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Obra do elevado do Rio Tavares não deve sofrer interferência após achado de ossada

Sepultamento intacto de esqueleto pré-histórica era mantido sob sigilo até vídeo viralizar nas redes sociais

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
30/08/2018 às 18H47

O esqueleto intacto de um homem adulto encontrado nas escavações arqueológicas das obras do elevado do Rio Tavares virou atração depois que um vídeo com imagens da ossada viralizou nas redes sociais. Um fragmento será enviado para análise nos Estados Unidos para constatar a idade do achado arqueológico.

As escavações no local são realizadas desde abril de 2015 em um terreno às margens da rodovia, que teria abrigado um sambaqui. De acordo com o arqueólogo Osvaldo Paulino da Silva, que coordena as escavações, o sítio arqueológico do Rio Tavares é conhecido desde o século XIX, com os primeiros estudos realizados por Carlos Wiener. “Em 1959, o padre Rohr também fala do sítio e da destruição de sepultamentos humanos por ocasião da abertura da estrada. Na década de 70 ainda havia resquícios de conchas por aqui”, relata Silva.

Esqueleto intacto foi encontrado no Rio Tavares - Foto: Daniel Queiroz/ND
Esqueleto intacto foi encontrado no Rio Tavares - Foto: Daniel Queiroz/ND


O esqueleto foi encontrado há 15 dias e desde então, o achado caracterizado como “sepultamento intacto” era mantido em sigilo pelos arqueólogos. Porém, diante da repercussão do vídeo nas redes sociais e da necessidade de preservação do esqueleto, os arqueólogos resolveram fazer a remoção durante esta quinta-feira.  O trabalho é minucioso. “Teremos que retirar osso por osso, numerá-los e identificá-los conforme a posição” disse.

Segundo o arqueólogo, inicialmente, pela constituição e tamanho da ossada, é possível determinar que se trata de um homem adulto, de meia idade, mas a datação (período em que habitou aquele espaço) só será conhecida após o envio de um fragmento da ossada para análise científica nos  Estados Unidos.  Antes, tudo terá que ser devidamente catalogado e autorizado pelo (IPHAN) Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pois o esqueleto foi encontrado em um dos tantos sambaquis existentes na Ilha de Santa Catarina e  que são considerados patrimônios históricos da União.  “A análise fica pronta em 20 dias, mas todo o processo, até o envio da amostra para os Estados Unidos deve levar seis meses”, relata.   

Obra do elevado do Rio Tavares não deve sofrer interferência 

Enquanto os arqueólogos faziam sua parte, curiosos visitaram o local devidamente isolado para registrar o esqueleto em vídeo e fotos com smartphones.  Ao meio-dia, após sair da escola, o estudante Henri Miotti, 12 anos, resolveu ver de perto o que havia assistido nas redes sociais. “Muito legal, me disseram que o esqueleto vai para os Estados Unidos”, contou, antes de registrar uma foto.  O armador Paulo Sergio Coimbra, que trabalha nas obras do elevado, também aproveitou a hora do almoço para conferir o esqueleto. “Vou gravar um vídeo para mostrar para minha família em casa”, completou.

Apesar da grande descoberta, Silva acredita que não haverá prejuízo para o andamento das obras do elevado do Rio Tavares, previsto para ser aberto ao tráfego antes do início da temporada de verão. “O apelo para que a obra termine é grande. Além do mais, com a obra conseguimos preservar mais essa área da escavação, do que da forma como estava”, completa.

ossada encontrada no elevado Rio Ravares - Daniel Queiroz
Daniel Queiroz/ND



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