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Estacionamento de veículos na avenida das Rendeiras pode ser proibido ainda este ano

Comerciantes e moradores alegam que a mudança vai prejudicar o comércio e não resolverá problemas de mobilidade

Andréa da Luz
Florianópolis
03/12/2018 às 21H55

A Prefeitura de Florianópolis vai proibir o estacionamento de veículos ao longo da avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição. Desde a ponte, são 80 vagas e o espaço poderá ser transformado em ciclovia. Embora a prefeitura não tenha divulgado datas, a previsão que consta da ata de reunião com o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), em 15 de outubro, é de que todas as alterações sejam executadas ainda este ano.

Estacionamento de veículos ao longo da Avenida das Rendeiras será proibido - Flávio Tin/ND
Estacionamento de veículos ao longo da Avenida das Rendeiras será proibido - Flávio Tin/ND


Por meio de assessoria, o município informou que os motoristas que quiserem deixar seus veículos na orla devem utilizar os estacionamentos particulares. Atualmente, são cinco estacionamentos privados em toda a avenida, mas a prefeitura afirma que muitos comerciantes que possuem terreno grande estão fazendo adequações.

A medida faz parte de uma série de transformações, cujo objetivo é melhorar o trânsito na Lagoa da Conceição depois de recomendação do MPSC. As alterações incluem a retirada de mesas e cadeiras que restaurantes dispunham na orla, a construção de uma quadra esportiva de areia para uso coletivo e a proibição do estacionamento na avenida, com colocação de placas de sinalização, pintura de faixas de pedestres e instalação de semáforo automatizado na esquina da rua Osni Ortiga com a Rendeiras.

Essas medidas foram acordadas após reuniões entre os promotores de Justiça Alceu Rocha, Daniel Paladino e Eduardo Paladino, e representantes da Sesp (Secretaria Executiva de Serviços Públicos), Guarda Municipal, Diope (Diretoria de Operações de Trânsito), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Polícia Militar, Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) e Delegacia de Jogos e Diversões, que vem ocorrendo ao longo deste ano. O prefeito Gean Loureiro (MDB) dará mais detalhes sobre a execução dessa nova medida em entrevista coletiva prevista para segunda-feira (10).

De acordo com o promotor Alceu Rocha, a questão da ciclovia está sendo discutida com os órgãos do Executivo como uma solução viável para o problema de mobilidade que é investigado em inquérito civil que tramita no MPSC. "Os órgãos envolvidos na discussão encontraram tal solução diante do grave problema de mobilidade local, pois com a retirada do estacionamento haverá maior fluidez no tráfego e trará uma via alternativa de transporte público na região", afirmou.

A expectativa, segundo o promotor, é que haja diminuição do impacto de veículos, beneficiando toda a comunidade da Lagoa, Barra da Lagoa e até do Rio Vermelho. O MPSC aguarda a apresentação de uma solução definitiva que deverá ser apresentada pelo município nos próximos dias.

O que pensam moradores e comerciantes

A proposta causa desconforto entre comerciantes e moradores locais. Os comerciantes alegam que, sem estacionamento gratuito, o comércio vai definhar. Para Juliano Rosa, proprietário de uma lanchonete no final da avenida das Rendeiras, que dispõe de 30 vagas em estacionamento próprio, a medida afetará o movimento na orla da lagoa. "Não entendo porque tirar o estacionamento que é tão utilizado se a ciclovia poderia ser construída na calçada. Estamos situados entre dois morros, nem todo mundo virá de bicicleta para passear na lagoa. Dá a impressão que a prefeitura quer acabar com o comércio da Lagoa", diz.

Silvia, dona de uma loja de artigos artesanais, está preocupada com a falta de movimento no comércio - Flávio Tin/ND
Silvia, dona de uma loja de artigos artesanais, está preocupada com a falta de movimento no comércio - Flávio Tin/ND


A mesma opinião é compartilhada por Silvia Maria Vieira, moradora e proprietária de uma loja de artigos artesanais de renda de bilro. "Complica e acabará com nosso comércio. Por que não pensam em alargar a praia para fazer a ciclovia?", questiona. "A Lagoa é um local que todo mundo gosta de ficar, é muita família que vem aqui para ficar com as crianças, porque é um lugar calmo para tomar banho. O que precisamos é de mais cuidado e manutenção nessa avenida", afirma.

Morador do bairro Rio Tavares, o autônomo Jefferson Batista da Conceição aproveitou a segunda-feira (3) de folga para comemorar o aniversário da filha mais nova, que completou dois anos, à beira da lagoa. "É legal a ideia das quadras, mas também era legal ter as mesinhas aqui, poder comer algo na beira da lagoa. A prefeitura poderia dar a permissão aos bares cobrando uma taxa por isso e fazendo com que mantivessem o local limpo e iluminado como contrapartida", diz.

Pai de três crianças - de dois, cinco e nove anos, Jefferson acredita que a ciclovia poderia ser construída junto à calçada, como alternativa para manter o estacionamento na via. "Sempre viemos aqui com as crianças, mas se não puder estacionar não sei como vai ser. Acho mais importante ter um cuidado maior com a lagoa, tem muito lixo, não há bancos para sentar, é um local que fica abandonado durante o ano, quando poderia ser melhor aproveitado para programas culturais", analisa.

Jefferson, que sempre vai à Lagoa com as filhas, diz que será difícil voltar sem lugar para estacionar - Flávio Tin/ND
Jefferson, que sempre vai à Lagoa com as filhas, diz que será difícil voltar sem lugar para estacionar - Flávio Tin/ND

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