Publicidade
Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 20º C

Esgoto continua sendo lançado de forma clandestina na praia do Campeche, no Sul da Ilha

Força-tarefa envolvendo a vigilância sanitária de Florianópolis, a Floram, a Secretaria de Obras, a Defesa Civil e a Fatma fiscalizou as saídas de rede pluvial e os córregos na praia do Sul da Ilha

Michael Gonçalves
Florianópolis
11/01/2017 às 17H45

O esgoto continua sendo despejado na praia do Campeche, em Florianópolis, pelos córregos e saídas da rede pluvial. Sem uma rede de esgoto em funcionamento, que está em fase de licitação, os donos de alguns imóveis realizam ligações clandestinas. O correto é a construção de fossa e sumidouro. Na quarta-feira (11), a autônoma Jéssica da Silva, 25, resolveu tomar um banho de mar, mas não contava com o mau cheiro da água suja que corre em direção à praia. Na terça-feira, uma força tarefa do Estado e prefeitura vistoriou o local.

Turistas e moradores reclamam do esgoto sendo despejado no mar - Flávio Tin/ND
Turistas e moradores reclamam do esgoto sendo despejado no mar - Flávio Tin/ND



Segundo o Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Campeche tem mais de 15.436 moradores em uma área de 35 km². No verão, a população triplica com os turistas e o deslocamento para as casas de praia. “Em pleno século 21 ainda tem gente que não respeita o meio ambiente e não tem a mínima educação. Será que ninguém percebe que a casa ou o comércio serão desvalorizados com a praia poluída? Quem ganha com uma praia sem condição de banho”, questiona a autônoma.

Por conta própria, moradores do Campeche fecham saídas irregulares de esgoto

A poluição na praia do Campeche, que é uma das mais procuradas no Sul da Ilha, vem sendo denunciada desde a última temporada. A região do Riozinho do Campeche foi considerada própria segundo a última análise da Fatma, mas uma placa no local indica de que o local está impróprio. O relatório também destaca de que os outros dois pontos na praia também estão próprios, apesar do mau cheiro e da espuma branca.

Turista de Minas Gerais, a aposentada Carmem Rabelo, 58, não deixou de tomar um banho de mar com o neto, mas lamenta a falta de conscientização e de fiscalização. “Sempre tive vontade de conhecer as praias de Florianópolis, mas não sabia do esgoto. Sair de tão longe e encontrar um descaso desse tira o brilho da cidade”, lamenta.

A comerciante Simone Boscato,38, que mora no Campeche há 33 anos, cobra mais fiscalização dos órgãos responsáveis. “Não é a praia inteira que está poluída, mas aguardamos a criminalização de quem destrói o meio ambiente”, espera.

     

Força-tarefa faz levantamento da área

Na terça-feira (10), uma força-tarefa envolvendo a vigilância sanitária de Florianópolis, a Floram, a Secretaria de Obras, a Defesa Civil e a Fatma fiscalizaram as saídas de rede pluvial e os córregos na Praia do Campeche. Segundo o diretor da vigilância sanitária da Capital, Anselmo Granzotto, o lençol freático é alto e isso dificulta a absorção dos efluentes sanitários pelo solo, levando muitas pessoas a ligarem as tubulações desses sistemas às galerias pluviais ou diretamente em corpos hídricos, provocando poluição ambiental e riscos de agravos à saúde da população.

“As equipes da força tarefa atuaram em conjunto para identificar possíveis pontos de lançamento de esgoto. Apesar de área ser extensa, a vigilância possui levantamento de possíveis pontos de lançamento, que serão confirmados ou descartados com a sequência das ações e contribuição de informações dos vários órgãos atuantes e dos testes com corantes que serão realizados nas ações subsequentes”, explica.

Anselmo disse que as ligações irregulares serão lacradas sumariamente, sendo os responsáveis punidos com multas expedidas pelos órgãos responsáveis. O diretor também criticou a ação dos moradores que fecharam uma saída de rede pluvial. A Secretaria de Obras deve liberar a saída e os autores estão sujeitos a mesma punição de quem polui o ambiente.

Publicidade

7 Comentários

Publicidade
Publicidade