estados brasileiros o sistema de radiocomunicação digital é uma realidade a serviço da segurança pública. Ao contrário do que o coronel da Polícia Militar de Santa Catarina, Vânio Luiz Dalmarco, afirmou em entrevista à RICTV, de que a implantação do sistema digital aqui levaria dez anos, em outros Estados o mesmo sistema começou a funcionar alguns meses depois da licitação para escolher a empresa operadora. Desde quinta-feira, em uma série de reportagens, o ND vem mostrando que o serviço de rádio da SSP (Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina), em sistema analógico, é ultrapassado e permite que bandidos ouçam conversas da polícia.

No Espírito Santo, por exemplo, desde 2010 Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros trabalham com radiocomunicação digital. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Estado, André de Albuquerque Garcia, a implantação do sistema digitalizado levou apenas oito meses. “Não é algo tão complexo quanto parece. É preciso vontade e investimento”, diz.

O custo para implantar o sistema digital no Espírito Santo foi de R$ 10 milhões, informa o secretário. Além dos rádios e estações, foram instaladas torres de transmissão e transceptores fixos, móveis e portáteis. Segundo Albuquerque, os principais benefícios da digitalização dos rádios são a clareza e a confiabilidade na comunicação entre as tropas e o comando de cada unidade. “Antes fazíamos operação com o rádio desligado, para não sermos interceptados. Agora, ninguém nos ouve e podemos fazer nosso trabalho com eficiência”, observa.

Outros estados, como São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná, Sergipe e Pará também utilizam rádios digitais para investigações e operações policiais. “Pelo tamanho e características de Florianópolis [população de 453.285], creio que em seis meses é possível instalar um sistema de radiocomunicação digital na cidade e região metropolitana”, afirma Nelson Mendonça, gerente comercial da Alcon Engenharia de Sistemas, empresa que implantou o serviço de radiocomunicação digital em diversas cidades e alguns Estados do Brasil.

EXEMPLOS BEM-SUCEDIDOS
Sistemas em outros Estados

Espírito Santo
População: 3.839.366
Sistema utilizado: Apco P25
Número de rádios: 750 fixos, móveis e portáteis
Número de torres: 5
Alcance: 80% do Estado
Tempo para implantação: 8 meses
Total investido: R$ 10 milhões

Alagoas
População: 3.300.935
Sistema utilizado: Tetra
Número de rádios: 700 fixos, móveis e portáteis
Número de torres: 30
Alcance: 70% do Estado
Tempo para implantação: 6 meses
Total investido: R$ 15 milhões

Distrito Federal
População: 2.789.761
Sistema utilizado: Tetra
Número de rádios: 12 mil fixos, móveis e portáteis
Número de torres: 40
Alcance: 99% do Estado
Tempo para implantação: 4 meses
Total investido: R$ 20 milhões

Acre
População: 776.463
Sistema utilizado: Apco P25
Número de rádios: 385 fixos, móveis e portáteis
Número de torres: 4
Alcance: Raio de 200 km a partir da capital Rio Branco
Tempo para implantação: 3 meses
Total investido: R$ 2,85 milhões

Rio de Janeiro (capital)
População: 6.429.923
Sistema utilizado: Tetra
Números de rádios: 10 mil fixos, móveis e portáteis
Número de torres: 41
Alcance: 99% da cidade
Tempo para implantação: gradual (começou em 2007 durante o Pan-Americano e terminou em 2010)
Total investido: R$ 25 milhões

 

Denúncia será levada à Alesc

As fragilidades do serviço de radiocomunicação em Santa Catarina não preocupam apenas os polícias que estão na linha de frente no combate ao crime. Na sexta-feira, o deputado estadual Mauricio Eskudlark (PSD), ex-delegado geral da Polícia Civil no Estado e atual presidente da Comissão de Segurança Pública da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), afirmou que levará aos deputados a necessidade urgente de discutir a implantação do sistema de radiocomunicação digital na segurança pública catarinense.

O serviço analógico, avalia o deputado, deixa a desejar em questões fundamentais para o trabalho de investigação, como a confidencialidade e alcance da informação. “Não há investigação sem sigilo, quando ele é quebrado, há problema. No rádio digital, ninguém vai nos ouvir”, destaca.

Eskudlark entende ser inadmissível que mesmo com o avanço das tecnologias em comunicação, as forças policiais continuem utilizando rádios que já em sua época como delegado geral não eram utilizados por ninguém na Polícia Civil. Ele diz que a sociedade está preocupada com a precariedade do sistema atual, já que é na população que o problema respinga. “Temos o dever de ajudar Santa Catarina a melhorar essa realidade”, diz.

A intenção do deputado é cobrar do poder executivo medidas que aparelhem melhor as policias Militar e Civil. “Acompanhei as reportagens, e fiquei muito preocupado em ver que nada mudou desde que saí do comando, há quatro anos”, afirma.

ENTENDA O CASO

. Desde 2002, o governo de Santa Catarina mantém contrato com a empresa Direta Telecomunicações Ltda., que presta serviços de radiocomunicação para a SSP (Secretaria de Segurança Pública), munindo de rádios comunicadores as polícias Militar, Civil e o Deap (Departamento Estadual de Administração Penal).

. Com o avanço da tecnologia, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) recomendou em 2010 que os sistemas analógicos migrassem para o digital, na frequência de 380 MHZ

. O prazo para que a migração ocorresse terminou em 31 de dezembro de 2013. Desde então, a frequência em Santa Catarina passou a operar em caráter secundário, que é mais fácil de ser interceptado e na qual o sinal simplesmente se perde.

. Em setembro deste ano termina o contrato com a Direta, obrigando o governo a fazer nova licitação. Todavia, a SSP pretende manter o sistema analógico, cujo serviço custa mais de R$ 3,4 milhões por ano e a manutenção cerca de R$ 1,1 milhão por ano.

. Em média, a Direta recebe, por mês, R$ 287 mil pela prestação do serviço. A previsão é que, ao final de 2014, o governo desembolse R$ 3.454.683,96 para manter os rádios funcionando.

. A Polícia Civil de Santa Catarina nem utiliza mais os rádios. A maioria está jogada nos cantos das delegacias.

. Enquanto Santa Catarina parou no tempo, outros estados já trabalham com a radiocomunicação digital em suas forças de segurança. Uma das justificativas do governo para não implantar o sistema é o dito alto custo do serviço e tempo para implantação.

. O governador Raimundo Colombo e o secretário de Segurança Pública Cesar Grubba, afirmaram ao ND que desejam migrar a comunicação da segurança para o digital. Porém, não sabem quando isso será possível.

 

 

 

 

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