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Especialista em urbanismo sustentável defende cidades colaborativas durante palestra em Palhoça

O seminário que reuniu autoridades, especialistas e dezenas de outros cidadãos da Grande Florianópolis complementou a entrega do prêmio ADVB/SC 2015

Letícia Mathias
Florianópolis

Quando se fala em cidade criativa é preciso pensar no cidadão como fundamental no processo de transformação para melhoria dos espaços púbicos e em três eixos distintos, mas complementares: cultura, conexões e inovação. Com esses e outros conceitos a economista, especialista em economia criativa e doutora em urbanismo sustentável, Ana Carla Fonseca, motivou especialistas no assunto e outros cidadãos que vivem na Grande Florianópolis durante a primeira palestra do seminário Inovação e Sustentabilidade, realizado na quinta-feira (11) em conjunto com o Prêmio Personalidade de Vendas ADVB/SC 2015 no passeio Pedra Branca, em Palhoça. 

Divulgação/ND
Ana Carla Fonseca mostrou exemplos de cidades que dão voz às comunidades

 

De maneira objetiva e prática, Ana, mostrou exemplos de diferentes lugares do mundo com o conceito charmoso até a prática possível como indicava o tema da sua palestra. No quesito cultura, ela explanou o quanto essa questão influencia no desenvolvimento urbano, como faz a pessoas renovarem ideias e pensar no tema. Quando se fala em conexões, a especialista sugere que gestores e comunidade pensem em um ecossistema completo, em que os deslocamentos e modelos integrem pedestres, motoristas, ciclistas e todos os modais que compreendem um sistema.

Outro fator de destaque é a voz que se dá ao cidadão, quando ele é ouvido não “protocolarmente”, mas por meios colaborativos de soluções em que todos possam exercer de fato a cidadania, indicar o que pode ser transformado a partir da própria vivência, ação que Ana chama de inteligência coletiva. Ela lembra a experiência em São Paulo a partir do Sampa Criativa, canal colaborativo articulação em São Paulo, que em seis meses recebeu mais de 800 propostas de cidadãos, a maioria aplicáveis e algumas se efetivaram. “Dar voz ao cidadão com inteligência coletiva é o canal maravilhoso para economizar tempo e dinheiro. Não tem como ser criativo sem ter espírito coletivo, de comunidade. A sensação de que eu cuido, de que é nosso, faz com que a cidade tome corpo”, afirmou.

 

Cidades pensadas para as pessoas

Para a jornalista e especialista em planejamento urbano, Natália Garcia, é preciso pensar as cidades para as pessoas. Na segunda palestra do seminário ela destacou a importância de realizar ações pensando em todos os modos de vida e passagem das pessoas. As placas de trânsito, na opinião dela, são um exemplo de como a sinalização é pouco pensada para além dos veículos motorizados, na maioria dos locais as placas indicam trajetos e rotas para quem está de carro.

Natália diz que pequenas ações e ocupações diferentes em espaços urbanos podem mostrar ao público que modelos diferentes são possíveis e abrem espaço para o diálogo. “A grande conclusão que eu cheguei é que cidade para pessoas é plataforma de inovação, é um espaço onde quem vive nela sente que pode experimentar situações novas para um problema urbano que todo mundo conhece, criar sistemas que sejam acessíveis a todos”, disse.

 

Projetos exigem mudança cultural

Para Valério Gomes, criador do conceito e cidade Pedra Branca, o principal desafio para colocar ideias deste tipo em prática é promover uma mudança cultural, mas acredita que é possível “chegar lá”. Ele diz que para ser um cidadão criativo é preciso por em prática o que arquitetos chamam de urbanismo tático. Fazer na própria rua e vizinhança pequenas melhoras pontuais que farão diferença no todo. “Cada um de nós pode fazer no seu espaço. É uma evolução do nosso padrão de cidadania, a gente não pode só se preocupar do portão para dentro”, indicou.

O presidente da ADVB/SC, Octávio Lebarbenchon, lembrou que quando era mais novo observava a discussão sobre deixar a rua Felipe Schmidt, uma das principais ruas do Centro de Florianópolis, liberada somente para pedestres, que houve resistência, mas hoje vê que “foi a melhor opção para a cidade, onde o comércio e tudo no entorno se desenvolveu”.

Segundo ele, ouvir as especialistas foi como receber oxigênio, sair com um ‘grilo’ na cabeça, mais ciente do que é possível. “Alguém tem que ter coragem de fazer. Vários paradigmas estão sendo quebrados. Estamos em uma cidade fora da ilha, da Capital, em uma cidade sustentável que pode conviver sem o carro sendo o protagonista e tudo isso com uma ideia de futuro, de planejamento. Marketing e vendas sem sustentabilidade também não chegam a lugar nenhum, são coisas muito complementares”, sugere. 

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