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Especialista ambiental, Cecília Herzong diz que futuro do planeta depende das cidades

Conferência do Planeta.Doc reunirá em Florianópolis, na segunda-feira (23), 16 palestrantes para tratar de questões socioambientais

Fábio Bispo
Florianópolis
21/10/2017 às 09H26

O avanço das marés nas cidades litorâneas não é nenhuma novidade para ecologistas, cientistas e estudiosos. Assim como também não são novos os alertas de que a degradação do meio ambiente e o consumo exagerado dos recursos naturais precedem desequilíbrio jamais vivido na história da humanidade. A realidade é assustadora, e pode condenar futuras gerações a caminhos sem volta. É a situação dos recursos hídricos, cada vez mais escassos, ou da floresta amazônica, onde somente no ano passado foram desmatados aproximadamente 128 campos de futebol por hora, maior área desmatada desde 2008.

Cecília Herzog conheceu o Jardim Botânico de Florianópolis e fez algumas críticas ao novo parque da cidade - Joyce Reinert/ND
Cecília Herzog conheceu o Jardim Botânico de Florianópolis e fez algumas críticas ao novo parque da cidade - Joyce Reinert/ND

A solução para reverter ou minimizar os impactos tanto das evoluções geológicas como dos efeitos causados pelo homem está nas cidades. No Brasil, 85% da população vive em centros urbanos. “O grande ‘x’ da questão é como as cidades estão se preparando para isso”, afirma Cecília Herzog, presidente do Inverde (Instituto de Pesquisas em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana), uma das principais conferencistas do Planeta.Doc — Festival Internacional de Cinema Socioambiental, na próxima segunda-feira (23), no auditório Garapuvu da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), das 11h às 22h30.

>>Veja programação completa

Especialista em preservação ambiental das cidades, mestre em urbanismo e professora na PUC-Rio, Cecília traz para Florianópolis, em sua palestra, previsões alarmantes e soluções possíveis já implantadas em diversas partes do globo. “Um grande exemplo é a cidade de Seul [Coréia do Sul], que iniciou um processo de revitalização das quatro bacias que compõem a península já prevendo efeitos climáticos. O resultado é maravilhoso, parques sobre onde um dia foram montes de lixo, rios despoluídos, a cidade foi devolvida para as pessoas levando em consideração o ecossistema”, diz.

Para Cecília, a mudança que a humanidade quer ver no uso racional do meio ambiente e recursos naturais precisa nascer das pessoas, para então permear o poder político. “Participo do coletivo Baixo Rio, entre outros, porque acredito que essas mudanças têm que partir também das pessoas. Entre cientista e comunidade acadêmica esse conceito de que é preciso fazer alguma coisa é um consenso já”, conta Cecília.

Cidades brasileiras caminham lentamente

Curiosa em conhecer como os principais centros urbanos do mundo pensam as cidades do futuro, Cecília Herzog aponta experiências exitosas em Nova York, Paris e Seul. O ND levou a paisagista para visitar o Jardim Botânico de Florianópolis, inaugurado há um ano. “Os jardins botânicos têm trazido boas experiências, principalmente com as crianças. Mas falta mais árvores nativas e está um pouco mal cuidado”, diz.

Nas palavras da paisagista, cuidar do meio ambiente é também trazer bem-estar, saúde e prosperidade para as cidades. “Ainda existe uma visão desenvolvimentista muito forte, uma visão rodoviária. As pessoas falam em desastres naturais e não entendem como que as cidades alagam e os rios somem. Existe muita iniciativa boa, mas o Brasil ainda caminha lentamente nesse sentido. São ações que passam pela vontade política e pelo engajamento da sociedade”, afirma.

Palestras e filmes sobre questões socioambientais

Planeta.Doc, o maior evento do gênero do Sul do país e um dos principais do Brasil, começou no dia 16 de outubro. A programação com mais de 100 filmes de diversos países segue até 10 de novembro em Florianópolis e outras cidades catarinenses. “A ideia do evento é de trazer grandes palestrantes para discutir as questões socioambientais e apresentar os melhores filmes sobre o tema”, explica a organizadora Mônica Linhares.

A conferência de segunda-feira abrirá diálogo com base nos estudos mais atuais e inovações que estão sendo gestadas em torno de conceitos como “bens comuns, lixo zero e cidades humanas”.

SERVIÇO

O quê: Planeta.Doc Conferência, com participação de 16 conferencistas

Quando: Segunda-feira, 23 de outubro, das 11h às 22h30

Onde: Auditório Garapuvu, na UFSC

Quanto: Inscrições gratuitas (e obrigatórias) pelo site www.planetadoc.com

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