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Esfaqueador de Bolsonaro falou em matar políticos, conta mulher que lhe deu emprego em SC

Apresentando currículo com formação em pedagogia e em busca de vaga temporária para voltar a MG, Adélio trabalhou na construção civil e esteve na mesma escola de tiros de Eduardo Bolsonaro

Fábio Bispo
Florianópolis
10/09/2018 às 20H37

Os mistérios que cercam a personalidade de Adélio Bispo de Oliveira, 40, autor do ataque contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) na semana passada, em Juiz de Fora (MG), só aumentam. Autor de publicações confusas nas redes sociais, o autor confesso do atentado também chegou a manifestar indignação política aos colegas de trabalho quando esteve empregado em uma construtora de Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, no final de 2014 e início de 2015.

Agentes da Polícia Federal acompanharam Adelio Bispo de Oliveira na transferência para Mato Grosso do Sul - Reuters/Folhapress/Divulgação/ND
Agentes da Polícia Federal acompanharam Adelio Bispo de Oliveira na transferência para Mato Grosso do Sul - Reuters/Folhapress/Divulgação/ND

“Ele sempre falava que não gostava de políticos, que jogaria uma bomba em Brasília, essas coisas que nunca se imagina que alguém vai fazer”, conta Eliete Alves, na época administradora da construtora FJA Empreendimentos. Eliete lembra que Adélio chegou na empresa pedindo um emprego temporário “para juntar dinheiro e voltar para Minas Gerais”, segundo relatou ao jornal Notícias do Dia.

No final de 2014 foi contratado como servente de pedreiro e trabalhou até o início de 2015. “Ele tinha um currículo bom, dizia que era formado em pedagogia. Como trabalhador não há o que reclamar dele, mas dizia algumas coisas estranhas”, conta Eliete.

Ao ver a imagem de Adélio, na quinta-feira (6) da semana passada, sendo apontado como o homem que atacou Bolsonaro em Juiz de Fora, Eliete diz que lembrou na hora do ex-funcionário, principalmente porque ele move uma ação trabalhista contra a empresa.

“Eu lembro que ele dizia que queria ser famoso”, disse Eliete. A administradora da empresa lembra que ele morava de aluguel em um bairro próximo ao local de trabalho e que nunca falava de familiares, apenas que queria voltar para Minas.

“Na época até pensamos em registrar ele [assinar Carteira de Trabalho], mas como ele mesmo disse que queria algo temporário isso acabou não ocorrendo”, lembra Eliete. Antes de regressar a Minas Gerais, Adélio ainda passou por Florianópolis, onde trabalhou em uma empresa de alimentos.

Em Minas, registrou uma ação trabalhista contra a construtora de Camboriú. O processo ainda está tramitando, mas a empresa confirmou que por conta da distância não enviou advogados para as audiências. “Para nós seria muito custoso mandar advogado para Minas Gerais para defender um processo que sabíamos que íamos perder. Porque na época era assim, todos que entravam com ações trabalhistas ganhavam. Hoje [após a Reforma Trabalhista] isso mudou”, concluiu.

Quinze empregos em sete anos

A passagem de Adélio de Oliveira por Santa Catarina chamou a atenção, principalmente, depois que ele fez um check-in em Florianópolis, em 5 de julho, na mesma escola de tiros frequentada por um dos filhos de Bolsonaro. Adélio esteve no local onde praticou tiros.

Por telefone, a assessoria da escola confirmou a passagem do autor do atentado contra Bolsonaro no local, mas não deu mais detalhes sobre a ficha de inscrição preenchida por ele, informando que os dados estão à disposição da Polícia Federal.

A única informação colhida pela reportagem que liga a família Bolsonaro com o clube foi o grande grau de proximidade entre um dos donos da empresa, Tony Eduardo De Lima E Silva Hoerhann, e o filho de Eduardo Bolsonaro, filho do candidato. Eduardo, inclusive, chegou a gravar um vídeo a pedido de Tony com críticas contra Marcos do Val (PPS), instrutor de treinamento policial e candidato a Senador pelo Espírito Santo.

Cinco dias antes de passar pela escola de tiro, Adélio de Oliveira fez um registro na escadaria da catedral Metropolitana de Florianópolis, onde ocorria uma manifestação de apoio à greve dos petroleiros. Ao que tudo indica, nessa época, Adélio já não morava mais em Florianópolis, onde chegou a viver no ano de 2010.

Segundo apurou a reportagem do ND, em sete anos, o autor da facada em Bolsonaro teve ao menos 15 empregos diferentes em quatro estados, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Os registros apontam que em janeiro de 2008 Adélio trabalhou em uma construtora em São Paulo e em novembro de 2009 já estava empregado em Curitiba, em uma empresa de serviços. Em abril de 2010, ele teria trabalhado em um supermercado em Florianópolis, onde também fixou residência.

Em 2012, teria voltado a Montes Claros e retornado à Santa Catarina onde passou por outras empresas.

Confira o que disse mulher que empregou Adélio:

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