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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Especialista fala sobre a importância da educação para o florescimento das empresas

Saraga Schiestl
Florianópolis
Divulgação/ND
Gustavo Ioschpe em palestra na Fiesc

 

O Brasil não pode se espelhar em modelos educacionais vigentes em outros países; não há indústria que sobreviva a longo prazo se não houver investimento em educação; um ano de estudo a mais representa 10% de acréscimo no salário; educação no Brasil é como futebol, todos sabem dar sua opinião, mesmo não sabendo nada sobre o assunto.

Esses foram alguns dos pontos refletidos pelo especialista em educação, mestre em desenvolvimento econômico e colunista da revista “Veja” Gustavo Ioschpe durante a palestra “Educação e competitividade”, promovida pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina). O evento ontem fez parte da Jornada Inovação e Competitividade da Indústria, promovida pela entidade desde segunda-feira (16).

Aos 35 anos, Ioschpe surpreendeu o público formado majoritariamente de empresários catarinenses com suas opiniões fortes a respeito da maneira como a educação brasileira vem sendo conduzida. Com base em números de instituições de pesquisas, o especialista comprovou as deficiências do setor educacional público. Ele pontuou que 74% da população brasileira não é plenamente alfabetizada, ou seja, não é capaz de entender um texto. “Temos um nível muito baixo e o empresariado sofre diretamente com isso. Afinal de contas, não há como se desenvolver um negócio se não houver uma educação de qualidade”, enfatizou Ioschpe, pedindo que os empresários comprem a briga da educação, sob pena de não encontrarem mais pessoal capacitado para trabalhar.

 

Ensino profissionalizante

Para o especialista em educação, o Brasil tem um ensino técnico muito melhor em comparação ao básico. “Mas não podemos cair nesse tipo de armadilha de tentar substituir as carências do ensino básico e deixar que tudo se resolva com o profissionalizante.” Para Ioschpe, os dois precisam receber investimentos fortes. “O ensino técnico não pode se tornar uma segunda opção daquela pessoa que nunca foi bem no básico. É necessário se dar uma opção tanto para que a pessoa siga a carreira acadêmica, quanto para aquele que prefere ir para o técnico”, destacou.

 

Modelos de educação

Segundo Gustavo Ioschpe, de nada adianta implantar um modelo pronto com base em outros países. O especialista comenta que a cultura diferente e as condições específicas de cada país somam-se para que uma fórmula pronta não consiga ser colocada no Brasil. “Temos 40 anos de literatura técnica quando o assunto é educação para ser estudada. Basta que se procure dentro dela o que pode vir para o Brasil, nas doses ideais”, comentou o especialista. Casos como o da Coreia e da China, que aumentaram significativa os níveis educacionais nas últimas décadas, não podem ser colocados em sua integralidade no Brasil. “Na China, por exemplo, entre 1998 até 2002, os números de universitários pularam de 5% para 15%”, pontuou. No Brasil, a quantidade de universitários ainda não chegou a 20%; no vizinho Uruguai, há 43% de ingressos nas universidades na totalidade da população.

 

Pais muito satisfeitos

Enquanto o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) brasileiro tem uma nota média de 4,6 em uma escala que vai de um a dez, os pais que têm filhos matriculados nas escolas públicas, avaliaram a qualidade da educação em 8,6. Para o especialista Gustavo Ioschpe, também é papel dos industriais mostrar a esses pais que a qualidade do ensino brasileiro não vai tão bem assim. “É importante que exista uma reflexão e também criar um embate. Não adianta o privado tentar fazer o lugar do poder público construindo escolas particulares. É preciso exigir qualidade e mostrar para os pais que eles também fazem parte disso”, destacou. Uma ideia do especialista é colocar nas entradas das escolas o índice do Ideb de cada instituição.

 

Problema nos investimentos

Segundo Ioschpe, estudos comprovam que não há uma ligação direta entre os salários dos professores e a qualidade do ensino. Para ele, os professores brasileiros não ganham mal. Tampouco ele acredita que haja necessidade de ampliar os investimentos do PIB (Produto Interno Bruto) de 5% para 10%. “O Brasil não precisa aumentar os investimentos do PIB em educação, mas encontrar um caminho e mudar o jeito de educar. Para isso, é necessário buscar as pesquisas acadêmicas”, contextualizou, destacando que ninguém vai querer mudar a situação se os pais acreditam que tudo vai bem.

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