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Estação favorece incidência e procriação de gambás em Florianópolis

Polícia Ambiental tem recebido chamados diários para captura e recolhimento de marsupiais

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
13/11/2018 às 21H32

Sediados no Parque Estadual do Rio Vermelho, no Norte da Ilha, o Nutras (Núcleo de Tratamento e Recuperação de Animais Silvestres) e a PMA (Polícia Militar Ambiental) têm recebido chamados diários para captura e recolhimento de gambás na área urbana de Florianópolis. De acordo com especialistas, não se trata de uma infestação, mas uma combinação entre a ocupação de áreas por seres humanos com a primavera, a época do ano mais favorável para procriação do marsupial, como são chamados os mamíferos dotados de marsúpio, uma espécie de bolsa utilizada para carregar e amamentar filhotes.

Gambás que estão no Núcleo de Tratamento e Recuperação de Animais Silvestres são filhotes - Flávio Tin/ND
Gambás que estão no Núcleo de Tratamento e Recuperação de Animais Silvestres são filhotes - Flávio Tin/ND


Os gambás que foram recolhidos pela Polícia Militar Ambiental e estão no Nutras são filhotes e estão órfãos das mães. Geralmente, as gamboas (fêmeas) são vítimas de duas situações: são mortas por cães no pátio das residências ou atropelados por veículos à noite, quando saem das tocas ou ninhos em busca de comida. “Como são filhotes, não podemos soltá-los no habitat natural, pois serão presas fáceis para outros animais. Então, são trazidos até aqui, onde são alimentados até chegar à fase adulta”, explica o sargento Adriano Duarte.

De acordo com Duarte, os gambás aproveitam a presença de árvores próximas de residências para subir em telhados e fazer do forro das casas o local ideal para os ninhos, aonde poderão guardar os filhotes longe dos olhos de predadores, como o gato do mato e as cobras, enquanto buscam comida. “Infestação não há. O gambá está em todas as regiões da Ilha. Na verdade, eles é que são vítimas da presença do homem”, afirma Duarte.

O veterinário do R3 Animal, Daniel Angelo Felippe, explica que os gambás cumprem um papel importante no ecossistema. “Eles comem carrapatos e outras pragas, além de matéria em decomposição e fazem uma verdadeira limpeza. Eles são onívoros, ou seja, comem de tudo”, relata. Daniel destaca ainda que, culturalmente, a população tem muito receio em relação ao gambá, principalmente, quando se sente ameaçado e expele um líquido malcheiroso, como forma de defesa. “A gente tem que se adaptar a viver com eles e não apenas pensar em acabar com esses animais. Cada fêmea chega a ter 13 filhotes”, ensina Felippe.

Apesar do preconceito, o sargento Adriano Duarte tem percebido uma mudança de mentalidade em relação ao gambá, principalmente com crianças e adolescentes. “Os mais antigos matavam mesmo, os nativos matavam para comer, mas o pensamento hoje é diferente, está mudando”, completa.

Policia Ambiental fornece gaiola para captura

Para auxiliar na captura dos animais, a PMA dispõe de quatro gaiolas, conhecidas como gambarzeiras, que podem ser solicitadas por empréstimo para moradores mediante o fornecimento de endereço. Atraídos por frutas colocadas em seu interior, os animais acabam sendo facilmente capturados. “Eles são agressivos, principalmente as fêmeas, mas são fáceis de capturar. Como são animais de hábitos noturnos, eles costumam sair de suas tocas ou ninhos apenas à noite, pois durante o dia acabam ficando cegos com a luminosidade”, destaca Duarte.

Gambás capturados ficam no Parque Estadual do Rio Vermelho, no Norte da Ilha - Flávio Tin/ND
Gambás capturados ficam no Parque Estadual do Rio Vermelho, no Norte da Ilha - Flávio Tin/ND


Para evitar a presença deles nas casas, Duarte recomenda a poda de árvores que tenham galhos próximos dos telhados, além do correto acondicionamento do lixo, já que restos de comida podem ser um verdadeiro banquete para os animais à noite. Em 22 anos de atuação na Polícia Ambiental, o sargento não tem conhecimento de algum caso de mordida de gambás em seres humanos.

Porém, os animais podem representar algum risco à saúde humana, através da urina (leptospirose) ou de fezes (verminoses). Caso mordam, o gambá pode transmitir raiva. Por isso, é importante desinfetar os locais onde o gambá tenha passado com água, sabão e álcool. Para acionar a Polícia Militar Ambiental, basta ligar para 3665-4487.

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